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Desalento


Encontro-me triste, abandonado e só.


mais cão vadio do que homem, sem ter quem me procure,


desalentado, neste fim do mundo que mete dó,


com um pé já apontado a um nada que perdure.





Pobre espinho curto que a ninguém pica,


minh’alma é desventurada e escura,


(coitada). Não sabe ser alma, nem cai ou fica.


É feita de coisa inerte que nem perdura.





Deverei ir mais além, na busca de quem me queira,


ou aqui permanecer, tão triste, só e abandonado?


Sou vidrinho furado por onde tudo se esgueira,


sem vontade sequer, de estar em nenhum lado.





E, de olhos fechados, já não sinto sequer este vento,


mais me faltam forças para os manter abertos,


neste ponto onde estou, sinto só, abandono e desalento,


e um sem fim de outros males incertos.





Quem me virá buscar a este cume de solidão?


Sei-te aí por perto, mas chamar-te, eu nem m’atrevo.


Maior será a dor de um talvez, que a morte rápida do não.


Não te incomodes pois, em ler isto que aqui escrevo.

2004

Comentários

  1. Poema profundo, onde transparece a inquietudo humana. Muito, muito interessante mesmo!

    ResponderEliminar
  2. Poema um pouco triste, mas muito bonito! Uma espécie de grito a dizer "estou aqui triste e só, mas não te incomodes comigo!..."

    Casimiro, gostei do Blogue!
    Dina

    ResponderEliminar

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