A capacidade humana de desbravar nichos empedernidos, aquelas duras carapaças que todos vão carregando num tempo ou outro da existência, é espantosa, e merece muito justamente todos os filmes, músicas, livros e gente anónima sem palco visível que se aplica neste labor de desbaste afincado do "Homem-Bicho" como criatura acossada dentro dos seus medos e frustrações. É que todos levantam em seu redor, mais ou menos barreiras de defesa, mesmo em circunstâncias mais descontraídas, e a preciosa capacidade de adaptação em contra-corrente a este fecho cavernoso fascina-me imenso. Há dias, voltei a revisitar um velho romance que escrevi em 99, muito pela generosidade de um bom editor, que não tendo dinheiro ou contactos, ou abertura sustentada no mercado livreiro mais dinâmico e ultra-comercial destes tempos. Não tendo hipótese de exposição, mas mantendo o bom senso, continua a aplicá-lo na tenacidade das escolhas que ainda vai fazendo dos autores que publica. O Jorge (...