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O mapa do teu peito


Sem querer trago-te comigo,
naquele bolso desarrumado,
onde me cabem todos os sonhos.
Sem querer perco a coragem,
para dizer sequer,
nem que seja o princípio,
de uma só palavra.
Sem querer eu emudeço,
para que o som da minha voz
não arruine,
a perfeição dos nossos dias.
E, se tiver de montar guarda,
que seja em redor do teu peito,
onde, sem querer,
encontrei o mapa exacto,
que me guiou por aí dentro,
exacto como o destino.
Nunca olhei pr'a trás de mim,
não foi preciso.
Tinha outra parte que era eu também,
e que vivia dentro de ti,
naquele íntimo e profundo espaço,
onde durmo feito sossego.
E tudo somado, faríamos um,
mas fui falso com as palavras,
que sem querer pensam em ti,
desbaratei este meu rumo,
pelo mundo do teu peito.

Casimiro Teixeira

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