O meu desalento não cabe num só poema nem nas farpas ferrugentas do esquecimento que todos os dias me ferem os pulsos. Lentamente, deixei fugir palavras entre o sangue dos meus dias, e deixei a boca rasgar-se também, cortada em dois pelo medo puro do fracasso, cerzida na carne pelo fio aguçado do mau momento. E também deixei fugir o gosto do prazer e do assombro, e do desejo por infinito. Não me venham pois falar, de profetas, de heróis ou de sábios, ou dos vendilhões que me agoniam em cada palavra escrita não me queiram roubar o fogo às palavras, que é meu, tão meu, só meu, e não está à venda. Certamente, que deixei fugir palavras soltas pelas vielas da noite encontradas depois no brilho lúcido das manhãs, e já nada mais me aterroriza, o medo saiu inteiro deste corpo, e criou raízes na distância, onde o desdenho. Não, caros senhores nem se atrevam a pedirem-me que lute mais, em silêncio. Senhores eternos das verdade absolutas, A poesia não morreu! e de memória em memória De bo...