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Mensagens

Elegia para um caixão vazio

( Título roubado ao Baptista-Bastos ) Quando eu morrer, quantas pessoas assistirão ao meu funeral? Dez ou quinze, a família e os amigos ou uma pequena multidão carpideira? - Ainda não conheci ninguém que intimamente não fizesse este auto-julgamento pré-morte. - Talvez seja de alguma estranheza, relacionar-me com pessoas assaz mórbidas e egocêntricas para pensarem nisto, ou quiçá seja eu que projecto estas ideias e depois digo que foram outras pessoas que as comentaram. Quantas pessoas me amaram, e quantas dirão que fui boa pessoa? Quantas me elogiarão o trabalho e quais serão aquelas que inevitavelmente irão dizer, em sussurros, que: " ele nada fez para conseguir aquilo que queria. Quedou-se e esperou as oportunidades. Não sabia que as oportunidades nunca nos batem à porta? Era uma morte anunciada. " Não, não sabia. É que bater em portas, lembra-me os Natais da minha infância e não posso deixar de me emocionar apenas. O meu pai costumava fazer-se passar pelo pa...

Textos Devolvidos VI

O Orgulho é uma Nuvem Um dia acordarei longe do teu abraço.  Porque existir é outra coisa diferente disto que me exiges: é a surpresa da vida,  o encontro da emergência de aqui estar, o princípio bondoso do amor próprio  e também o seu maravilhoso fim.  Um dia não precisarei mais de pedir a tua mão acumulada sobre o meu destino.  Um dia serei o meu mundo próprio.  Serei assim, 
 E poderei ser livre finalmente, como as orgulhosas nuvens de outrora.  Vagueando pelo céu eterno, sem pedir permissão a ninguém. 
 Um dia serei alguém sem arrogâncias, alguém liberto de todos os cinismos,  de todos os azuis anti-naturais, tingidos. 
 Um dia serei melhor, alguém melhor! 
 Um dia acordarei longe e certo, e nesse dia serei somente a minha própria luz.  
 Que o fogo dos outros em nada me ilumina, 
  em nada me seduz. 
 Porque os dias só feitos de mãos atiradas ao vazio são a morte mais lenta de todas.  
 A m...

Música para chorar em grupo

É a parte irada de si mesmas que as pessoas querem esconder, quando se prestam a tirar uma fotografia, e se obrigam a sorrir? E em todas as fotos que tiram estarão mesmo a sorrir como se estivessem incrivelmente felizes naquele preciso momento, ou nem por isso? Se fôssemos realmente sinceros estaríamos apenas ali, a sermos e a sentirmos aquilo que somos e como estamos. Se queremos chorar, deveríamos chorar, mesmo que todos nos digam: não chores, por favor não chores! - Choremos pois, e em grupo. Passámos todos por tristezas e frustrações, perdas e depressões e isso pede a purga do choro. Só que nada disto é aceitável. Nesta sociedade temos sempre de ser positivos, alegres e foliões. Não! Choremos todos em conjunto pelo que nos faz justamente chorar e depois talvez chegue uma palavra simples ou um abraço para nos passar o choro e quiçá começarmos o processo de resolução dos nossos problemas pessoais. Mas não riam fingidores. Não se façam de hipócritas felizes. De acomodados com o ...

Listas de qualquer coisa sem importância nenhuma...

Adoro quando me adoro só porque me apetece ser especial sozinho, adorável sozinho.  Tirando cinco, (5 filmes em 50) vi todos os desta lista. Acredito que mais pessoas os deveriam ver também. Seria um favor que fariam a si mesmas. Desafio classicos que as pessoas mentem que viram voce viu no maximo 7 desta lista de 50 filmes?

Confunde a Ciência

Saudades de ver boas Séries... III

"No Século 19, quem sofria de doenças mentais era considerado alienado da sua verdadeira natureza. Os especialistas que os estudavam eram conhecidos como alienistas." Nova Iorque, 1896. Uma série de horripilantes assassinatos contra crianças, assombram as ruas, tomando conta da cidade. O Recentemente nomeado comissário da polícia, Theodore Roosevelt, o psicólogo criminal Dr. Laszlo Kreizler, o seu amigo John Moore, ilustrador do New York Times e Sara Howard, a tenaz secretária do comissário, determinada a ser a primeira detective feminina da cidade, lançam-se a tentar descobrir e capturar um dos primeiros ' serial killers ' nova-iorquinos. Repleta de uma atmosfera tornada deliberadamente opaca e quase intolerante à luz, de diferentes personagens, principais ou não, caracterizados todos muito ambiguamente, esta série agarra-nos logo desde o primeiro episódio pela sensação constante de perigo iminente, de insegurança. Põe-nos em bicos de pés e isso é das...

As Crónicas do senhor Barbosa XV

Tenho direito às minhas ideias embora não tenha direito à minha vida. - Sim meu amor - confabula o Senhor Barbosa de olhos postos na chuva - aquele que só se interessa pelas coisas que os outros desprezam, não tem grandes direitos. Os memoráveis momentos da minha vida foram todos poesia, cheios de vibração e delírio. Gigantes, todos eles. Mas sabes também, nenhum desses momentos foram meus. Eu não existo Madalena. São onze horas da manhã e nem me deitei, nem dormi. Ando fatigadíssimo e dói-me algo importante cá dentro. Apalpo-me todos os dias e faço exames minuciosos ao espelho. As minhas mãos não param. Logo eu que detesto espelhos. Creio que todas as funções do meu corpo continuam a trabalhar compensadas, não noto manchas ou inchaços. Havia um caroço duro na parte de baixo da bochecha esquerda, mas vim a saber que era apenas um pequeno depósito de gordura. Talvez me masturbe mais do que deveria. Porque ainda não fizemos o Amor? Li em um livro que o Amor nos liberta do egoísmo. M...

Mais brutalidades a caminho

O Tumblr , que para quem não sabe ainda, também é uma espécie de rede social, em rigor mais estrito; é uma plataforma ' blogger ', dedicada quase, mas não exclusivamente, a albergar entradas de imagens (fotos, gif's, meme's, pequenos vídeos etc..), de uma forma ou de outra veio a acolher predominantemente, com o passar do tempo, uma imensidão de conteúdos variáveis desde o puro nu artístico (erótico?) à esclarecida pornografia multiversada na panóplia quase interminável de temas, fetiches e propensões que se consiga imaginar.  Gosto do bom erotismo, é como a satisfação que uma lauta refeição me traz à cabeça, acama-se fugaz na alma e delícia-nos tudo por ali abaixo, aos arrepios, faz bem, porque admite algum cuidado artístico, íntimo e pessoal, um cunho. É arte! Não é verborreia pseudo-intelectual nenhuma, quando em uma acepção mais abrangente de trabalhada manifestação artística de um autor, consegue ser exactamente isso: arte. (Ver imagens mais em baixo) ...

O Manuel faz Anos

O meu pai faz anos hoje. Hoje é o Octogésimo sexto aniversário do meu pai. Nada disto é tão trivial quanto vos possa parecer. As pessoas morrem por tudo e por nada hoje em dia, morrem sobretudo de desgosto, o que muitas vezes se encobre por doenças misteriosas e males indefinidos, outras, muitas mais vezes, permitimo-las chamar apenas de cancro e se revestem todas de vidas generalizadas onde um mal terrível que parece quase impossível de levar a justo combate nos termina sem própria justificação.  A minha mãe morreu em 2005 com um cancro no pâncreas, é um facto comensurável pela imensidão da sua falta medonha, a sua ausência na mesa do bolo de aniversário, do seu sorriso da alegria familiar inteira, na vastidão tremenda da exactidão malograda da sua perda ridícula. A minha mãe era um suporte basilar, o meu pai um homem da manutenção. Não disse apenas. Porque era assim. E é assim que muitas famílias felizes se constroem. Uma união de mais valias. Mas, o meu pai teve também um o...

Música que só me lembra a mim.

Textos Devolvidos V

(...) Aqui em casa há um pátio, cobre-o um verde murcho por todos os lados; heras, madressilvas, pés de feijão-verde e tantos, tantos arbustos, todos secos e mirrados por falta de luz e de água. Pelo meio estão as canas beges e escamadas que o meu pai trouxe de um campo.  Não se alimentam em condições os pobrezinhos, nenhum deles. Ao centro, sobrevivem dois limoeiros, tristemente secos também, despidos de qualquer amarelo. O meu pai pôs dois chapéus gigantes em cima dos limoeiros para eu poder visitar o pátio de vez em quando e observar o vai-e-vem atarantado das formigas. A minha mãe não gostou nada disto. Diz que as árvores não são gente para terem chapéus, que as formigas não são nada tontas e que os meninos como eu, deveriam era ficar dentro dos ninhos, resguardados.  Depois dos limoeiros, e depois do muro, fica a doca do Libânio, que, por ser feita de pedras cinzentas tem sempre luz em abundância.  Tenho tanta pena das pedras. É mesmo uma chatice isto da lu...

Pompa e circunstância.

Gosto de livros que contenham narradores. Gosto em especial daqueles que invadem os livros a falarem sobre o alfabeto das suas paixões. Afianço: o narrador (Homem) é o centro das coisas. Nas narrativas que lhe estão subordinadas, é ele quem conhece a razão de tudo, mas, o Homem (narrador) nunca se deixa conhecer na totalidade, e, de modo algum, conhece tudo o que há para se conhecer. Tudo isto me veio à memória enquanto ouvia Miles Davis. Residente génio da minha pobre aparelhagem micro, que andou sempre escondido às autoridades, aturdido pelas drogas em excesso e pelas paranóias razoáveis e mesmo assim nunca deixou de ser um génio. Quase um anarquista, que consistentemente escapou à vingança da polícia afascizada. Alimenta-me ainda. Na verdade, tudo isto me veio à memória enquanto ouvia o Miles e me decidi a continuar a escrita do meu último romance impossível de ser publicado por vias normais. (Poderia dizer aqui que é tudo um complot , mas não é, é somente um facto triste d...

Dia sim, dia não uma beleza antiga

Yul Brynner

Se eu tocasse no Mundo...

O tornar do passado é sempre um resto, sem história sem letras escritas só ramos nus expostos à luz de dias cinzentos, sem ventos de dança. Contei todas as tuas pestanas coladas à minha memória e deito-me só a chorar sem qualquer pujança. Observo a geografia do corpo do nosso futuro e só vejo vidros partidos ao cair da noite de todos os tormentos. Chorei a noite passada e nem sei porquê. As lágrimas que ontem chorei tornaram-se hoje na chuva da minha história acabada. Quando chegará a palavra da abundância meu amor? Quando ficará por fim ajustada esta ténue lei? Nem sei se escreva mais uns poemas que ninguém lê ou caminhe longe de cabeça alta cheia de dor e com os pés abaixo do sítio onde fiquei a chorar ao mundo por clemência. O fim é tão estranho. Para sempre um nome preso à inconstância do amor. Contei todos os teus olhares bordados em carne e planícies de flores. Depois...por fim chega o abismo sem tamanho e d...

A Criança que se Acabou

Tantos anos depois ainda choro demasiado sempre que ouço esta música. "I've watched the children come and go A late, long march into spring I sit and watch those children Jump in the tall grass Leap the sprinkler Walk in the ground Bicycle clothespin spokes The sound, the smell of swingset hands I will try to sing a happy song I'll try and make a happy game to play "Come play with me" I whispered to my newfound friend Tell me what it's like to go outside I've never been Tell me what it's like to just go outside I've never been And I never will I'm not supposed to be like this I'm not supposed to be like this, but it's okay Hey, hey, hey, those kids are looking at me I told my friend myself, those kids are looking at me They're laughing and they're running over here They're laughing and they're running over here What do I do, what should I do? What do I say? What can I say? I said I'm not supposed ...

A rubrica da Madalena Patusca II

- Isto o quê? - Ficou sem resposta. - Isto é isto e que mais haveria de ser? - Disse-me à saída. - E aquilo não era coisa alguma. Nem dito nem feito. Pareceu-me uma interjeição cheia de palavras. Em outra ocasião fomos jantar fora: " Ao Veneno da Madrugada ", um restaurante cheio de más pretensões mas boas recomendações aqui e ali. Todos os pratos diziam-se com nomes esquisitos, muito embora a comida me parecesse exactamente igual à de outros lados. E todos os empregados arrastavam consigo uma frescura suja deliberada, nas roupas e nos cabelos e barbas. Nos olhos e até no discurso. Como se quisessem parecer ainda mais estranhos que os nomes da comida. Foi ele quem o escolheu. Talvez pensasse que deveria aparentar outra idade e disposição, diferentes daquelas pelas quais me apaixonei. Para me impressionar, de algum modo. Encontrámo-nos ao pé da entrada e tentei abraça-lo, mas já vinha a mexer na memória e só dizia: "Merda, merda...merda", entrámos directos a...

Música para escrever livre.

Até a Confiança nos Roubam

É a época de Natal, e neste período, espalha-se uma espécie de vírus que infecta todos com a vontade da dádiva e do proverbial amor ao próximo. Há uma certeza de que as pessoas gostam de dar.  Melhor começar isto de novo...As pessoas de bem, gostam de dar, mas a solidariedade institucionalizada, como a conhecemos hoje, deverá mais ser um valor a subtrair do que a somar às nossas boas intenções. Sabe-se que as mais divertidas histórias sobre altruístas, sobre generosos ou sobre corações moles, são as contadas pelos próprios. A correcção critica sobre esta gente toda anda a exterminar toda uma imaginação potente acerca de um país que é realmente mais bondoso do que parece. Só que, a saúde desta generosidade está de facto nas pessoas comuns, autênticos cavalos de tiro, que só param de dar, um pouco antes de chegarem ao esgotamento. Estes, e jamais os intermediários lambões que duvido quase que passem por ser humanos sequer. Alguns não são mais que cartilagens que se encontram ju...

Pensamentos Avulsos XVII