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Mensagens

Caí do mundo por um abraço

Lembras-te do tempo em que choveste a noite inteira, uma tempestade furiosa longe dos meus braços. Recordas a altura exacta em que a ilha afundou, e ninguém a quis agarrar? Lembras-te do momento em que as árvores caíram? A madeira arrombou as paredes, naquele som que acordaria os mortos. Mas ninguém se importou sequer em acordar. Alguém se perdeu por isto Alguém se perdeu por um abraço. Imaginas ainda o tempo em que o céu escureceu? Esperei por ti, deitado na areia. E só parecia haver o som do mar furioso, e ninguém a estender-me os braços. Alguém se perdeu por isto Alguém se perdeu por um abraço, um abraço, só por um abraço. Casimiro Teixeira - 2012

Queríamos ser o céu.

Pelos fins de Junho, dei a saber ao Professor Múrcia a minha irrevogável decisão de mandar para o diabo a ciência das leis da vida, fosse ela qual fosse, e de me consagrar inteiramente à paixão dos romances: mas ele deferiu, com grande desgosto meu, ao pedido de ser meu professor de escrita criativa. A música cristalina da sua voz, ressoava no regresso de cada lição, aos meus ouvidos como uma opereta; nos olhos, porém, assomavam lágrimas. Não, não disse palavra ao Professor Múrcia sobre a minha descida aos infernos, nunca aludi sequer, a questão da trágica morte da Laura, foi somente pela minha total falta de entusiasmo, que ele começou a ter sérias dúvidas sobre a minha vocação para as letras.  Todavia, insistia em pensar que a minha falta de êxito, detinha-se sobretudo na incapacidade de convivência, e na dificuldade de afazer o espírito às sensações e aos pensamentos daquelas supinas personagens que criava. E ele acertava no que dizia, sem assomo d...

A felicidade ao nosso alcance

Na linguagem de todos os dias, a noção de felicidade designa uma inclinação amoral pela vida dada ao prazer. Sempre achei inexacta esta designação. Compreendi sempre a vida feliz de uma forma muito céptica, quase redutora: como sendo a experimentação do prazer limitada àqueles que não sofrem, ou seja, somos felizes na medida em que sabemos afastar o sofrimento.  São muito poucos aqueles que sabem enfrentar o sofrimento com dignidade e, em muitos casos, não são aqueles que se espera que o façam. Poucos sabem calar-se e respeitar o silêncio dos outros. Todos descobrem, mais tarde ou mais cedo na vida, que a felicidade perfeita não é realizável, mas poucos se detêm a pensar no seu oposto. Ser perfeitamente infeliz, também não se consegue com a devida facilidade. Os momentos que se opõem à realização de ambos são da mesma natureza, derivam da nossa condição humana, que é inimiga de tudo o que é infinito. Mas, só nos preocupamos com a primeira premissa: A felicidade perfeita, ou...

Frenologia? O que raio é isso?

Excerto do Romance, por publicar, "Duas Vidas Sem Importância" - Para aguçar o apetite a quem interessar (...)  Anos depois, o filho de Remédios, Jeremias Bruno, levou a cabo esta destruição do inexplicável, sem pressa e feita ao seu método. Mil vezes Jeremias fazia recordar o motivo por que a mãe o elegera como predilecto. A razão para tal favoritismo nascera de uma paixão sua que tanto a encantava: a frenologia. Eu explico; Jeremias, da prole escorregadia que deslizara das ancas de Adosinda, fora o único nascido com um travo adocicado de inteligência e apego familiar. Muito cedo na sua vida, fizera aquilo que todos sempre ansiáramos fazer; partir. Sem ter um centavo no bolso, rumou à América, estudou a fundo esta ciência caduca, que reivindica ser capaz de determinar o carácter e personalidades humanas, pela observação aprofundada da forma da cabeça, mais concretamente, dos seus altos, ou caroços definidos, e, adornou-se com ...

Eu sou criança!

Que alegria sermos todos pequenos por um dia. Voltarmos a ser as crianças que fomos, e que, alguns de nós, sempre somos, em todos os dias das nossas vidas. Agora até acredito nas efemérides, nestas celebrações esporádicas do que sempre tem, e deve de ser celebrado. O dia da criança, acho-o especial por demais. Sim, porque nunca o deixei de ser. Não me importo com a censura ou com as opiniões desgastantes de quem acredita, que algures no tempo devemos crescer e deixar o passado para trás. Apupo com veemência a tristeza destas almas, pois não posso deixar de acreditar que, tendo sido em tempos uma criança, como todos inevitavelmente fomos, de bom grado alguém possa querer deixar de o ser, ou fazer de conta que nunca o foi. Tenho dois filhos, crianças ainda, e, neste dia, fujo com eles da maldição do crescimento, da injúria ingrata de já ser um adulto.  Ninguém acolhe melhor uma criança do que outra criança. Daí que, celebro aqui, com eles, e com todos aqueles que mantenham o ...

Opinião no blogue "Ideias Dispersas"

Quase imperdoável o meu esquecimento em mencionar aqui, a muito interessante recensão que a minha querida amiga Cláudia Moreira, fez do meu livro: "Governo Sombra" no seu discreto mas fundamental blogue: IDEIAS DISPERSAS. Fica pois aqui o link para o mesmo, com esperanças de que ela me perdoe, e para que o leiam, claro. Vão gostar de certeza.

A Luz dos meus dias.

Vivo em função da existência da luz
 E das batalhas desiguais ainda que nem mereça uma vida que seja inteira e totalmente luminosa sigo-lhe o sopro para onde me conduz
 o rugoso ruído de seus cristais
 erguendo-se no rigor da manhã que se abeira traduzida numa só palavra, tão..tão poderosa.

 Nem tento interpretar esta ceifa matinal.
 Sou o homem que nunca a compreendeu
 calculo mal as palavras nas noites desertas
 levanto-me, abro o olhar e volto a viver
 Já nem concebo outra existência que não seja igual existo apenas no dealbar colorido do céu entre o manto da escuridão e as lâminas abertas naquele instante em que a noite deixa de o ser. Ali descarto o que sou e torno-me gente Nos confins da luz— flores de sonho tilintam, explodem, resplendem,  sou o menino de lábios cosidos, cruzando as pernas no dilúvio branco que brota dos céus, minha nudez em sombra, ninguém a sente. Ou as paixões que estes fogos em m...

Governo Sombra - Book.it de Valongo

Ontem de tarde, com a Marisa Mendes, da Chiado editora, na sessão de autógrafos da Book.it de Valongo
O meu mui humilde livrinho, sendo mencionado, quase como que em metatexto, nesta tão intrigante história do meu amigo António J. de Oliveira. Muito bom. "Tacteei sobre a mesa da cabeceira à procura do interruptor que ligava o candeeiro avermelhado depositado sobre o napperon de renda fina que lhe cobria o tampo, esfreguei com ambas as mãos as pálpebras feridas pela claridade instantânea, abri-as novamente, ao lado continuava abandonado o “ Governo Sombra ”, um empolgante relato dessa mesma sombra que atormenta agora a minha velhice, as horas paradas, vividas numa veemente contenção de gastos e custos porque o dinheiro, ou a falta dele, não dá para nada… e de nada se constituía a minha velhice! E de nada era constituída a velhice de tantos!... Tantos!... Meu Deus!... Tantos…" In: "Resquícios de Humanidade" de António J.de Oliveira -  Colectânea Contos do Nosso Tempo

Bernardo Sassetti - "Sonho dos Outros & Promessas"

Pequena homenagem a um grande génio... Na paz da eternidade, cheia de tanto durar, desses sons infinitos que te ouvi, e que ouvirei para sempre, a sonhar, agora que ficamos sem ti. Casimiro Teixeira  11-05-2012

O mapa do teu peito

Sem querer trago-te comigo, naquele bolso desarrumado, onde me cabem todos os sonhos. Sem querer perco a coragem, para dizer sequer, nem que seja o princípio, de uma só palavra. Sem querer eu emudeço, para que o som da minha voz não arruine, a perfeição dos nossos dias. E, se tiver de montar guarda, que seja em redor do teu peito, onde, sem querer, encontrei o mapa exacto, que me guiou por aí dentro, exacto como o destino. Nunca olhei pr'a trás de mim, não foi preciso. Tinha outra parte que era eu também, e que vivia dentro de ti, naquele íntimo e profundo espaço, onde durmo feito sossego. E tudo somado, faríamos um, mas fui falso com as palavras, que sem querer pensam em ti, desbaratei este meu rumo, pelo mundo do teu peito. Casimiro Teixeira

A digressão continua...

Próximas paragens desta louca aventura do GOVERNO SOMBRA

Mãe.

Ó Deus Altivo, que desdenhei, e que tanto me desdenhas, hoje voa plácida uma alma pura, na direcção do teu regaço. Recebe-a, com o carinho que cá deixou, trata-a com a mesma graça que ela tem, coloca-a no mais alto pedestral que aí tenhas. Esse belo espírito, é o amor que ainda cá perdura, acolhe-a no teu mais quente abraço, no mesmo, igual, aquele que eu lhe dou, que eu lhe dei, Meu Deus, num abraço final de filho e Mãe. Tendo caminhado erguida por este mundo, nada menos ela merece do que o tudo que lhe deres. Essa alma, que aí chega, ó Deus tão imenso, foi das maiores que aqui tivemos, neste lugar perdido que nos legaste, que nós matamos, lentamente, neste lugar onde ainda assim, prosseguimos avante. Deste impuro monte de desgraças ela se ergueu do fundo,   E neste destroço de nada, serei o que quiseres, se me disseres para perder, eu não venço, diz-me apenas, promete-me só que nos vemos novamente, engana-me, mente! ...
Estou enganado, mas impossibilitado de o reconhecer: Não existe troça entre as mulheres. Cada uma se deita em paz como no seu próprio peito. E observa-lo, foi uma visão demasiada. Isto de ver desenrolar um género inteiro num abrir e fechar de olhos, foi demasiado para mim. Porém, dormi descansado nessa noite, sobretudo por ser homem, que, inquieto e belicoso, raramente leva o peito em descanso para a cama. Estarei assim tão enganado?

Apresentação: "Crónicas do Avô Chico"

No próximo domingo, dia 6 de Maio, estarei na FNAC de Santa Catarina (Porto), para apresentar o livro: " Crónicas do Avô Chico ", a convite do seu autor, o meu amigo Pedro Jardim. Segundo Noémia Serrano que prefaciou esta obra: " Trata-se de um livro a ler por dentro, onde as memórias nostálgicas mas tão vivamente descritas dos lugares encantatórios do autor, da sua infância de onde vêm as imagens e as emoções que norteiam a sua vida ." Esperam-se momentos muito bem passados, com a intervenção musical do próprio autor, e declamação de poesia escrita pelo punho do Chico Maravilhas, o próprio avô Chico, a partir do qual brotou a inspiração para a escrita destas mesmas crónicas. Lá estarei com imenso prazer, e muito honrado pelo convite que o Pedro me destinou. Conto convosco também. Apareçam.

Governo Sombra no Clube Sénior - Associação O Tecto

Eu e o Professor Amorim Costa na apresentação do Governo Sombra na Universidade sénior da Associação O Tecto. Foto gentilmente cedida pelo jornal O Vilacondense

E não se esqueçam...

A liberdade.

Canta-me sozinha, a voz, esta voz, ainda que amordaçada, num prenúncio de derrota, nem desafina. Fui finamente feito na sua vitória. Agora já não. Já não sou feito, nem por fazer! Nem trago pérolas de pura verdade, nem trago cravos de fogacho atroz. Canto a palavra que está mais que cansada, de tanto malharem na sua sina, de tanto desbarato que lhe trouxe a história. Canto-a minha, não sei d'outro jeito, nem sei cantar o que tenho para dizer, só sei, que já soube o que foi liberdade! Casimiro Teixeira 25 de Abril de 2012

Pobre 25 de Abril...

Olhando para o passado, trinta e oito anos depois, mas sobretudo para este triste presente, acredito hoje, mais do que nunca, que é o 25 de Abril que precisa de nós! - Mas também, que urge fazer nascer Abril de novo no nosso peito.