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Mensagens

Dias Perfeitos no Sul

"Cada conquista é ganha milímetro a milímetro. Antes de estar à vista de toda a gente, prática e concreta, parece sempre impossível, mas viver é acreditar. Temos direito à esperança. Viver com medo constante,  é o que se chama ter os olhos fechados sem nunca os haver tentado abrir. Esta vida pertence-nos. E podemos todos, mas mesmo todos, ser felizes." Casimiro Teixeira
Aqui vou eu a caminho do Sul... Até breve!

Apresentação do "Governo Sombra" no Porto - Os amigos.

Concluí que as minhas palavras não são escritas e ditas para as multidões, e fiz as pazes com isso. Os poucos que as lêem e ouvem, preenchem-me de tal forma o espírito, com a entrega da sua dedicação, que julgo ser impossível, alguma vez me sentir só novamente. Como diria o grande Pessoa: "Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena." - Meu Deus, que verdade tão grande! - Obrigado a todos.

Apresentação do "Governo Sombra" no Porto

Vivo num tempo tão incerto, e nunca sequer, cheguei ao ponto de presumir que o compreendo completamente, e nem quero tentar compreende-lo. Não, não falo do tempo comum, aquele que os relógios de pulso nos garantem com uma temerosa segurança, que a esse, só faço justiça de entendimento em breves momentos sem alívio, mal disfarçados por sorrisos afectados, falo de outro tempo, daquele que nem é plausível pelo ponteiro dos segundos, e é este, este tempo que não corre, e que nem desaparece, aquele que me importa a sério. O outro tempo, onde as emoções se aceleram, ensina-nos cruelmente a sua fraca maleabilidade, com lições rotineiras de dor ou prazer, mas este não, este abranda continuamente, até o sentirmos quase estático, parado na nossa frente. É este tempo que me desfigura as certezas, e me ensina outras lições, bem mais valiosas. E, se preferir não ter a certeza dos factos reais, posso ao menos ser fiel às impressões duradouras que essas emoções me deixaram. Sinto-me mais confortá...

Dia Internacional da Mulher.

Hoje é o dia Internacional da Mulher... Estes dias especiais fastidiam-me sobremaneira, pela necessidade supérflua da sua existência. Como se os restantes dias do ano tivessem de ser normais, para quem é mulher, criança, pai, mãe..e só nos dias das suas efemérides fizesse sentido trata-los melhor, comemorar-lhes as condições de serem quem são, ou o que são. E mais não digo, porque por vezes, mais vale estar calado.                                                                              Hoje é o dia Internacional da Mulher...Amanhã também!

Sou o homem invisível.

Encontrei-te por acaso hoje, e fui incapaz de ter perder, trazias o mundo nas mãos, e por descuido, nem percebi. Só tive olhos para ti, e, nem quis saber do resto. Desenhei teu corpo no ar, com estas mãos que tanto amam, e escrevi-te um poema, com os olhos que só a ti, te querem ver. E nem que deixasses cair o mundo que trazias, eu morreria ali. Terá sido tão casual esta entrega a que me presto, que nem pressenti o apocalipse, dos muros que sobre mim desabam? Não, não foi... Eu já sei. Eu não estou, não existo... E não existo senão para te saber por perto. Que não existo já sei, pois vejo boiar a inércia do meu ser, e do tudo inútil que sou, só o olhar persiste, sem fim, Neste mar calmo de marés onde insensato eu resisto, eu persisto, em manter esse mesmo olhar sempre desperto. Encontrei-te à toa, à ventura do teu próprio querer, Mas peço-te: não me encontres tu, não me vejas tu a mim! Casimiro Teixeira 2012

Este difícil engenho...

Sempre a favor da minha própria vontade, o novo romance não me sai da cabeça; sonho acordado com ele, e vergo-me, noite após noite à sua tirania. A cadeira está agora ligeiramente inclinada, o que não me permite encontrar bem uma posição certa. Inspiro profundamente e deixo que o fumo substitua a névoa espessa que me bloqueia as ideias. Recordo os bancos dos jardins, e o murete cimentado da marginal. Os fins de tarde, tão tímidos e sem coragem, o fragmento de verde sem fim mal imaginado, e um azul estranho que se me entranha nas memórias com sons e aromas tão definidos que os sinto metálicos nos sentidos. Todos aqueles momentos de mar, inspirados ao longo dos anos, onde me deixara abandonar em tantas outras tardes de inverno, e onde estivera, estou certo de que ali estive, em silêncio, ou em conversas, rindo-me ou sofrendo, já não sei bem. A falta que a escrita me faz..assemelha-se a um mal físico, que por vezes consigo reprimir, outras vezes, não. Quando se perde a palavra, o golp...
O amor é vegetal: cresce ou seca. E é terroso — afunda-nos em pó ou erige-nos em mármore. O amor é marítimo — engole-nos para o indizível mundo das sereias e dos corais ou expulsa-nos na areia ou contra as falésias. E é animal — ou nos lambe ou degusta ou engole... Arco-íris, o amor, e por cada cor (e ele tem muitas mais) uma travessia, breve ou longa. E também é música e ruído, tantas vezes ao mesmo tempo. E o que é música para uns pode ser ruído para outros — e, por isso, este prazer não pode ter fim.

Apresentação na FNAC Viseu (as fotos)

Ruben Fonseca diz Camões

Um grande momento, que tardará a fugir-me da memória, pois, na vida, contam-se os momentos e não os dias. O magnífico Ruben Fonseca a declamar um soneto do Camões, na abertura da 13ª edição das Correntes de Escritas, na Póvoa de Varzim. Foi com este pequeno presente que ele agradeceu o prémio Correntes/Casino da Póvoa: Busque Amor novas artes, novo engenho Para matar-me, e novas esquivanças, Que mal me tirará o que eu não tenho Que não pode tirar-me as esperanças, Olhai de que esperanças me mantenho! Vede que perigosas seguranças! Que não temo contrastes nem mudanças, Andando em bravo mar, perdido o lenho. Mas, enquanto não pode haver desgosto Onde esperança falta, lá me esconde Amor um mal, que mata e não se vê, Que dias há que na alma me tem posto Um não sei quê, que nasce não sei onde, Vem não sei como e dói não sei porquê. Luís de Camões

Medo!

Não sei se é possível que eu inscreva no tempo que me segue, o tempo que me precede. Não é nostalgia, que não me entrevo com tais manias. Se este dúbio e incerto mundo, onde em exaustos jardins me perdi, fosse ao menos feito da vaga saudade que me persegue... Deixaria de lado a máscara com que o mundo me mede, e tornar-me-ia aquele som distinto com que tu me ouvias, no tempo d'então, agora extinto num silêncio profundo. Que nem atesta nem remete ao mero rumor do que senti. Não quero que me neguem quem não sou. Se fui falso antes, agora sou mais incerto na verdade, hoje, um mal maior encerra-me inutilmente em seu enleio, e quase desperto, lavo-me e visto-me de mentiras, indeciso em ser eu mesmo ou a sombra do já fui. Este tempo assim me envolve, porque o passado não acabou, acordei desta maneira, fútil, ocioso de toda a vontade, e o tempo que me segue nem sequer veio. Só lhe senti o rastro na fraca vontade que aos poucos tu me tiras, fe...

Entrevista ao "Na Companhia dos Livros"

A minha querida amiga e conterrânea, Isabel Maia, do blogue "Na Companhia dos Livros", depois de ter feito já a sua própria apreciação do meu livro, Governo Sombra, achou por bem ir mais além, e decidiu presentear-me com esta entrevista , à qual acedi com todo o prazer que se retira de uma boa conversa informal entre amigos, levada à cabo com toda a descontracção na mesa de um café. Obrigado por isto Isabel. Deixo aqui o link da mesma, para todos aqueles que quiserem saber um pouco mais sobre mim, e sobre o meu trabalho. Espero que gostem.

Governo Sombra na FNAC de Viseu

A próxima passagem desta aventura será no palácio do gelo, em Viseu, na loja da FNAC. Evidentemente que estão todos convidados. Venham fazer-me companhia no próximo dia 26.

Tenho-te?

Tenho-te, como se fosses só uma. tenho-te minha,  e aqui te carrego, onde albergo o que nunca me melindra, nos profundos mares revoltos que me perfazem o peito. Tenho-te...tenho-te em parte pequena,  em parte minguante, e em parte crescente. Tenho-te em parte nenhuma. Tenho-te por pouco, pelo pouco de mim que até se adivinha, nesse engenho inteiro que tomo pelo teu jeito, logo perdido, assim que te tenho distante. Não te tenho de todo. Logo eu, que sou tão feio, marcado, moribundo... que sou fraco por ser fraco, e porque assim me fiz. e que nem encontro beleza no que perfaz, o tudo mais de belo e de profundo, desse inteiro e sólido modo, que sempre me recolhe nas alturas das horas más. Tenho-te? - Nem aí estou. Tomara eu que te tivesse... E que fizesses tu cair, os males taciturnos que me aniquilam. Quem dera ter-te cá dentro, se ao menos eu pudesse, entrar em ti, e de ti subtrair, o que sou. ...
Somos todos feitos de vontades. Exclui-las de nós, será o nosso fim. Deixemo-las livres então, e façamos por ser homens, criaturas cheias de brio que não se apaga. Sejamos todos uma força inabalável e seremos melhores, parte de um mundo melhor. Casimiro Teixeira

Nenhum dia de anos qualquer...

A inquietação começara, ainda o mês de Janeiro ía a meio. A senhora Rosa, da casa ao lado, que era menina na verdade, pois nunca casara, nem enjeitara namoro com ninguém, mas que toda a gente  chamava de senhora à mesma, fazia questão de manter presente essa lembrança, na passagem morosa daqueles dias, que, Deus meu, tanto me custaram a passar.  Fazia-o indolentemente, com um menear preguiçoso das ancas, uma espécie de samba automático, que o meu pai dizia que ela aprendera com a Carmen Miranda, e fazia-o, sem me deitar olho propriamente, pois só lhe via a parte de trás da cabeça a mexer do outro lado, mais nada. Um cocuruto hermético, trancado num puxo grisalho, que se agitava num quase desprendimento, enquanto deitava a roupa a corar no estendal alcantilado entre o muro que dividia as duas casas. De tantos nervos me remoía, por essas alturas, que nem sequer lhe imaginava com algum grau concreto de exactidão, o ritmo do resto do corpo: - Já só faltam quinze dias Zezinho...

A escrita está morta?

Não sei se ando com o ego demasiado insuflado, se furou de vez, ou se simplesmente me estou a afundar em ilusões. Por vezes apetece-me arrumar o processador de texto para um canto onde o pó o faça desaparecer da minha vista, fechar o cérebro e acabar com este suplício das artes. Alguém aqui comentou o seguinte: " A escrita está morta... é só para alguns e o público recusa-se acreditar nos novos valores. Por vezes porgunto-me: para quê escrever? Ou melhor, para quê publicar? " -  E rais me partam se não está carregadinho de razão!

Apresentação do "Governo Sombra" em Lisboa

"(...) Não foi este sistema que me tornou desempregado, fui eu. Porque, quando vamos procurar o que fazer, se fizermos essa busca dentro de nós próprios, acontece uma coisa absolutamente incrível. Acabamos por fazer aquilo de que gostamos. Porque fazer aquilo que nos desagrada, é o pior desemprego do mundo. (...)" Excerto do texto que li na apresentação do "Governo Sombra" no sábado, dia 28 de Janeiro de 2012 na Livaria / Bar Les Enfants Terribles em Lisboa.
Por vezes chego a acreditar que nasci num tempo que não é o meu, que está fora de mim. Grito ideais que já se perderam e faço rouco alarido de sentimentos que já ninguém dá valor. Casimiro Teixeira