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Mensagens

A mostrar mensagens de Março 22, 2015

Para o único Helder que nunca conheci.

Mergulhar em todas as bocas, que horror! Por vezes estão tão sujas que só me conspurcam de nulidade, é o fim, acreditem! É este o fim!
Estão mortos, todos. 
E ninguém salva nenhuma criança afogada da abertura fatal de nenhuma retrete.
Debaixo de alguma barba explodem eternidades que ninguém percebe por inteiro. Dois ou três fizeram um esforço, mas no derradeiro, no derradeiro momento desta existência, quem sabe ao certo o que nunca foi dito por palavras escritas?
Os bons vivos morrerão assim mesmo, vivos, à espera da morte que os tornará vivos, para sempre.
Rompendo todas as gargantas ignóbeis, que aguardam com os pulmões postos em punhos,
com os olhos postos em entrevistas invasoras, com os corações esfaqueados pelo agora, os corpos esfacelados pela imagem, as palavras vendidas num nada.
Resgatemos estes vivos dos cádaveres antecipados. Resgatemo-los do vírus da existência só terrena deste mundo moderno.
Sim, o resgate também é possível para os vivos, ainda que estes nem o queiram. Ainda …

Ainda haveremos de ir todos a Viana

Versos para um homem arder.

Perdido é o homem onde a esperança desmaiou. Naquela disposição terrível de destino, que nunca apaga a fúria enorme que nem começou, ou sacia a fome do seu próprio assassino.
Pisam-lhe os pés, as sombras dessas lanças, outras sentenças, outros ditames, novos lameiros. Tão triste acabar a vida sem esperanças, cabelos alvos, a recordarem outros mais trigueiros.
Que lhe importa então a penúria, o desterro, o quase nada. O seu país, é aquele que nem o mar quer ter, junto a um peito de gente, feito de sal e sangue, todos os homens iguais, sem ter ninguém para os querer.
Estão nus todos os degraus, apagadas todas as luzes. Acaba-se o tempo de passos sem sentido. Venderam-se os homens mortos, os espigões e as cruzes, Resta-lhe uma só proeza em seu longo corpo aguerrido.
E por se julgar tão indigno de tal façanha, o homem inesperado, desprovido de outra esperança. Acende um fogo, acende um fogo...acende lá dentro uma grande sanha, que lhe inspira a força quente da cobrança.
Miro Teixeira (in…