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A mostrar mensagens de Agosto 21, 2011

Um amor sem idade

Justino Viriato era um homem incomum. Pouco dado a cismas e dono de um juízo mental irrepreensível dada a sua idade avançada. Arrastava consigo a perna esquerda, como um toco inútil, caída faz anos, na desgraça da paralisia, e o muito além disto que lhe pudessem apontar, derivava sobretudo da sua fala dobrada em tremelga, fruto do mesmo incidente que lhe tirara vida à perna. Era uma criatura sem proveito de serventia: nunca apanhava nada do chão, nunca apagava luzes, nem fechava uma porta, e na plenitude da sua vida, quarenta anos antes, o fulcro de glória da sua existência, havia sido a sua ostentosa coleção de botões de punho, de derivadas origens, cores e formatos. Amealhou mais de dez mil, muito embora poucos fizessem fé de que haveria tantos assim no mundo.

Antologia Alma & Gêmea - Beco dos Poetas

Antologia Gêmea - Volume II inclui também um texto meu.

Vejo-te nos meus sonhos!

Vejo-te nos meus sonhos que agora não tenho vontade, O mundo? O que é o mundo senão isto. Fiz ser canção a história que não tem idade, e melhor me surgiste neste sonho meu tão imprevisto.

Viver vale o que vale...

Contei pelos dedos o tempo da minha vida e descobri que me esperam menos anos para viver do que aqueles que já vivi, como se toda a minha existência fosse mais feita do que já passou, do que propriamente daquele tempo desconhecido que ainda está por vir.
Já não tenho fôlego para lidar com as miudezas da vida. Não quero estar com invejosos que tentam destruir quem admiram, cobiçando seus lugares, talento e sorte.

Amigo.

No dia em que completou onze anos de idade, Lucas fugiu a  fechar-se no seu quarto, permitindo que a vontade de abandonar os pais e o irmão, juntos lá em baixo na sala,  em pose de cartão postal, defronte ao seu estranho bolo de aniversário, decorado ao jeito das atividades triviais  dos estrunfes, corresse solta no seu coração, e entregou-se à grata tarefa de contar mais uma vez os seus amigos, que guardava debaixo da cama.

Amo-te!

Amo-te sem saber como, nem quando, de onde, porquê, eu te amei. Amo-te, porque não és pessoa, és vida. Sem idade, sorte ou canseira. Assim te amo, porque não sei, amar de outra maneira. Tão profundamente, além da razão, que a tua mão sobre o meu peito é a minha. Tão Profundamente, que quando adormeces, Desfaleço e durmo o sono do perdão. E ao acordares ainda eu entretinha, o sonho de que nunca me esqueces. Amo-te assim, como lobo voraz, que devora em si mesmo o amor que te tenho. Tão profundamente, que sem querer, no teu sonho fui eu acordar. Amo-te sim, mas não sei, é ele quem faz, as ações de loucura que tanto desdenho, Amo-te enfim, porque sem te ter, Não entendo o sentido do verbo amar.