Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Opinião no ...viajar pela leitura...

Mais uma vez, os meus sinceros agradecimentos à Paula Teixeira, do blogue: ...viajar pela leitura...  pela maravilhosa opinião que aí publicou sobre o meu livro: "Governo Sombra". É decerto um prazer, uma enorme satisfação, aquele que assiste a todos quantos expõem os seus trabalhos aos olhos do público, e depois recebem, como réplica quase imediata, uma visão tão próxima, e quase tão detalhada, quanto aquela que pretenderam transmitir. Suponho que, para uma compreensão total deste livro, como de outro qualquer, estará implícita e obviamente clara, a necessidade de lerem o mesmo, pois a seu o de seu dono, e cada um lá fará a sua própria interpretação, como deve de ser, contudo, nunca é demais salientar, quase à laia de um prefácio, a opinião de alguém, que já o leu, e que assim o explica tão bem. Obrigado Paula.

A queda de um anjo triste.

Desafogados brilhos desta existência, quis olhar em frente, e vi somente escuro. Escuro, escória, lixo, lama e penetrante breu. Quis seguir em frente e não mo permitiram. Quis marcar presença, caí, e fui banido. Quis viver, e fui marcado a fogo com o rótulo do nada. Malditas palavras que me acendem esta vivência, pudera eu ser livre, e não viver por trás deste muro. Ser vento, ou poeira, e correr solto pelo esplendor deste céu. Malditas palavras que de mim emergiram, ainda mal as proferia, e já as via, abafadas em seu ruído, como se fossem pássaros, abatidos em revoada. Como eu mesmo, abatido assim, em tenra idade. Mas sosseguem, pois sou coisa irritante que insiste em não morrer. Malogrado pela estupidez do desprezo, sou, ainda assim, Homem! Homem! Homem... Estou vivo, e não desabo. Desafogado percurso que ainda mal começa, não verás teu fim nesta desdita amordaçada. Quis dizer o que quis, e não me faltou a vontade. Mais fáci...
Desta janela encantada de onde o meu olhar se pendura, vejo todos os dias um casal que ruma já ao final de uma vida preenchida. Todos os dias, se perfilam perante a minha vista, como se ainda mantivessem um futuro repleto de projectos. É possível que outros olhos que sobre eles se deitem, possam ver somente a tristeza da penúria que lhes reveste os corpos, mas eu, eu vejo um casal enamorado, que ainda vive a vida com um entusiasmo adolescente. Andam sempre de mãos dadas, e partilham tudo. Os bancos de jardim, o saco de plástico de onde se alimentam ao sol, a paixão, o toque carinhoso das mãos entrelaçadas. Sobretudo a paixão, que neste casal parece inabalável. Pergunto-me a mim mesmo: qual será a receita para uma relação de amor, assim tão serena e inoxidável, nestes tempos de horror que nos abarcam? E, como conseguem eles, manter duas existências assim, tão uníssonas ao longo de uma vida inteira? O que subsiste realmente, acima da desdita da realidade? 

Apresentação do Governo Sombra no Diana Bar

Sei que já o fiz, mas, não podia deixar de tentar transmitir aqui, com grande emoção, os meus mais sinceros agradecimentos ao Rui T, ao Angelo Vaz, ao Sr. Vereador da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, Luis Diamantino e a todos aqueles, que estiveram presentes sexta-feira passada, na apresentação do meu livro "Governo Sombra" no Diana Bar na Póvoa de Varzim. Foram momentos que nunca esquecerei, amizades que alegremente cimentei, e que decerto, dificilmente o tempo as fará desaparecer. Entendo agora, que um livro, encerra muito mais do que a própria história que contem, é também uma ponte, que passo a passo vai sendo edificada em cada momento deste percurso que iniciei aquando do seu lançamento, uma ponte sólida, longa e tão deslumbrante na sua estrutura, que a atravesso de olhos fechados, imerso em prazer e deleite, pois, mesmo que lhe tenha lançado os alicerces, são vocês agora, os leitores, quem a vai cuidando com desmedido esmero e paixão, e por isso vos agradeço a t...

Porque hoje é dia de luta...

Desalento

Encontro-me triste, abandonado e só. mais cão vadio do que homem, sem ter quem me procure, desalentado, neste fim do mundo que mete dó, com um pé já apontado a um nada que perdure. Pobre espinho curto que a ninguém pica, minh’alma é desventurada e escura, (coitada). Não sabe ser alma, nem cai ou fica. É feita de coisa inerte que nem perdura. Deverei ir mais além, na busca de quem me queira, ou aqui permanecer, tão triste, só e abandonado? Sou vidrinho furado por onde tudo se esgueira, sem vontade sequer, de estar em nenhum lado. E, de olhos fechados, já não sinto sequer este vento, mais me faltam forças para os manter abertos, neste ponto onde estou, sinto só, abandono e desalento, e um sem fim de outros males incertos. Quem me virá buscar a este cume de solidão? Sei-te aí por perto, mas chamar-te, eu nem m’atrevo. Maior será a dor de um tal...
(...) "O " Governo Sombra " nada tem de nocturno, de subterrâneo, de inconsciente. Está penetrado de luz e exprime qualquer coisa de perfeitamente consciente, embora permanente no homem - simboliza a experiência talvez mais frequente na existência, a dupla atracção das duas "tentações" da alma humana: a do bem estar, do amor seguro, dos dias sempre iguais, por um lado; por outro, o da aventura, da insegurança, da graça sempre renovada dos medos e dos mistérios que nos assoberbam, por vezes nos aterrorizam, arrancados ao tempo com trabalho e perigo, como as pedras ao duro flanco da montanha." opinião do leitor: Luis Vaz Morgado

Viver no Passado.

Surpreende-me a minha própria nostalgia por tempos que nem conheci, e dos quais tenho apenas recordações transmitidas por terceiros. Nunca antes me colocara a viver nos anos da geração dos meus pais, mas de tempos a tempos, sou involuntariamente transportado para aí. São somente breves instantes que se dilatam quando passo pela cozinha e o sol ilumina uma determinada cor das paredes. Caio numa fantasia em tons de azul pastel, de um tempo em que havia vacas leiteiras, muito pouca gente, e todas as pessoas se conheciam umas às outras, numa pequena aldeia isolada no cimo de um monte, sobranceira ao rio Ave. Havia ali uma quietude de ledo pasmo que muito me agradava. Velhas que raramente saíam de casa, e a quem eu fazia recados. Casas trancadas no tempo pela penúria ou pelo abandono, algumas mais antigas que as próprias velhas. Não existiam bulícios de inquietações, não se choravam misérias em privado, e em público não havia necessidade para tal, pois as desventuras eram de todos. Um...
Escrevo porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir. Não sou pretensioso. Escrevo para mim, para que eu sinta que a minha alma me fala, por vezes canta-me até, muitas vezes choramos os dois, sozinhos.
A eterna comédia humana. Só quando o pesado caixão de mogno subiu para a berlinda negra, só quando a longa fila de automóveis tristes se pôs em marcha, é que ele acordou do pesadelo e viu, conscientemente viu, toda a sua desgraça. Pela primeira vez chorou; chorou não por ela, mas pela ruína total e sem remédio da sua vida inteira. Porque era assim: a partir daquele momento toda a sua vida desabara convertida num montão de escombros. Debaixo dos destroços, ele jazia sepultado - morrera também. Existem angústias tão desoladoras, tão infinitamente cruéis, que ficamos com a sensação nítida de que passámos já para além da morte. É a eterna tristeza humana também.

Sonhos roubados.

Tenho sonhos doentes na alma só, pequenos, egoístas e mesquinhos, sonhos infelizes e tão pequenininhos, que nem sonho serem sonhos meus. Rasgam-me as noites levando-me a paz. Deixando-me num estado de meter dó. E já sinto saudades de não os ter, de me deitar há noite e não dizer: Adeus! E de não saber ao certo, o que a noite me traz. Tenho sonhos doentes que não tem cura. Carrego estes sonhos comigo, há mais tempo do que tenho memória, tão distante, que nem lembro já em que altura. E que mal terei eu feito? Que mal terei feito, para ter sonhos assim, sonhos sem história! Tenho sonhos doentes, pois tenho, nem bem sei se são parte de mim, ou existem por mero defeito. Deito-me há noite e nem os contenho, Espero somente pelo seu fim.

A sorte posta a nu.

O seu grito estridente de vitória foi inoportuno. Parecia despropositado, embora totalmente justificado. Terá sido somente a constante falta de oportunidades que nos assolava a todos, que o fez destoar, ou talvez o simples facto de Josefina não envergar naquela tarde, a modéstia da roupa de baixo, expondo sem compromissos o seu corpo ainda rijo de mulher madura, perante o aglomerar da multidão de vizinhos que se reunia todas as semanas em sua casa por esta hora. Mas, confesso que o solavanco da sua felicidade absoluta, no exacto instante em que viu o alinhamento perfeito daqueles números no ecrã iluminado da televisão, terá sido em parte, também uma imensa alegria para mim, e para todos os outros infelizes, que sem poderem gozar do luxo de possuírem uma televisão em casa, acabaram por presenciar  ao custo do mesmo valor, o desaire de mais semana de miséria e um espectáculo completo de variedades, composto por um número de magia extraordinário, (a sorte grande de Josefina) e de ...

Refúgio dos Livros

Passatempo a decorrer no blogue de divulgação literária Refúgio dos Livros . Não percam a oportunidade de ganharem um exemplar do meu livro com uma dedicatória especial. Participem!
Eu via dormir aquela desconhecida que entrara na minha vida por arrombamento. Não era bela quando fechava os olhos. Toda a sua sedução se concentrava na voz e naquele olhar castanho tímido. Mas reencontrava no sono uma espécie de infância que me enterneceu, o que provocou em mim uma imediata reacção de censura. Qualquer coisa me dizia que, com ela, o enternecimento seria servidão. Que idade teria? Vinte e nove, trinta e três.. Apaguei o candeeiro da mesinha de cabeceira. A luz de um céu demasiado cheio pela lua, impossível de ser verdadeiro, filtrava-se pelos cortinados, banhando o quarto numa penumbra de açafrão. deslizei para fora da cama para desligar o leitor de CD que continuava a debitar a banda sonora do nosso momento clandestino, demasiado fugaz, demasiado errado. Quando abandonei o quarto, e aquele corpo quente desfalecido pelo fragor da paixão, só trouxe na memória aquela música que me acompanhou até ao fim: O que seria?

Concurso "Governo Sombra"

No criativo blog " Em Jeito de Escrita " foi apresentado um passatempo muito interessante (claro que sou suspeito em afirma-lo, mas fiquei  deveras entusiasmado por o encontrar), onde o prémio final é um exemplar autografado do meu livro: "Governo Sombra". O concurso destina-se a cidadãos nacionais que queiram enviar para o blog, durante o próximo mês de Novembro, pequenos textos alusivos ao tema do livro, que serão posteriormente publicados no blog. O melhor texto recebe o livro. Participem! Fica aqui o link do passatempo.

O milagre dos bois

- O expresso da meia-noite só passa às duas da matina, de modo que, se quiser descansar um pouco, pode faze-lo aqui, no depósito das encomendas e deitar-se no estrado, sobre os sacos de farinha. Não há que ter receio, que é farinha moída da colheita deste ano e ainda não tem bolores nem carunchos. Como vê, a estação é pobre e sem movimento; construiu-a a companhia para servir o desvio e contam-se pelos dedos de uma mão os casebres perdidos nestas colinas. Aqui não há mais nada. Batem nove da noite e já desapareceram todas as luzes, a não ser as lanternas verdes e vermelhas no alto dos sinaleiros da linha. De um lado e de outro, os trilhos perdem-se no escuro, nos charcos, por debaixo do pontilhão. Só se escuta o sonolento coaxar das rãs. Mas não se sente no banco da plataforma que o vento está puxado a frio, e nas cinco horas que tem pela frente decerto que apanhará qualquer coisa ruim nas canalizações interiores. Não se espante. Esse longo e doloroso lamento que lhe está a mex...
(...) A confiança humana é das emoções mais fáceis de controlar. Ninguém poderia imaginar que o colapso económico mundial seria tão imediato, ou tão devastador. Ninguém, excepto aqueles que criaram este vendaval destruidor, e alguns poucos esclarecidos que o anteciparam, emitiram avisos, e foram linearmente ignorados. Dizer que esta situação era imprevisível, não passa de um artifício inventado para conquistar a confiança das populações, o primeiro passo de um complexo plano. (...) in " Governo Sombra " www.oslivrosdomiro.com  

Reflexões sobre o Acordo Ortográfico

Este texto que aqui lêem , não está (ainda) formatado segundo as novas regras do Acordo Ortográfico que entrou em vigor em Janeiro de 2009. E não está, porque não estou para isso, afinal de contas, o acordo propriamente dito, navega por enquanto, num limbo de pré-aprovação, ou de adaptação generalizada, e este período latente de transição, irá continuar, até se intitucionalizar em 2015. Aí então, já será a matar. Ora, se posso utilizar a mesma grafia que utilizei sempre, mal ou bem, mais pontapé menos pontapé, porque haveria de a mudar agora? O assunto já não é novidade nenhuma, já tem barbas por assim dizer, mas, aqui neste mundo de onde vos escrevo, ainda estamos em Portugal, e as opiniões exprimem-se quando a cabeça as magica, e apesar de todas as infracções que poderei vir a incorrer, eu adopto o sistema antigo, porque esse, é que é o nosso.

Linha do Horizonte

Aqui acolhe-nos uma brisa suave e quente. Alguém adivinha que linha de horizonte é esta?