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Mensagens

E Deus, Pina?

C atolicos recasados sao aconselhados a abster-se de ter relacoes sexuais Fui baptizado, e depois sacramentado com a primeira comunhão e ainda mais consagrado com a solene. Passei por tudo isto e só escapei por pouco de ser crismado, porque tinha um teste importante nessa semana. Mais tarde, casei-me pela igreja também e, em todas estas ocasiões usei sapatos que me foderam todo desde as plantas dos pés até à cabeça. Desde aí, desenvolvi pouca tolerância para esta forma de ser igreja.  Tanta hipocrisia não é caminho algum para um paraíso decente. Em vez de se estropiarem uns aos outros rebatendo todos estes séculos de instituição arreigada em discussões inúteis, vejam antes como o Fellini as deita por terra em uma cena brilhante do seu filme de 1972 "Roma". É hilariante, tanto, que muitas cenas desta sua película foram realmente censuradas pelo Vaticano, o que só indica a 'mouche' do alvo para onde apontou. Contra dogmas enraizados, só o humor nos sa...

Estender a Pele pela Boca

A Não Perder!

Sou da Parte que é a Favor de ser do Contra.

I gnoro saber se serei capaz de me colocar a jeito para a represália de alimárias mais primitivas. Aquelas de peito já cheio por regra e cabeça rapada por dentro, entouçados ao contrário para garantir que só o mineral mais sujo aí prospera. Mas não os rejeito. Abraço-os até, isto, se vierem aqui. (alguns aparecem, e logo esbracejam imenso pelos dedos ansiosos de babuínos, atirando fezes ao desbarato por todo o lado. Todavia, tão depressa quanto largam a sua carga de fel, desaparecem - atentem, não sou eu quem os apaga, são eles próprios que se esvaem em um nada, após a descarga dos vitupérios pestilentos.)  De facto, desconheço se terei eu mesmo algum peito erigido em bravura, pronto a receber essas pancadas brutas. Mas, admito humanidade e por isso reconheço as minhas fraquezas, esta é só uma da longa lista que me faz homenzinho todos os dias. Duvido muito da minha ousadia sim, mas escrevo-a, porém, na habitual purga que a alma necessita, naquela rotina contínua da auto-...

Dia sim, dia não uma beleza antiga

Cleo Moore

Mr. Hyde

Vim a saber que sou um pulha! Descobri-o entre e entretanto o dia do meu aniversário, o pior de sempre em quarenta seis contados com atenção. Bolas! Sempre me vi como um bom cabrão egoísta. Foi uma grande decepção descobri-lo assim. Pensei que os cabrões egoístas também mereceriam qualquer coisa de vida. Alguns instantes de bonança. Um valente cabrão não é nenhuma bomba suja, algum nazi em evolução, daqueles terroristas que só são bons para se descarregar explosões pálidas de raiva em cima. Brutalidades verdes de verdadeira cólera, cegas, protegidas pela virtualidade. Afinal são e sou. Mas enfim, atirem, atirem à vontade. Quer dizer, cabrão que seja, não me lapidem é no escuro, façam-no às claras, peço-vos. Se for para levar porrada prefiro que se vejam as medalhas roxas. Saber que sou um pulha também é um bónus talvez. Algum prémio demoníaco inusitado. Sou cabrão só às escondidas, como uma identidade secreta, na vida real sou um pó inócuo. - Em boa verdade prefiro ser um pulha! ...

A caminho de um qualquer futuro

Isto precisa de ser dito, e já!  É uma coisa que já sangra há muito e continua em ferida aberta, pois ninguém quer dizer realmente que ali está, sangrando profusa e exposta a infecções letais, vulnerável e tão frágil quanto uma criatura recém desabrochada entre algum gume impiedoso. - O enorme problema de muita gente, dita esclarecida e intelectual, é o de comparecerem apenas nos espaços de outros que tomam como seus superiores, dos quais almejam algo, ou para os quais os afectos menos puros os aproximam.  Procuram relações proveitosas, sugam tudo, sem remorsos e sem planos definidos para os seus futuros. Só querem  'ser', ou  esperam ocupar, em algum futuro provável, aquele mesmo espaço invariável de quem são meros súcubos. - Novamente aqui presente o imperativo tribal em acção nociva. Seus grandes tolos! I de ver apresentações e conferências dos "rascas", dos "ostracizados", dos "colocados no mesmo saco" porque não têm outro lugar onde...

Saudades de ver bons Filmes (XIII)

... em que compreendo tão bem os personagens. Terry : "You don't understand. I coulda had class. I coulda been a contender. I coulda been somebody, instead of a bum, which is what I am"

É tanto isto tudo

19. Cá em casa tudo bem: o sofá quieto a olhar a televisão desligada; os livros cansados de existir na estante; o candeeiro apagado pela teimosia do dia; os pratos escorrem o sangue da fome imaginada; os lençóis esticados pela morte aguardam-me; eu à frente do computador tento escapar-lhe, inventando outro de mim; a música parou; ouvem-se pássaros e outras vidas próximas; parece verão mas é apenas ficção; é tanto isto tudo e eu sou tão pouco; vou comer o último pedaço de chocolate; sei que não te importas depois de fumar e antes de fodermos. F.S.Hill "Gesso" DSO Novembro 2017

Dia dos Amigos?

Acabo de descobrir mais esta pérola. Como escapei do campo de concentração das redes sociais, demoro mais tempo que o comum dos mortais a fazer tristes figuras. Grosso modo, isto é a instituição celebratória de mais um dia, entre os trezentos e sessenta e cinco (os bissextos são anti-natura) que fazem os anos avançar inexoravelmente. O de hoje caiu na consignação da amizade. E há festa, penso. Gritos ululantes, amizade desbravada nestas vinte e quatro horas, sem restrições ou de outro modo, introspecções demoradas sobre o que quer que seja, que não se refira ou celebre a amizade. Hoje é o dia dos amigos, disse alguém, e, ai de quem não o seja ou o mostre neste dia. Mas, esperem... ninguém me ligou hoje. Nem vivalma me marcou nas coisas comuns destes dias inefáveis, um toque, uma foto, um post, algum link ou tag. Não terei amigos? Dizem-me que sou inacessível porque vivo na minha privacidade e não partilho ao segundo a ingestão de cada alimento ou a prova de cada acção. Dizem-me qu...

Ver prémios como Unicórnios

Rais' partam os prémios literários que só contemplam ou autores (de editoras que possuem os recursos para lhes enviarem os exemplares requeridos) e que publicaram no ano anterior ou jovens, crianças até, em alguns casos, pululantes ranhosos cheios de acne e arrogância sem fim, impregnados de uma qualquer bravata literária, que continuo sem entender, de quererem ser escritores pela mera noção de que os escritores são especiais. É aquele ensejo grotesco e ilusório de se verem publicados, seja como for ou por quem for. (já me deixei desse pesadelo)  Resta uma panóplia de 'licitações' inglórias, tiros no escuro em clara evidência, a concursos viciados de inúmeras autarquias. Mandam-se uns 'mails' com o manuscrito anexo e esfrega-se a pata do coelho, ou lambe-se o trevo, aguardando alguma sorte vinda do espaço dos deuses decisores. - Que grande enxovalho! Na verdade, o 'autor' gasta o seu parco dinheiro a imprimir três ou cinco exemplares do seu manuscrito...

# Hachetague # Matem-me agora, antes de voltar a escrever seja o que for.

Uma zona de conforto é um lugar maravilhoso, mas nada jamais cresce aí. Mesmo assim, não é fácil abandonar tal recanto para se entrar em um mundo selvagem, povoado de opressores em cada canto. É necessário uma certa efervescência de vontade, levantar os pés do chão, e antes de passarmos as nuvens, deixarmos os sonhos para trás, restabelecermos relações com a realidade e encararmos tudo com a mais profunda calma, como se fizéssemos um pacto de silêncio com a auto-determinação. Se eu fosse um lugar seria assim, ou um lugar como acreditei que um lugar assim deveria de ser, teria sido deslumbrante e triste como uma faca a cortar livros de areia, e, em grande parte, ao acomodar-me nesse conforto ilusório, em efeito retalhando possibilidades ou trafulhices sentimentais por anos a fio de truques e tiques escritos sem grande impacto, fui-o, mesmo que só eu acreditasse que estaria confortável e foi por isso que falhei tão alto. Sempre me maravilhou a literatura do realismo mágico, aliás,...

Fetiches?

As Crónicas do Senhor Barbosa VIII

- Depois me dirás se mais alguém te lavou assim os pés. - Ela arregalava o branco dos olhos, como quando se duvida de tudo por regra, ou se questionam os prodígios entre a sua raridade regular. - Poderás dizer-me que não, mas, acredito que nem os pés do próprio Cristo alguma vez terão sido assim lavados com tanta abnegação e amor. - Purgou o Senhor Barbosa, inteiro pela boca. - Sem asas ou vôos imaginários de fénix destruída, - disse-lhe mais - só amor puro e luminoso, pois que esta extensão das minhas mãos, líquidas em teus pés, é quase um uivo terrível de alguma outra desgraça iminente. Pode ser. Será? Ou isso, ou é a perfeição incansável. A mulher recuperou os sentidos num abrir e fechar de palavras estranhas. Limpou-se com uma toalha pequena e voltou ao telefone. Agora oiçam a mulher falar sobre um pequeno romance que nem lhe passaria pela cabeça existir até ter colocado os pés naquela bacia: - Desculpas-me? Foi isto. Apenas alguns segundos antes do final, para impor algu...

Porque hoje é seu aniversário

 - Adeus - Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,  e o que nos ficou não chega  para afastar o frio de quatro paredes.  Gastámos tudo menos o silêncio.  Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,  gastámos as mãos à força de as apertarmos,  gastámos o relógio e as pedras das esquinas  em esperas inúteis.  Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.  Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;  era como se todas as coisas fossem minhas:  quanto mais te dava mais tinha para te dar.  Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.  E eu acreditava.  Acreditava,  porque ao teu lado  todas as coisas eram possíveis.  Mas isso era no tempo dos segredos,  era no tempo em que o teu corpo era um aquário,  era no tempo em que os meus olhos  eram realmente peixes verdes.  Hoje são apenas os meus olhos.  É pouco, mas é verdade,  uns olhos como todos os o...

A derradeira desilusão

A maior tristeza que imagino agora é crer que alguém me acredita como quem o denuncia por ser quem é. Faz-me triste, porque acreditar que alguém de quem gosto imagina isso, quando eu próprio me debato contra a apatia de quem nada contra mim faz, põe-me no extremo exposto da inexistência absoluta, e é claro, para quem me conhece bem pelo menos, só isso é que me entristeceria realmente, pois sou egocêntrico por todo e só choro por mim mesmo. Agora sejam normais e excomunguem-me das vossas vidas. É natural que o façam, pois não presto para ser parte normal destas. Só se me aproveitam os pedaços inesperados, os momentos inusitados ou os trechos invulgares da minha escrita. O resto são dejectos e fazeis tão bem em deitá-los fora. Tão bem. Deitem-me fora como o lixo.

Sobre a profunda idiocracia de se 'fazerem' escritores

Curso prático 'Publicar o meu livro' | 17 e 24 de fevereiro Livraria Bertrand Shopping Cidade do Porto Formadora:  Rita Canas Mendes . Não acredito em currículos ou diplomas ignóbeis, impressos em massa numa " Staples " mais próxima. Acredito apenas no 'bom dinheiro' que muitos irão dispensar a este curso, cegamente imersos naquela esperança inflexível de que isto os fará 'escritores' e daqueles eternos.  De que isto lhes abrirá portas, lhes criará oportunidades. É tão obsceno este 'isto' que me faltam os adjectivos mais superlativos para o qualificar. E foco-me neste projecto da Bertrand apenas porque me apareceu debaixo dos olhos. Não estou a singularizar a Bertrand. Muitos outros, consideravelmente mais 'insignificantes' que a Bertrand têm-no feito. É quase tão desprezível condenar alguns, como a Chiado Editora, por estabelecerem um modelo de negócio tão letal para as aspirações de um jovem escritor como equipará-lo a...

As Crespas Manhãs de algum Janeiro

Qualquer jardim nunca nos parece selvagem só um ajuntamento de belas formas, muitas vivas, quase. Muito nossas sobretudo, mãe. Mas andamos perdidos em um mar cintilante de solidão, mãe. Andamos crianças ainda a gatinhar cambaleantes na nossa sofreguidão de pessoas futuras. Não sabemos nada sobre jardins ou porque quis tanto Alexandre chegar à Índia sobre um rastro de sangue. Oh, o Sol está vermelho, mãe e o bosque tão negro, morto na invisibilidade do verdadeiro escuro. Devem-nos a construção das formas falsas do verde e da luz, a sua aparência humana, quase, mãe. Devem-nos a sua ingratidão planetária o seu fim conquistado em tantas batalhas inúteis. Porque quis César ser Imperador, ou Hitler personificar a morte? O que querem os homens frustrados deste jardim inventado, mãe? Graças aos nossos esforços e convenções às nossas conveniências rigorosas, a constante busca humana pelo que é elusivo indefinível, derrota-se a si mesma. E a harmonia a que chamamos bele...

Uma Cidade que vai contar Histórias

Aberto ao público em geral  - A não perder no próximo Domingo -  Casa da Cultura de Santa Comba Dão. Os meus sentidos agradecimentos ao mentor deste projecto, Amaro Figueiredo, pelo convite que me lançou para participar neste projecto. Tomara que houvessem mais como tu neste país, Amaro. Obrigado.

...É preciso não esquecer que ainda se escrevem Romances

(...) "A noite está tomada por estranhas sombras, compridas e escuras.   Chegou a ser cruel a minha observação, no rigor com que deixou a nu as minhas deficiências mais visíveis. Levantei-me do chão quente e fui para casa, para comprar tempo, antes que alguém me visse ali e me deitasse desaforos por mim abaixo. Fiquei a olhar o quadro anterior que ainda tinha fresco na memória, até me ocorrer um pensamento obsceno, o mais belo de todos: E se tivesse sido León Xótsia o assassino da gata? Se tivesse sido ele também o precursor daquele incêndio? E se fosse efectivamente, aquele meu único amigo, a mais deliciosa e perversa criatura deste prédio? – Passou-me um arrepio eléctrico pelo corpo todo. – Como seria bom se isto fosse mesmo verdade, i maginar-nos realmente deuses, ou um deus a fazer por mim, para variar, em vez de contra mim, como se a maravilha da última decisão fosse só a consequência da sua vontade. Imagino que tudo seria perfeito, mesmo que, tão precipitadamente, ent...