Avançar para o conteúdo principal

As Aventuras de Rodrigo, O Guerreiro Sonhador - Cap. III

A alegria parecia ter voltado há aldeia, as mulheres cantavam canções de alegria, os homens dançavam alegremente, e até as poucas crianças que haviam estado escondidas, voltaram com um sorriso de alegria estampado no rosto. Os próprios animais, Zazus, aramis e Lunas, e Gaspachos e Zippos e todos se juntavam em redor de Rodrigo, o salvador da aldeia, mas este não mostrava uma cara alegre. Rodrigo não descansaria até por fim à existência do malvado Dragão que ainda podia muito bem voltar e pôr fim a toda aquela alegria.




Não descansarei até pôr um fim na existência daquele malvado Dragão. - disse ele.


Mas ninguém o ouviu, as pessoas rapidamente esquecem os medos passados quando o presente lhes parece seguro.



Foi então que Rodrigo sacou novamente da sua espada mágica e disse: - Ouçam todos, não dancem, nem cantem ainda, pois o mal não descansa. O Dragão ainda existe, e em qualquer altura ele pode voltar. - Por fim, todos se calaram e lhe deram ouvidos. - Fabio, voltará. - Continuou o rapaz. - E quando ele voltar há-de me levar ao covil do Dragão, onde eu porei fim a este mal que há tanto tempo vos aflige. Aí sim, poderão festejar, cantar e dançar, porque então, estarão os vossos filhos vingados.


Os aldeões nem queriam acreditar no que estavam a ouvir, como é que que um rapazinho tão pequeno e vulnerável como aquele podia ser tão corajoso? Era mais do que eles poderiam esperar, mas deram-lhe ouvidos e pararam os festejos, sentando-se todos em volta de Rodrigo admirando a sua coragem.


A noite caiu, e sem notícias de Fabio. O menino herói, começava a ficar preocupado com o seu amigo há tempo desaparecido. Teria sido apanhado pelo malvado Dragão? - Pensou.


Mas não tardou muito até que as suas dúvidas se dissipassem, pois no céu da noite, ao longe, muito, muito ao longe ouviam-se vozes celestiais cantando, um canto tão belo e tão celestial que nunca poderiam vir de um cavalo.


Todos se levantaram e ergueram os olhos para céu, tentando descobrir de onde viria tão belo e celestial canto.


Mas nada, nada surgia no horizonte da noite, até que: Esperem. - Grita um dos aldeões – Olhem, ali!


E todos se viraram na direcção para onde ele apontava.


Serão estrelas cadentes? Bolas de fogo do Dragão? O que será aquilo?


O que todos estavam a ver, eram pequenas luzinhas tremelicantes no céu escuro, mas luzes que se moviam, e com elas o canto belo e celestial que as acompanhava.


O que será aquilo? - Pergunta Rodrigo.


Até que as pequenas luzinhas brilhantes, se foram aproximando,mais e mais e mais, até ficarem tão perto que todos as podiam ver e ouvir claramente.


Fadas! - Exclama o rapaz.


Olá Rodrigo – Diz uma das fadas. - Viemos buscar-te.


Os olhos do rapaz brilhavam de fascínio com aquelas criaturinhas tão belas e celestiais.


A mim? - Finalmente conseguiu dizer.


Sim,a ti. Conhecemos a tua demanda e viemos para te levar a quem te pode ajudar.


A um feiticeiro? Um feiticeiro bom?


Sim, o maior e mais poderoso de todos. Ele também não gostou do que Gorgon fez com a Princesa Lia, e sabe dos esforços que tens feito para a ajudar, portanto ele decidiu ajudar-te a salvá-la. O que achas?


Mas isso é maravilhoso, e quando o posso ver?


Agora mesmo se quiseres. Viemos te buscar para te levar a ele.


Agora? - Exclama o menino, desiludido. - Mas agora não posso, tenho de esperar pelo meu amigo Fabio, e prometi algo a estes aldeões.


O Dragão, Rodrigo? É disso que falas? - Questiona uma das fadas.


Sim, exactamente. Tenho de lutar com ele, eu prometi. Mas como é que sabem disso?


Ora Rodrigo, nós somos fadas, sabemos de tudo. Não tens de te preocupar com o Dragão ou com o teu amigo, vais ver que tudo se resolve.


Mas eu prometi. - Exclama Rodrigo, apontando para os tristes aldeões.


Sabes, és um rapazinho muito especial – diz a fada – e não vamos esquecer disso. Anda, vem connosco.


Está bem, eu vou, pela Princesa,eu vou. Mas prometo voltar – diz virado para os camponeses. - Hei-de vos livrar daquele Dragão mau.


As fadas rodearam-no, fazendo círculos à sua volta, até a luz que emitiam ficasse tão forte, tão forte que o menino também parecesse feito de luz, e depois, um milagre aconteceu, Rodrigo pode voar também.


E lá partiu céu fora, com as fadas, tendo começado estas novamente a cantarem uma canção tão bela e celestial que ele quase que se sentia feliz.



Voaram por sobre a aldeia, sobre florestas antigas e castelos abandonados, passaram pela grande cidade de Tombo, pelos caminhos dos peregrinos, pela escola de guerreiros de Bassini o Grande. Atravessaram o Oceano da Lua Nova, e chegaram quase até ao fim do mundo, mas aí viraram à esquerda e tomaram outro caminho.


Uma terra nova e fantástica, cheia de luzes brilhantes, fontes de água cristalina que brotavam do próprio chão, criaturas magnificas que passeavam livremente por todo o lado, mas sobretudo, crianças, muitas crianças, eram tantas,tantas, que parecia que todas as crianças do mundo se tinham juntado ali, naquela terra mágica, onde das montanhas escorriam rios de chocolate, e as planícies pareciam cobertas de bolacha baunilha, e todos os meninos e meninas que lá embaixo brincavam tinha um amigo e um brinquedo e um animalzinho amoroso que brincava com eles também. Era o Paraíso das Crianças.


As fadas então fizeram-lhe um sinal, apontando para um Castelo Multicolorido e Reluzente, começaram a dirigir-se para lá. Foi quando Rodrigo se apercebeu que todo o Castelo era feita de gomas, de todas as formas e tamanhos, de todas as cores e sabores, e em redor do Castelo nos jardins de menta e alfazema, também brincavam muitas crianças.


Até que entraram no castelo, por uma ponte alcochoada com bollycaos e entraram por um grande portão de açúcar granizado com rebites de pintarolas a adorna-lo.


Como é possível existir um lugar assim? - Pensou Rodrigo.


Mas existe meu querido, existe para aqueles meninos bem comportados, que ainda sonham com lugares como este. - Responde-lhe a Fada.


Mas eu não disse nada, eu só..


Eu sei, eu sei. Mas não te podes esquecer que este lugar é mágico, e o que tu pensas, todos ouvem.


Dentro do Castelo, tudo ainda era mais maravilhoso, crianças corriam alegremente por todo o lado, fontes de sumo de mil frutas diferentes jorravam aqui e ali, onde pudessem saciar a sede de alguma criança cansada pelas correrias. Todos que passavam, cumprimentavam-no


Olá Rodrigo, estás bom? Olá, como estás? Ou Olá, queres vir brincar?


E Rodrigo esteve tentado a fazê-lo várias vezes, mas as Fadas encaminhavam-no firmemente para um sítio ainda mais especial. A Sala mágica do Feiticeiro.

Mensagens populares deste blogue

Jorge Machado

Ninguém nunca sabe ao que vem, viver é um ensaio. Dão-nos o que fazer e coisas para que acreditemos e depois ficamos à solta. Dão-nos o nós e a vida de barro, mas há quem faça o que bem entende gostar de fazer. E até há quem o faça muito bem. Ninguém nos explica direito, em pequenos, que as coisas mudam e partem e ausentam-se, e que antes de aqui chegarmos, já o seríamos, mas que tudo se cria e que tudo se nos pode escapar. Carecemos de um olho arguto e atento para captar o que mais conta, até à eternidade. Eu, por boa sorte, tenho um amigo, que por sorte também é o meu melhor amigo, que entende muito bem que há tempos de equívocos, de medo e de combate. Que o mundo, de tão duro e belo até ao fim é mais colectivo se for partilhado em imagens, que nos deixem estarrecidos. O Jó sabe disso de querermos ser felizes, nisso somos mais que irmãos.  E desde catraios entendi nele, o seu lugar exacto. O seu carácter metódico, rigoroso é a pedra de toque da sua vida e da sua paixão, a fotografia. …

Dia sim, dia não, uma beleza antiga.

Peido, logo existo!

Hoje, o Homem exalta-se a si mesmo constantemente.

Confesso que nunca me pensei como um moralista de bastidor, daqueles provedores de sofá que despejam dislates em frente ao televisor, e depois, insatisfeitos, rumam às redes sociais a mostrar ao mundo como a cabeça lhes chegou aos dedos. Ontem apercebi-me que sou. É uma idiossincrasia quetalvez me tenha chegado com a idade. Certas noções de certo e errado começam finalmente a assentar cá dentro.  Todos sabemos sobre o terrível incêndio, sobre as vítimas, a indefinição de culpabilidade, os deslizes da, por vezes, muito pobre comunicação social que os acompanhou. Todos já sabemos tudo sobre isto, demasiado quiçá. Por altura destes tempos imediatos, nem o mero escapar de um gás de algum mosquito se livra do escrutínio continuado e multi-interpretado. É assim que são as coisas agora. Muito úteis a espaços, em momentos e situações que de outro modo passariam despercebidas da maioria, como revoluções, catástrofes, violações dos direitos hu…