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Janela curiosa

O mau tempo deste verão já mais que findo, rouba as gentes ao reboliço das areias das praias e atira-as à descoberta das praças e das ruas da cidade. E como esta janela se vira direita ao lugar onde o amarelinho tram-train faz paragem por estas bandas, é um regalo ver tantos saírem e logo abrandarem o passo ante o encanto secular dos arcos que decoram o meu belo largo. Eu não lhes resisto, passo horas observando-os, curioso insaciável que sou.

Finalmente, paz.

Fez mórbidos preparativos naquela manhã, para o desfecho há muitos anos congeminado na sua mente de homem perdido. O caminho de pedregulhos polidos levava-o a um nicho recatado, mais além da língua de areia da rampa dos Socorros-a-Náufragos, pelo paredão comido por anos e anos de rebentação sistemática, de ondas gigantes de inverno, aí, num cantinho de pescador, Benito, deixou de olhar para trás. Nesse ponto no espaço, o tempo parou. Como se uma parede invisível se erguesse em seu redor, insonorizando o mundo que o circundava, resguardando-o do Universo à volta.

O Vazio

Separados desde o início, Ainda anseio estar contigo . Submersos em momento s de silêncio. Mas foi o vazio que m me saudou , não tu. Foi o vazio. O vazio todo . Nada saciado. Nada cumprido.

Apenas um Pesadelo?

Acordei hoje sobressaltado, corri até à secretária e esperei que se acalmasse o estrépito de cavalos que sentia no peito, até me decidir a escrever isto. E justo hoje, que me deitei cedo e dormi uma noite justa de sono calmo. Bem se diz que para cada coisa há o seu avesso, embora, não imagino ter sido essa, a razão do meu despertar alvoroçado. Sentado na cadeira, com o suor do medo ainda a escorrer-me pelas costas, encharcando-me a roupa e a alma febril, senti um pressentimento de catástrofe. Pensei que enquanto pudesse permanecer quieto e calado, era como se nada fosse, mas aquela ideia fincara-se com garras de metal na minha disposição matinal, e por mais que tentasse não havia forma de me esquivar da minha própria cabeça.

Sonhar que sou poeta.

Sonhar um verso de alto pensamento, puro e limpo, como o ritmo de uma canção! E ve-lo depois crescer, vindo do coração, até chegar aqui, neste exato momento!

Into the Wild

Hoje sou manhã, apago estrelas, e acendo os céus. Mais tarde, serei pouco mais que uma memória vã. sem esperar sequer por um Adeus.

Os sonhos também se abatem!

Era o segundo dia de canícula, humedecida vez em quando por uma chuva miúda, uma chuva molha parvos. Ele interrompeu a narrativa do conto, para escrever outra história que lhe ocorrera quatro ou cinco dias antes, e que desenvolvera, pensou, nas duas últimas noites enquanto dormia. Sentia-se confiante e seguro, e decidiu deixar o conto para mais tarde e escrever a história antes que a ocasião fugisse.

Ao sabor da vida!

Ah! Deixa-te vogar, calma, ao sabor da vida..não há bem que não nos venha, dum mal que o nosso orgulho em vão desdenha. Mas não há bem que não possa ser melhor.

Mar triste, meu amor!

Amei-te mar triste, nos meus devaneios infantis, amei-te levado no teu peito, carregado por tua espuma, perdi-me nesse prazer, já em meus tempos juvenis, quando somente as ondas me satisfaziam de alegria, e paixões humanas não conhecia ainda nenhuma. Amei até tuas vagas, mesmo que com elas o pavor se erguia, pois sendo eu teu amante, esse medo, me seduzia. E era agradável. No teu ledo som eu confiava, mal sabendo que a tristeza avançava e avançava! Não mais trazendo amor a quem eu tanto amava.

Memórias de uma curta viagem.

Um recanto perdido, onde reinava uma paz que o tempo esquecera. Descendo um caminho empedrado, alcançava-se sem receio essa quimera, e não valerá a pena perscrutar o desconhecido em busca de tranquilidade?   Na outra banda do mar, a solidão da calma, tomara conta da paisagem, que não fazia bulício do restolho de uma onda. Somente esta figura parada no límpido manto de azul lhe quebrava o sossego.

Um amor sem idade

Justino Viriato era um homem incomum. Pouco dado a cismas e dono de um juízo mental irrepreensível dada a sua idade avançada. Arrastava consigo a perna esquerda, como um toco inútil, caída faz anos, na desgraça da paralisia, e o muito além disto que lhe pudessem apontar, derivava sobretudo da sua fala dobrada em tremelga, fruto do mesmo incidente que lhe tirara vida à perna. Era uma criatura sem proveito de serventia: nunca apanhava nada do chão, nunca apagava luzes, nem fechava uma porta, e na plenitude da sua vida, quarenta anos antes, o fulcro de glória da sua existência, havia sido a sua ostentosa coleção de botões de punho, de derivadas origens, cores e formatos. Amealhou mais de dez mil, muito embora poucos fizessem fé de que haveria tantos assim no mundo. 

Antologia Alma & Gêmea - Beco dos Poetas

Antologia Gêmea - Volume II inclui também um texto meu.

Vejo-te nos meus sonhos!

Vejo-te nos meus sonhos que agora não tenho vontade, O mundo? O que é o mundo senão isto. Fiz ser canção a história que não tem idade, e melhor me surgiste neste sonho meu tão imprevisto.

Viver vale o que vale...

Contei pelos dedos o tempo da minha vida e descobri que me esperam menos anos para viver do que aqueles que já vivi, como se toda a minha existência fosse mais feita do que já passou, do que propriamente daquele tempo desconhecido que ainda está por vir. Já não tenho fôlego para lidar com as miudezas da vida. Não quero estar com invejosos que tentam destruir quem admiram, cobiçando seus lugares, talento e sorte.

Amigo.

N o dia em que completou onze anos de idade, Lucas fugiu a  fechar-se no seu quarto, permitindo que a vontade de abandonar os pais e o irmão, juntos lá em baixo na sala,  em pose de cartão postal, defronte ao seu estranho bolo de aniversário, decorado ao jeito das atividades triviais  dos estrunfes, corresse solta no seu coração, e entregou-se à grata tarefa de contar mais uma vez os seus amigos, que guardava debaixo da cama.

Amo-te!

Amo-te sem saber como, nem quando, de onde, porquê, eu te amei. Amo-te, porque não és pessoa, és vida. Sem idade, sorte ou canseira.                                          Assim te amo, porque não sei, amar de outra maneira. Tão profundamente, além da razão, que a tua mão sobre o meu peito é a minha.                                          Tão Profundamente, que quando adormeces, Desfaleço e durmo o sono do perdão. E ao acordares ainda eu entretinha, o sonho de que nunca me esqueces. Amo-te assim, como lobo voraz, que devora em si mesmo o amor que te ten...

Preciso de ti Aqui.

Se tu viesses ver-me eu era um homem rico, nesta hora do final da manhãzinha. Abrir-te-ia a porta e entraria teu sorriso, pequeno, fresco e belo, aquele que eu suplico, que um dia distante que nem se avizinha, me traga por fim aquilo que preciso.

Finalmente, Paz!

O pequeno conto que poderão ler a seguir, faz parte do projeto: EU AMO ESCREVER organizado pela editora do Rio de Janeiro Livros Ilimitados e pela empresa de moda Cantão . Destina-se a selecionar 10 contos de todos aqueles enviados, para publicação e atribuição de um prémio: Um iPad! Claro, que na fase inicial de pré-seleção, todos os contos confirmados, só passarão à fase seguinte se reunirem um número suficiente de votos populares, daqueles que visitarem a página do Eu Amo Escrever! Conto convosco... Procurem pelo conto Finalmente, e se gostarem do que vão ler a seguir, Votem! Fez mórbidos preparativos naquela manhã, para o desfecho há muitos anos congeminado na sua mente de homem perdido. O Caminho de pedregulhos polidos levava-o a um nicho recatado, mais além da língua de areia da rampa dos Socorros-a-Náufragos, pelo paredão comido por anos e anos de rebentação sistemática, de ondas gigantes de inverno, aí, num cantinho de pescador, Benito, deixou de olhar para ...