Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

O amor pela loucura é o preço do Fim

 

Acerca de Anderson's...

Hollywood é um gigantesco cadinho demente de fumos e fogos fátuos. Ali se fundem todos os sonhos e pesadelos possíveis de se imaginar.  Senão, atentem, como mero exercício, neste trio de realizadores, que, por falta de melhor expressão que defina o interesse ou a natureza relevante deste post, decidi chamar-lhes apenas de os " Anderson's ". Cada um mais díspar que o outro, e contudo, todos " Anderson's ", e abundantemente prolíficos e criativos dentro dos seus géneros. Acho fascinante, daí querer escrever sobre eles e, no mais comum torpe da embriaguez, tentar encontrar alguma similitude entre eles, além do apelido; " Anderson ". Começarei por ordem prima de grandeza, na minha opinião, e é esta que para aqui interessa, não fosse este um blogue intrinsecamente pessoal onde explano tudo e mais qualquer coisa que me apeteça. Sendo assim, a ordem será do melhor para o pior destes " Anderson's ".  O melhor : Wes Anderson .  O do meio : Pau...

Inverno cruel que despontou a semente...

 

Dia do Pai

  Houve sempre tempo para morrer melhor. Talvez fosse mais especial esperar o baque do fim ou até quem sabe, arrojar-me ao futuro cheio de mais hipocrisias que a maioria. - Quem poderá saber? - O Futuro é quase tão imprevisível como a vontade de morrer. Ando nisto há demasiado.  Quiçá me acovarde sempre. Quiçá seja daqueles organismos pusilânimes que aguardam a salvação do último segundo. Só que esses não se entregam realmente. É teatro apenas, puro melodrama. Eu não sou desses, nunca fui. Arraso tudo e todos à primeira. - Só! Então o que sou, realmente? Serei a verdade no sangue derramado, o realismo dos comprimidos em excesso, a paixão mal-conseguida do mergulho inevitável naquele mar que jamais nos devolverá? Fui tudo isso e porém, ainda aqui estou a escrever este texto presunçoso que pouco explica só faz referências e apelos e alusões e tretas por demais. É nojento este texto, é nojento porque implica com a morte como se esta fosse um espectáculo trivial sobre o qual se pu...

6 do 2

 

CR7 40

  Quem me conhece mesmo nas franjas mais remotas daquilo que sou, sabe completamente, que o futebol me passa ao lado da existência.  Acompanho-o fervorosamente apenas nos torneios internacionais (europeus e mundiais), jogos de selecções. Porque quem me conhece melhor, sabe que, apesar de todas as minhas idiossincrasias sou é adepto deste País espectacular. E, dentro desse mesmo contexto, quem melhor exemplifica e, convenhamos, mais nos exulta essa estranha paixão que o Cristiano Ronaldo? Resposta: Ninguém! Nem Eusébio, nem Figo nem o diabo-a-velho com dois pés capazes de chutar uma bola, alguma vez nos entronizou mais a este desporto que este super-herói madeirense. O raio do homem não consegue deter-se a meio de nos orgulhar de sermos portugueses como ele. É uma coisa que de fenómeno ele roubou na realidade do outro jogador que dispunha do mesmo nome e alcunha, mas que, nunca, jamais se poderá equiparar a este. E tanto é isto verdade, que hoje, 5 de Fevereiro de 2025, este de...

Please do it, now!

 

Onde andam estas mulheres bonitas? - VI

Durante o seu breve, mas riquíssimo esplendor de glória, pelos finais dos anos 80, princípios de 90, a banda BAN gravou três discos de enorme sucesso, cujos temas depois acharam por bem repetir em compilações e ' best off's ' pelos anos 90 fora até chatearem toda a gente e por fim desaparecem justamente, e depois reaparecem em 2010 sem razão aparente. Apesar de tudo que evidenciaria o contrário, sempre gostei dos BAN . Intrigou-me demasiado aquela displicência incoerente das letras e o ritmo pop cheio de outras influências transviadas que diziam a época toda em pequenas grandes canções emblemáticas que jamais haveriam de ser. Aquilo fervia-me e fazia-me canta-las. E, se as canto, gosto-as. Porém, e como diria a histérica pindérica dos concursos lixo : "Isso agora não interessa nada.. ." Até aqui está tudo dito, excepto por uma coisa muito, muito  especial. - Aquela rapariga maravilhosamente linda que apareceu não em um, mas dois vídeos tristes dos BAN que decorrem...

No seu tempo e contexto, também o Hitler foi considerado visionário!

 

Iconoclasta, para sempre!

O ano mal começou e cai-me esta notícia no colo como uma desgraça de família; morre David Lynch ! A idade ilude-nos a acreditar que viveremos sempre na presença daqueles que nos trouxeram pausas de alegria, na jornada muito póstuma já de um caminho trágico que julgámos, de tempos a tempos, ser real, até nos defrontarmos com a omnipresença da surrealidade como uma amiga do peito, da qual já não prescindimos jamais. Isto é o cinema do David Lynch. Tenho 53 anos e vi todos os filmes e séries e curtas e experimentações cinematográficas que da cabeça deste homem surgiram. As ideias foram sempre o cerne da sua arte. E este empurrou-as para diante, à força por vezes, noutras, em uma calma de brisa de verão, muito como um poema alastra pelo vasto espaço de um sonho comum. Quis fazê-lo assim, pois esta era a sua visão do mundo.  Quase nunca se sublimou, ou fez pouco, ou ambos. Poucas vezes se entregou à injúria da ganância como justificação dos seus interesses artísticos. Não! Por seu turno...

...Poderia ser maior! Poderia ser um escritor, em vez deste blogue vagabundo que... foda-se!

  "On The Waterfront" 1954 - Elia Kazan

Os meus 80's foram melhores que os vossos!

  Ron Howard, Steven Spielberg, Martin Scorsese, Brian De Palma, George Lucas, Robert Zemeckis e Francis Ford Coppola. O " Cinema d'Auteur " nunca é tudo para um cinéfilo. A intelectualidade exponencia e refina é certo, expõe-nos a mundos extraordinários de outras culturas e gerações, de outras vivências e expressões. Enriquece-nos, mas também nos cansa. Por vezes, a nostalgia intromete-se e sentimos aquele ardor sublime pelos filmes que também fomos vendo enquanto crescíamos, e depois partimos a buscar aqueles que os fizeram. A sua descoberta traduz-se em uma surpresa assaz agradável. Foram como nós . Ávidos exploradores de um cinema despistado da carreteira normal, comercial. Porque todo o bom autor busca o passado para se inspirar. Todo o grande artista se amanha na esperança de alcançar o mesmo nível de qualidade e estrutura daqueles que os antecederam. A única diferença entre nós, é que estes ousaram as suas próprias originalidades, sustentadas pelo seu amor pelo cin...

O dilema daquele talento que nos faz.

  Tenho algum azedume em mim, tenho. Sou um corpo só feito de cogumelos a fruirem a podridão de imensas frustrações irresolvidas, ainda que encimado por um cérebro intacto, quase bonito, quase genial, mas, além disso, " Eu não sei se algum dia eu vou mudar ", mas sei que a nova geração de cantores/músicos/cantautores tugas, arranjou a perfeita fórmula para levantar vôo deste marasmo asfixiante que o panorama artístico português nos tolhe à nascença. Eu não quis nascer nesta sobra de mim. Porém, muitos quiseram e fizeram-no. Há uma geração inteira de músicos, músicos digo com saliva colada ao céu da boca, porque isto está mais gritantemente exposto nesta álea criativa, todavia não lhe seja exclusiva, e explora um filão que me engasga a boca de vómito pelos ouvidos. Estes artistas , ou alguém por eles, descobriram que se convidassem outrém de bom talento, ou melhor, de talento apenas, para cantarem ao seu lado, poderiam aspirar a algum sucesso. Deu, dá resultado! Assim que assi...

Dia sim, dia não uma beleza antiga.

  Rita Hayworth

Saudades de ver bons filmes (XXV)

  Akira Kurosawa and Martin Scorsese no cenário de "Dreams" (1990)

Doze anos escravo!

  A vida, continua vertiginosa, como a montanha de onde desabei, e que jamais escalarei. Jamais! Estou certo disso, agora. Doze anos depois, continuo a querer ser escritor. - Mas que grande tolice! - E, dessa dúzia de vida, retiro a única lição possível: Apesar de todas as boas intenções das frases feitas, querer apenas não basta, nunca basta. É preciso sempre conhecer-se alguém que protagonize existência onde nós não conseguimos nem deitar um mero bafo de respiração à tona. E mais até, não basta apenas conhecê-lo, esse providencial mecenas inoportuno, necessitámos de alguma sinergia quase fantástica, de parte a parte, uma espécie de " quid pro quo " imperial, suficientemente sólido para nos conceder uma oportunidade de alcançar esse patamar místico onde, hoje em dia, um escritor, bom ou mau, existe de facto. Um bom editor, um excelente publicista, um magnífico gestor de carreira. Dois ou três autores já consagrados que nos dêem o seu aval, e escrevam qualquer treta sem grand...

Altamira, ao entardecer. - Cap.3

    Cedeu a semana alguns dias à redução do regresso à desdita. Nenhum estafeta viera trazer-lhe a tragédia líquida aos pés da porta. A garrafa de Coca-cola, meia, continuava depositada incólume no suporte do frigorífico, justo até aquele dia fatídico. Humberto bebia 7 litros de uísque por semana. Sete litros exactos. Quase tão exactos como toda a sua vida. Ainda não tivera a experiência acolhedora de saborear uma pizza com amigos, nem sequer a regurgitante ocasional cerveja da adolescência. Aquilo era mais membrana que homem, todo ele dobras da cor mais pálido do sangue, todo ele um cheirete de peles, líquidos assombrosos de brancos e pêlos à mistura. Um produto recolhido da vida de antes agora. Fechado seria sempre uma fortaleza, aberto estaria perdido entre iguais. Aliás, Humberto só bebia assim tanto, por ser aquele macaquinho em todo o tempo que assistira ao pai fazê-lo. Só mijava sentado pelo mesmo motivo. Mal fazia ideia dos estigmas que os vícios e as idiossincrasias r...

Viver é uma telepatia!

A Rita Lee morreu na segunda-feira. Tinha uma sanha qualquer nos pulmões, daquelas tinhosas que nos matam mesmo sabendo de antemão que nos vão matar de qualquer forma. Foda-se! E depois? Morreu, portanto. Faz todo o sentido, mas dói na mesma. É injusto ver morrer quem nos acudiu em tantos momentos de incerteza romântica. Quem sempre teve as letras exactas que nos comprometeram. A Rita tinha um poder especial e jamais fez pouco dele, só fez voz, só voz. E naquela tímida voz de tanto poder, todos nós nos inserimos e todos nos deixámos ali ficar. A música quando é assim poderosa exulta quem a ouve, e depois desaparece. Mas para que serve afinal? - Serve para isso. Para ser uma flor que nos desabrocha a todos. Que saudades daquele cinema, Rita. Que saudades da banheira repleta de espuma, daquele perfume, daquela mania de ti. Obrigado por tudo!

Três!

  Fui e sempre serei um ' geek '! - Cresci com o universo marvel nas revistas que lia em um quase arrebatamento do espírito em crescimento. O mesmo aconteceu-me com " Star Wars" , e com praticamente todos os bons  franchises que me animassem a vontade.  Quando este universo em particular, ( marvel ), surgiu finalmente em forma de cinema, exultei-me, obviamente. Mais ainda quando tudo se foi compondo em uma determinação de lhe incutir um percurso coordenado e sensato. Aquilo que ficou conhecido como MCU (Marvel Cinematic Universe). A interacção pareceu-me perfeita. Eles faziam os filmes e eu deliciava-me com os mesmos. Isto decorreu pelo que foi denominado por fases. As 4 primeiras atingiram-me os nervos certos e agarraram-me de tal maneira que mormente uma falha aqui ou ali, não me predispus a matar o amor que lhes tive. Foi uma espécie de idílio, até a DISNEY flectir os músculos financeiros que arrebanhou sabe-se lá como, e começar a comprar tudo o que faz um ...

Que força esteja convosco!