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Mensagens

As Aventuras de Rodrigo, O Guerreiro Sonhador - Cap. III

A alegria parecia ter voltado há aldeia, as mulheres cantavam canções de alegria, os homens dançavam alegremente, e até as poucas crianças que haviam estado escondidas, voltaram com um sorriso de alegria estampado no rosto. Os próprios animais, Zazus, aramis e Lunas, e Gaspachos e Zippos e todos se juntavam em redor de Rodrigo, o salvador da aldeia, mas este não mostrava uma cara alegre. Rodrigo não descansaria até por fim à existência do malvado Dragão que ainda podia muito bem voltar e pôr fim a toda aquela alegria.

Onde a Ferida alastra.

Olhei hoje, por baixo da camisa, e aí vi, uma ferida na carne. Larga, vasta e profunda. Nesse sítio, uma linda flor crescia. Hoje, e agora, e durante todo o dia. Virei-me a mostrar a ferida ao espelho, e já não era eu, mas sim um velho. e a ferida só por si, dar-me-ia toda a força de que precisava, Hoje, e agora e durante todo o tempo, em que nem a vi. Estou certo da sua coragem e dor, enquanto crescia e fosse crescendo, e de novo da ferida, uma flor nascia, de algures, além do profundo devir. Agora e já, e durante todo o dia. Flores belas que crescem com calma, em canteiros de feridas que levamos para sempre, e que agora, já e para sempre, serão aquilo que chamamos de alma.

Para acabar de vez com o Bullying.

Por vezes não é necessário falar de certos assuntos, apenas e só quando estes estejam na ordem do dia. Esta notícia já tem alguns meses é certo, aliás, refere-se até a mais um daqueles excelentes exemplos da boa governação do antigo governo de José Sócrates, porém, e por medida de uma história que me foi relatada por uma amiga professora, lembrei-me de escrever aqui o que penso sobre tal medida tão "bem pensada". Trata-se da abolição do velho sistema de "chumbos" escolares por acumulação de faltas. Criando em sua substituição, um sistema de aplicação de " medidas de diferenciação pedagógica com o objectivo de promover aprendizagens que não tenham sido realizadas em virtude da falta de assiduidade " ( Expresso ) Ficando assim criadas soluções mais viáveis para aqueles alunos, que, não podendo assistir às aulas, por motivos de estarem a dar sangue, ou a ajudarem velhinhos necessitados, em asilos de terceira idade, não dispondo, coitados, de temp...

Farto!

Já não me fazes falta, E os versos que faço, já nem por ti os rimo, Nem sequer almejo ter-te por perto. Perdi o teu rosto na poeira do deserto, fechei a tua memória lá no cimo, De uma imensa montanha alta. Quis-te ter tanto e sempre junto a mim, Mas cortaste-me o nome e jogaste-o fora, Num só golpe de ódio mesquinho, Desejo-te que fiques para sempre nesse escaninho, Onde te escondeste no dia em que te foste embora, Pondo em descanso um amor que não tinha fim. Já não te tenho em conta de seres gente, Somei todos os dias e ficou um só grão, És partícula diminuta num espaço infinito, És menos que o pó que se agita com um grito, Já nem sequer te reconheço em meio à solidão, Pois essa ao menos, é coisa que se sente.

Corre! - Uma novela

Humberto Crica vivia só, em Vila do Conde, num pequeno quarto obscuro, quase minimalista de coisas materiais, e alisado pela sevícia inclemente que caracteriza a vida de um homem que já passou a portada dos cinquenta sem nunca ter casado ou se amancebado no juntar de trapos com alguém. O seu bastião de infinito retiro, encimava uma garagem de reparações automóveis e venda a retalho de peças, de modo que entrava e saía de casa todos os dias, com a pressa de evitar o cheiro embirrento do óleo de motor, e o sarro da graxa que avançava a olhos vistos, lançando acervo como um musgo de breu ao seu umbral de entrada.

A lista de espera da Paula

Foi com imenso prazer que vim a descobrir o meu singelo livrinho na lista de espera de leitura da Paula, a simpática gestora do blog viajar pela leitura , e saltei de imediato à oportunidade de lhe pedir essa mesma fotografia para vos mostrar aqui. Afinal, não é todos os dias que vemos o nosso "filho" em tão boas companhias. Obrigado Paula por cuidares tão bem dele. Um abraço.

esta Terra, este Mar

Ensinaste-me a viver, Nesse teu modo de ser, e tantas vezes me perdi, em tuas ruas de solidão, tantas, tantas que nem ouvi, o bater do coração. Sou filho nato desta beleza, de vento, canção e mar, onde esvoaça a gaivota, e grassa o viço do pinheiral. Onde também, e com certeza, castiga o vento a levantar no som certo da mesma nota, que nunca nos deixa igual. E de longe desenha o rio, seu caminho até ao sal. Da ladeira do Mosteiro, desce a saudade com brio, Remetida ao laranjal, que enamora o seu esteiro. Desta gente enviada, Às sete partidas do mundo. faz a sorte lembrar, terra calma e incontida onde nasceram poetas, boas naves de madeira, e uma alma amargurada. Ponto de azul tão fecundo, és toda mãe a amar, lembras sempre na partida, nunca esqueces na chegada, és memória por inteira. Quem dera a mim trazer-te ao peito, num relicário de espuma, guardar-te minha para sempre, E nunca, nunc...

Os Verões de Azurara.

Quando era novo parecia que o Verão fugia lá para fora, para trás da paisagem. Era todo um jogo que não precisava de rapidez. O vento sim, era igual, rápido, imediato e cheio de certezas, persistindo como ainda hoje o faz, vinha do frio norte, e ainda vem. Essa verdade é única e constante, e ainda me transporta para o passado sem querer, tudo o resto já se alterou, foi-se no fino levantar da areia, até à distância profunda do mar. A praia de Azurara era o nosso cabo do mundo. Alegoricamente, o nosso paraíso ideal. Porque os grandes paraísos vivem dentro de nós.  Tranquilos, mas sem perdermos um instante, aí rumávamos todos os dias. Os melhores amigos de sempre, antes da vida nos meter a todos por caminhos tão distintos. Convêm explicar que, apesar de amante incondicional de Vila do Conde, sou da outra banda do rio, nasci e cresci durante os meus melhores anos, no lado esquerdo do Ave, onde as bruxas faziam filhos tontos e os dias passavam devagar. Por essa razão, as ...

O dia em que o Outono ficou quieto.

O dia em que o Outono ficou quieto. Perdi-te lá ao longe no revolteio das folhas, ali sentada no banco de jardim, inquieta pelo chicote do vento, parecias mais fúria que mulher. Procurei-te mais tarde, na certeza de ter perdido uma parte de mim, quando de novo o manto castanho te cobriu, e o vento te levou da minúcia do meu ver. Louco, louco..   avancei temeroso, na esperança que o Outono ficasse quieto, e me mostrasse o sorriso que quis ter. Louco, louco..   senti a raiva do vento nervoso, e um fio solto do teu cabelo senti, enredando-me na saudade que vivi. Louco, louco.. Como se fosse eu este vento, levantado de um chão que ruiu, e te enterrou num manto espesso de nervuras, louco, como se um gesto sem intento, fosse mais que uma vida inteira. Quem dera esquecer eu estas agruras, e cair quieto como no dia em que te vi. Quem dera não mais ser louco desta maneira, E me esquecer para sempre que te esqueci. Cas...

A Democracia tornada lixo.

Não sou perfeito para definir isto que sinto, mas sinto uma imensa vontade de o fazer. Afinal, perfeita é a paixão que tomo como minha e que se adequa inteiramente à imagem que (ainda) tenho do meu país. O que é isto do rating ? Quem é esta gente, que descaradamente advoga os interesses de uma moeda contra a outra, fazendo crer (sem sucesso) no seu ar limpo de idoneidade e imparcialidade? E que no percurso, ousa jogar sem pudor, com os destinos de nações inteiras. Quem foi que lhes atribuiu tais direitos?

Lançamento do livro "Governo Sombra"

Devido ao período estival que decorre neste momento, e se prolonga até Setembro, e por medida da situação de férias em que muitos se encontram, o lançamento do "Governo Sombra", foi adiado para Outubro. Espero poder contar convosco nessa altura. Um abraço a todos.

I Concurso Literário "Ser Solidário"

Um conto que escrevi, "O Fim da Noite", foi galardoado com uma das duas menções honrosas atribuídas pelo júri do serviço de Humanização do Hospital de S. João, no âmbito do I Concurso Literário "Ser Solidário". Uma iniciativa subordinada ao tema em epígrafe, e cujo vencedor do primeiro prémio foi o poema "Ser Solidário" da autoria de Cristina Ferreira Magalhães. Cliquem no link da foto em cima, para poderem ler os textos vencedores.

Não Seremos mais Amantes.

Rene Magritte "Os Amantes" Não seremos mais amantes, Que esta união de suor, Este toque de carne fervente, Não é mais que um lume, Um morrão aceso e vicioso... Que me queima eternamente. Não seremos mais amantes, Que não mais suporto não ser amor, Aquilo que o teu corpo sente, E a paixão é uma emoção que se esfume, Nas curvas de um corpo amoroso, Que nunca será meu completamente! Casimiro Teixeira 2003

Viajar pela Leitura.

Atenção ao magnífico passatempo a decorrer no blogue Viajar pela Leitura Oportunidade para ganharem um livro do "Poemas por Tudo e por Nada"  Autografado! Participem...

Um Amor nascido à pressa.

Viajam ambos em sono profundo depois do tórrido momento do primeiro encontro, num comboio com destino a Paris. A Lua esmorecera e o dia acabava de nascer, a chuva ganhara de novo terreno ao nevoeiro e voltava a cair, Teresa rejuvenescia a cada momento no descanso da sua paz. O destino final aproximava-se, a estação da Gare D'Austerliz , e como assim era, ao alterar o ritmo sincopado da sua marcha, os guinchos metálicos dos travões a serem acionados sobre os trilhos, acabaram por o despertar primeiro, impulsionando Luís no retorno ao seu lugar, junto de Teresa. Queria desesperadamente lá estar quando ela despertasse. Vagueara até à brisa rápida da noite para fumar, e adormecera aí, no chão da plataforma. 

Marcador de Livros

O excelente blogue da Maria Manuela Magalhães; " Marcador de Livros " também me adicionou no seu extenso rol de autores divulgados. Maria, muito obrigado.

Conto Convosco!

O Planeta está bem? Autor:  Casimiro Teixeira Já se imaginou a acordar amanhã cedo, tomar o seu duchinho, um bom e saudável pequeno almoço, preparar-se para sair para o trabalho, entrar no carro, olhar em frente e... e descobrir que o planeta desapareceu, já não está lá?

Pedacinho Literário

Pedacinho Literário   Mais um excelente blogue de divulgação literária que me agraciou com uma pequena nota acerca do meu livro: "Poemas por Tudo e por Nada" nas suas páginas. Obrigado pela partilha.

O Caminho certo.

Imagem retirada de djibnet.com E se eu palmilhasse sem receio, um caminho que nem me apeteça, no final de um dia que custou a vir, mas lento, e num céu de chumbo, ele veio. E se por lá ficasse, sem que mereça, a vasta liberdade que me fez sentir?  E se misturasse ao som mudo dos meus pés, a pausa etérea da areia revolvida? O ruído feroz daquela trovoada, O restolho do mar lambendo-me de viés? E se fosse isto a minha vida? E não mais sempre alma magoada. E se pelas pupilas gastas pelo sal,  a imagem do mundo se entreabrisse? Majestosa se mostrava, e mesmo sem ser minha, pareceu-me não ter nunca tido outra igual. Como se o próprio Sol ao morrer olhasse, e visse, que a tristeza d’outrora já definha. Foi-se, sem emitir um som que fosse impuro. Nem tampouco um só lamento de saudade. E se por fim entrassem em alinho, Os quantos sentidos e emoções deste coração duro...