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Mensagens

Diário de um Pária filho-da-puta que deixou de fumar há dois dias e agora parece um camelo cheio de sede e a. (Isto é a sério meus amigos...)

Tenho saúde para dar e vender, ( isto sem visitar algum médico há mais de três anos. Para quê? Esses tipos querem-nos doentes com alguma coisa, seja o que for. De outro modo não conseguem comprar vivendas ultra-estilizadas nas ilhas, quaisquer ilhas. E quem compra casa cheia de estilo numa ilha, sem o benefício de ser um ilhéu de nascença, ou algum saudosista inveterado, é filho-da-puta por definição, ou alguma espécie moderna de hipster então, o que acaba por ser quase a mesma coisa . ) - Nenhum hipster de agora chegará aos pés da genialidade de um  William S. Burroughs em Tanger, nos anos 50 d0 Século passado, uma ilha ocidental em meio de algum islamismo  moderado. Ah, esperem. Existem também aqueles que foram casar fora, às ilhas. Esses são inócuos ao meu ponto de vista. - É que tenho um amigo desses! Menos de 40 anos, algum dinheiro no banco e Audi's topo de gama, que só eles e as forças de autoridade à paisana conseguem obter. São estas as pessoas que me incitam...

Memória Curta.

A memória é quase sempre o sangue a correr-nos em nome próprio. Se algum dia se escreverem biografias de nós todos, dir-nos-ão: "És aquilo que foste." - És memória portanto. - Daí que se escrevam tantos Romances de nós, escassas biografias. O Romance escreve-se assim: "És tudo aquilo que queiras, desde que o imagines com ou sem memória." - Sem memória até sabe melhor. - Porém, dizem da memória que é guardiã ambivalente. Criatura bicéfala que vê o passado de um lado, o futuro, do outro. São só esquemas dentro de engrenagens dentro de tramas dentro de nada. Escrever Romances faz doer tanto a memória, naquele ponto martirizante de se andar a assinalar etapas como se estas fossem parte de algum roteiro fascinante. E se a memória for um bairro-da-lata, povoada de cães famélicos, ruínas e pessoas de virtude duvidosa? - É natural que assim não se escrevam tantas biografias. Os leitores iriam encontrar páginas intermitentes, lacunas, onde a verdade mal poderia ser re...

Beber mata os Anjos novamente.

Foto: Casimiro Teixeira Onde estão todos os anjos guardadores, que me prometeram em menino? Desbaratados... Fugidos em terror, dos meus mais íntimos cercados, andam tristemente a monte e sem sorte. Não restou um sequer que fosse digno desse destino. Encontrei-os a todos, ontem, reunidos, numa noite de descobertas, enquanto sonhava com o Marlon Brando de um tempo anterior à sua morte, e afligia aos gritos, o resto dos incréus moradores. Desbaratados, num espaço sem fim, sem ar respirável. Quiçá só um fumo sem origem ou comando ou um miasma reluzente, aqui debaixo, dos lençóis e das cobertas. E o tempo a estender-se como uma mão que cobre. Há que vencer este tempo tão pouco admirável! Desbaratado, anseio pela grande partida, por viajar, por ser crente. Fazer um safari pelas nuvens já desprovidas e saneadas de anjos, selvas e pagodas. Desertar todos os ninhos e a felicidade que sobre. Encontrei-os nus sabem? Tremendo, como virgens recém violadas. ...

Um dia para pensar em ser melhor do que Sou.

Como em muitos outros dias forçosamente celebratórios, o da mulher, deixa-me naturalmente apreensivo; senão vejam, o sofrimento, deveria aqui pesar alguma coisa fora de qualquer tabela periódica geracional, deveria ter o seu específico peso, como um mineral o tem, ainda que posto inexistente na tabela de dias excelsos por serem apenas dedicados, em vez de serem transladados ao ano inteiro, como a felicidade havia. Sofro da má condição de não ser mulher! - Não é nenhum trauma que me conduza à cirurgia extrema, é somente uma constatação sediada na minha adulação por estas. Em cada dia dos meus anos só me apetece abrir uma prenda, e é sempre a mesma, a dela. Isto não tem graça nenhuma e eu recomendaria que lesses outra coisa qualquer. Tomem um banho quente e leiam Anais Nin: " Não vemos as coisas como são: vemos as coisas como somos ." - É verdade. - Ide por aí a amontoar flores num cesto vazio no meio de um matagal e vereis a condição exacta dos Homens. Que absurdo géne...

Só.

Para quê existir além da presença? Nunca seremos capazes de estar em lado algum. Como se pudéssemos nós ser árvores perenes, carregadinhos de folhas caducas. Mas, tentámos na mesma. Tentámos? É extraordinário ser humano fora de toda a humanidade. Já tentaram? - Parece que se ganha uma braçada de novos sentidos físicos em acréscimo àqueles que já nos consistem; Visão, tacto, audição etc... razões sobejas de existências banais! Sensibilizar o sentido da solidão, por exemplo, é uma experiência quase de catarse, um pulo de bravura insensata que apraz. Potenciar a modorra numa espiral, mais e mais, até se alcançar o topo da monotonia e descobrir novidades desconhecidas. É preciso determinação contudo. A mortalidade absoluta deste objectivo ocorre no instante da tentação normal dos dias. O corte radical das relações mais íntimas é imprescindível. O boicote, a pura dedicação ao acérrimo desgosto de tudo e por todos, condição inequívoca. Para quê existir e depois voltar atrás no pio...

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Estar vivo é só uma coisa vista pelos outros.

Ao alcançar a relva esparsa daquele jardim mal florido, eis a minha enorme surpresa! –  dezenas de amigos, dos antigos aos mais recentes, todos eles verdadeiros como assim convêm, espalhados como bexigas ao Sol, cheios de sorrisos, mãos inquietas e de uma  surpresa que me  arrancou genuínas lágrimas de comoção. Um dia hei-de mesmo planear assim o meu melhor aniversário de todos. A vida parece-se assim. Às vezes, tentando controlar tudo, nem nos apercebemos que a surpresa, o acaso, podem nos trazer a melhor experiência de todas, entre o controlo excessivo da vida que imaginámos,  deparámos-nos com os outros, os que realmente, nos fazem sentir vivo.

David Duarte poderia ser um mito.

Vou sempre escutando, devagarinho, (e é sem pressas que a insídia se instala) o mesmo ruído de morte que nos rói e nos persiste, como um coração que foi tragado pelo nevoeiro. A porta imponente da Igreja matriz, seus santos solitários, em seus nichos mal cuidados.  As ruas, luminosas e sonoras, repletas de lajes soerguidas pelos esforços inglórios, contra tão grande força. Tanto esforço derradeiro. Morre-se por tudo e por nada neste país inteiro. Os muros. Os muros invisíveis de castelos derrocados, postos no presente. Caminhos que nada edificam. Paredes que a nada conduzem. Morre-se por tudo e por nada neste país onde sempre nos desiludem. Tudo isto sobre um tom uniforme e denegrido pelas sombras do costume.  A gente tornou-se humidade, entranhamo-nos na má consolação das festas e, pouca mossa fazemos à pedra eterna. Ao tempo que nem passou. Não se lhes dá a ideia de morrerem, contanto lhes prometam Verões de infinito; promessas e promessas de futuro....

A vida está difícil para os pequenos ladrões honestos

Estória de um Verão que poderia ser de Natal

O BANQUETE DO JARDINEIRO Em Junho de oitenta e cinco comecei a trabalhar no " resgate " do jardim da Ermelinda Sameiro e Sá. A sua casa era grande, verde e antiga. Na frente havia um pátio quadrado, quase nu, nas traseiras, aquele jardim de tesouros onde noite e dia corria um rio pelo meio. Foi sobretudo um processo de o habitar... habitar e perceber, mais pressentir talvez, o sentido orgânico de tão grande espaço, de um verde inteiriço cercado por uma orquestra de pequenas cores, de notas altas, aqui e ali. Mal abri o portão de ferro, baixei-me e levei um torrão de terra à boca, para descobrir-lhe a razão da mortandade. Nessa altura ainda pressentia as coisas pelos sentidos todos, como quem joga xadrez sozinho depois do jantar, só pelo gosto suave de cometer pequenas tolices e não as achar grande coisa. Agora, já não o faço. Já não consigo, entreguei-me à bebida como a um emplastro terapêutico que não actua jamais profundamente. Vai fazendo o ...

Que a "Força" nunca nos abandone.

Humpty-Dumpty

O Muro (Ou: os jovens escritores são todos uns filhos da puta oportunistas e do piorio, sem ofensa para as pessoas do piorio, que não merecem ser comparadas a jovens escritores.) Um escritor de meia-idade está diante de um muro, sobre terra mole, coçando a cabeça, o queixo, ponderando em como descalçar a bota - isto é, escalar o muro - e passar para o outro lado. Está nisto há horas, dias, meses, anos. A dada altura chega um jovem escritor apressado, há que perdoar, é típico dos jovens escritores estarem apressados, não tarda nada ficam velhos e já não podem ganhar o Prémio Saramago. O jovem escritor pede ao escritor mais velho que o ajude a subir, entrelaçando os dedos das mãos, dando um apoio para os seus pés. O escritor mais velho pergunta-se por que motivo não se oferece o jovem escritor para ser ele a fazer de apoio. E, como que lendo-lhe os pensamentos, o jovem escritor diz, sorrindo: "Deixe estar que eu depois ajudo-o! Só que é melhor eu ir primeiro, que sou mais l...

Um tiro no escuro

Comecei a pensar na incerteza desta relação desfeita, inclusive nos motivos percursores da sua destruição pré-concebida, pré-pensada. - Fosse essa os filhos ou a falta do pinar constante. (O Homem precisa de foder vez por outra, para se sentir afim com a sua natureza impressa pela vontade da hereditariedade.) - Algum destes pilares nunca o foram, só fiz crença que existiam. E se existir coisa mais danada para a carne mental que a relação que nem é, digam-me, peço-vos! De facto, alguns até me disseram, e sempre me explicaram desde que me deitei a pensar nestas merdas de complicar o que é simples; o orgulho e o ego atirados à mistura, como uma pasta que me quer saltar das mãos (sim, das mãos. Ah!) e que endurece com o passar do tempo, enrijece como pedra-pomes a filha-da-puta, e deplora-se, deteriora-se a filha-da-puta... até ficar feita num pó irritante e insustentável, que qualquer vento carrega facilmente. Nenhum vento assim tão simples, haveria de deitar abaixo nenhum amor. N...

Para o Infinito e mais além...

Depois de 36 anos em viagem, a sonda Voyager, antes de se aventurar por territórios desconhecidos, tirou esta última fotografia da Terra, a 6,8 biliões de quilómetros de onde nos penduramos neste Universo imenso. Sim, isto somos nós todos.  Este pixel desfocado representa toda a nossa existência passada e presente. Todas as guerras inexplicáveis, e talvez ainda mais inexplicável, todo o insondável amor que persiste indómito na Humanidade, encontra-se neste pontinho ridículo. Por isso deixem-se de merdas, ok?

Limbo

Era um mês como se fosse Domingo, ali deitado na minha cama onde nada nunca crescerá. E da janela em diante todo o céu tornara-se verde e vingativo como o sangue escuro. Faltava-me apenas o tempo de toda essa espera que deitei fora como sempre acontece e como será, no que não é feito de pele, de ferida ou do que é meu. Era um mês áspero por pensar que tudo iria ser bonito a bater e bater e bater.. sempre no mesmo descolorido muro, Porém, só a casa ficou de pé depois desse tempo, a olhar os dias crescerem como o musgo ou a invasora hera. Nobilíssima contenção, entre lençóis e cobertores da serra, e o amor para sempre, para sempre o amor uma visão de hálito impuro em que já nem acredito. Era um mês indolente a devassar-me as margens da tolerância. Nada disto se explica, à luz desta eterna guerra, nada se assemelha no colchão a um sismo, como este inferno dentro do coração e da cabeça. Abrem-se rombos por todos os deuses que em mim permito, e entre a ruína desta ap...

Convergências

Bonita união entre o maravilhoso trabalho do pintor lisboeta Alexandre Alonso com um pequeno excerto do meu poema " Até a Noite que é Noite... " do meu último livro " Jardins Exaustos de Pele e Osso ", Cortesia da minha amiga Lena França.

O Leitor "Sombra"

Alguns simpáticos desconhecidos, quiçá leitores? espero que sim, gostava de acreditar que o sejam, alguns deles parecem mesmo, mas realmente não faço a mais pálida ideia, tudo isto me parece tão fabricado, tão obscurecido pelo anonimato férreo que até chega a assustar-me. O certo é que alguns desses indivíduos, por vezes atiram-me para cima do colo virtual sugestões, que ainda que me surjam sobre a forma de questões incómodas, acabam por ser sobranceiramente irresolutas, dispersas, quase um comentário, ou um desabafo, em vez de uma pergunta. Não posso assim, na minha boa fé, mais fazer que evitar enfrenta-las. Porque, para nos concretizarmos como pessoas, não podemos mais do que o fazer isoladamente e a espaços abertos, onde todos se exponham de igual modo. Por exemplo: - " Escreveu um livro sobre política mas raramente venho a ler outras coisas suas que o definam politicamente ." ou " Estive presente numa das apresentações do Governo Sombra e fiquei tão entusia...