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Memórias de uma curta viagem.

Um recanto perdido, onde reinava uma paz que o tempo esquecera. Descendo um caminho empedrado, alcançava-se sem receio essa quimera, e não valerá a pena perscrutar o desconhecido em busca de tranquilidade?

 
Na outra banda do mar, a solidão da calma, tomara conta da paisagem, que não fazia bulício do restolho de uma onda. Somente esta figura parada no límpido manto de azul lhe quebrava o sossego.




Até a presença fria e roliça dos pequenos seixos castanhos me prendiam a atenção. Era um dia longo e solar, daqueles raros dias em que a memória aponta todos os detalhes da paisagem, cataloga-os em pequenos espaços retidos cá dentro para sempre, e uma pedra que seja, também lá tem o seu lugar, num dia assim.

Assim que subi a bordo, despedi-me do dia, sentei-me numa mesa retirada, e comecei a escrever versos com uma caneta de tinta azul que desenhava montanhas, peixes e pássaros nas dedicatórias. Ao primeiro sinal de partida do navio procurei encontrar o que me teria levado a embarcar, deixando para trás aquela terra que tanta poesia fez nascer na minha cabeça.
Se em qualquer momento da minha vida o mar tivesse que separar-se, tê-lo-ia feito nesse momento. Contudo, até agora se tinha estirado silenciosamente, inflamando o fim do dia que me puxava a si.
Cedo descobri encantos em ambos, e prossegui viagem a bordo do veleiro rumando a outros portos sem nome próprio. Seguiam-me os guinchos das gaivotas, os esteiros das nuvens, e o sentido de infinito que aquele dia me deixou. Nem sempre nos puxa esse anseio, essa amplitude de alma que nada explica, apenas desfruta. Quando acontece, é importante estarmos muito atentos, não vá a recordação perder-se avulsa no meio das outras.


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