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Este difícil engenho...

Sempre a favor da minha própria vontade, o novo romance não me sai da cabeça; sonho acordado com ele, e vergo-me, noite após noite à sua tirania. A cadeira está agora ligeiramente inclinada, o que não me permite encontrar bem uma posição certa. Inspiro profundamente e deixo que o fumo substitua a névoa espessa que me bloqueia as ideias. Recordo os bancos dos jardins, e o murete cimentado da marginal. Os fins de tarde, tão tímidos e sem coragem, o fragmento de verde sem fim mal imaginado, e um azul estranho que se me entranha nas memórias com sons e aromas tão definidos que os sinto metálicos nos sentidos. Todos aqueles momentos de mar, inspirados ao longo dos anos, onde me deixara abandonar em tantas outras tardes de inverno, e onde estivera, estou certo de que ali estive, em silêncio, ou em conversas, rindo-me ou sofrendo, já não sei bem.
A falta que a escrita me faz..assemelha-se a um mal físico, que por vezes consigo reprimir, outras vezes, não. Quando se perde a palavra, o golpe é tão profundo, que sentimo-nos esvaziados de fé. Continua a ser possível fazer tudo como habitualmente. É possível trabalhar, falar e amar, mas, todos os movimentos são atenuados pela falta do que nos constitui. Sente-se a falta da luz.

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