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Limbo




Era um mês como se fosse Domingo,
ali deitado na minha cama onde nada nunca crescerá.
E da janela em diante todo o céu
tornara-se verde e vingativo como o sangue escuro.
Faltava-me apenas o tempo de toda essa espera
que deitei fora como sempre acontece e como será,
no que não é feito de pele, de ferida ou do que é meu.
Era um mês áspero por pensar que tudo iria ser bonito
a bater e bater e bater.. sempre no mesmo descolorido muro,
Porém,
só a casa ficou de pé depois desse tempo,
a olhar os dias crescerem como o musgo ou a invasora hera.
Nobilíssima contenção, entre lençóis e cobertores da serra,
e o amor para sempre, para sempre o amor
uma visão de hálito impuro em que já nem acredito.
Era um mês indolente a devassar-me as margens da tolerância.
Nada disto se explica, à luz desta eterna guerra,
nada se assemelha no colchão a um sismo,
como este inferno dentro do coração e da cabeça.
Abrem-se rombos por todos os deuses que em mim permito,
e entre a ruína desta apatia mortal que m'enterra,
tenha a alma cheia de paragens tão gratas deste mesmo abismo,
que me esqueça, oh sim, que me esqueça.
Eternamente olvidado no sopé de um não grito.









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