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Mensagens

Dia sim, dia não uma beleza antiga.

  Rita Hayworth

Saudades de ver bons filmes (XXV)

  Akira Kurosawa and Martin Scorsese no cenário de "Dreams" (1990)

Doze anos escravo!

  A vida, continua vertiginosa, como a montanha de onde desabei, e que jamais escalarei. Jamais! Estou certo disso, agora. Doze anos depois, continuo a querer ser escritor. - Mas que grande tolice! - E, dessa dúzia de vida, retiro a única lição possível: Apesar de todas as boas intenções das frases feitas, querer apenas não basta, nunca basta. É preciso sempre conhecer-se alguém que protagonize existência onde nós não conseguimos nem deitar um mero bafo de respiração à tona. E mais até, não basta apenas conhecê-lo, esse providencial mecenas inoportuno, necessitámos de alguma sinergia quase fantástica, de parte a parte, uma espécie de " quid pro quo " imperial, suficientemente sólido para nos conceder uma oportunidade de alcançar esse patamar místico onde, hoje em dia, um escritor, bom ou mau, existe de facto. Um bom editor, um excelente publicista, um magnífico gestor de carreira. Dois ou três autores já consagrados que nos dêem o seu aval, e escrevam qualquer treta sem grand...

Altamira, ao entardecer. - Cap.3

    Cedeu a semana alguns dias à redução do regresso à desdita. Nenhum estafeta viera trazer-lhe a tragédia líquida aos pés da porta. A garrafa de Coca-cola, meia, continuava depositada incólume no suporte do frigorífico, justo até aquele dia fatídico. Humberto bebia 7 litros de uísque por semana. Sete litros exactos. Quase tão exactos como toda a sua vida. Ainda não tivera a experiência acolhedora de saborear uma pizza com amigos, nem sequer a regurgitante ocasional cerveja da adolescência. Aquilo era mais membrana que homem, todo ele dobras da cor mais pálido do sangue, todo ele um cheirete de peles, líquidos assombrosos de brancos e pêlos à mistura. Um produto recolhido da vida de antes agora. Fechado seria sempre uma fortaleza, aberto estaria perdido entre iguais. Aliás, Humberto só bebia assim tanto, por ser aquele macaquinho em todo o tempo que assistira ao pai fazê-lo. Só mijava sentado pelo mesmo motivo. Mal fazia ideia dos estigmas que os vícios e as idiossincrasias r...

Viver é uma telepatia!

A Rita Lee morreu na segunda-feira. Tinha uma sanha qualquer nos pulmões, daquelas tinhosas que nos matam mesmo sabendo de antemão que nos vão matar de qualquer forma. Foda-se! E depois? Morreu, portanto. Faz todo o sentido, mas dói na mesma. É injusto ver morrer quem nos acudiu em tantos momentos de incerteza romântica. Quem sempre teve as letras exactas que nos comprometeram. A Rita tinha um poder especial e jamais fez pouco dele, só fez voz, só voz. E naquela tímida voz de tanto poder, todos nós nos inserimos e todos nos deixámos ali ficar. A música quando é assim poderosa exulta quem a ouve, e depois desaparece. Mas para que serve afinal? - Serve para isso. Para ser uma flor que nos desabrocha a todos. Que saudades daquele cinema, Rita. Que saudades da banheira repleta de espuma, daquele perfume, daquela mania de ti. Obrigado por tudo!

Três!

  Fui e sempre serei um ' geek '! - Cresci com o universo marvel nas revistas que lia em um quase arrebatamento do espírito em crescimento. O mesmo aconteceu-me com " Star Wars" , e com praticamente todos os bons  franchises que me animassem a vontade.  Quando este universo em particular, ( marvel ), surgiu finalmente em forma de cinema, exultei-me, obviamente. Mais ainda quando tudo se foi compondo em uma determinação de lhe incutir um percurso coordenado e sensato. Aquilo que ficou conhecido como MCU (Marvel Cinematic Universe). A interacção pareceu-me perfeita. Eles faziam os filmes e eu deliciava-me com os mesmos. Isto decorreu pelo que foi denominado por fases. As 4 primeiras atingiram-me os nervos certos e agarraram-me de tal maneira que mormente uma falha aqui ou ali, não me predispus a matar o amor que lhes tive. Foi uma espécie de idílio, até a DISNEY flectir os músculos financeiros que arrebanhou sabe-se lá como, e começar a comprar tudo o que faz um ...

Que força esteja convosco!

 

26

  Os que trabalharam no dia a seguir à revolução também foram patriotas. Há demasiados feriados neste país. Demasiadas 'pontes', dias santos, concedidos e afins. O excesso de nada se fazer cria cidadãos que exigem ainda mais displicência, mais opacidade de visão face ao avanço necessário da edificação desta nação tão maltratada pela perspectiva externa. Pois o desinteresse só produz mais insipidez. Não são os dias de ócio pré-estabelecidos que nos fazem melhores, são as conquistas que se fazem, trabalhando, para conseguirmos um horário laboral que nos permita, consequentemente, usufruir desse tempo livre que todos merecemos e necessitamos, de uma forma que mantenha o país são, funcional e competitivo.  Portugal, durante o período negro da 'crise' financeira 2008/11, chegou a ocupar o 9º lugar no ranking de países com menos feriados no mundo. Na parte superior desta lista, estava o México, com apenas sete feriados. Hungria, Reino Unido e a Holanda com menos dias de folga...

Dia sim, dia não uma beleza antiga.

  Gloria De Haven

O futuro faz-nos cócegas no estômago.

  Os Insetos serão indubitavelmente o alimento do nosso futuro, grilos, gafanhotos e afins contêm 65% das proteínas que necessitámos, muito mais do que a carne vermelha e outras merdas estranhas que os ' vegans ' possam congeminar. A minha pergunta é: Querem comer esta pizza?

Sai, afasta-te, desaparece...

 

Batalha das Putas 'Boys Band'?

  Neste frívolo confronto, que basicamente só opõe os 'NSYNC' aos 'BACKSTREET BOYS'. Sou todo Boys! - Peço-vos que não me acusem de nada. Não me coloquem em 'caixinhas ' acostumadas aos estilos próprios dos iconoclastas. Sou o que sou. É verdade que este confronto não passa de uma frivolidade, um conteúdo ôco, uma putaria sem sentido, mas há tanta gente atrás deste confronto que se torna digno de uma referência. "NSYNC' ou "BACKSTREET BOYS'? - Qual deste estrume cheirarará melhor? Não tenho resposta, pois este género nunca me acamou realmente. Aliás sou-lhe tão adverso, que quase me impossibilita a própria gestão da escolha. Contudo, e como me requisitaram essa opção, entrego-me e escolho. - Sou "BACKSTREET" dos três costados. Porquê? Porque nenhuma canção dos acólitos do Sr. Timberlake me põe o motor em rotações devidas em altas engrenagens. Ou seja, nenhum dos seus temas me arrasta a ser bimbo pela duração da canção. Contudo, dois o...

1998, nunca mais largues este ano!

 

Poema em 3

  Novas entrevistas ao fim do mundo, tentei andar na corda-bamba, só vi pulhas de circunstância, caí, ou empurraram-me até ao fio perdida da meda. Nenhum Bruto ou Cássio me enfiou um ferro tão fundo, como a adaga feroz da alcoolizada demência. A História fez de conta que nem me viu no largo literário da alameda, caducas entrevistas de um velho mundo. Prostitutas, ratos gordos, cús de sem-abrigo. Lembro-me de quando havia distância, sem GPS. Era livre e bom, e cheirava bem. Também nos perdíamos, mas era uma merda! A música soava baça, a carne apodrecia no sexo e nenhum sabor sabia ser assim tão profundo. Sonhei que fodi a rainha celta Bodacia, à revelia da vossa ignorância. Novas viagens ao fim de onde sou oriundo. Que merda de poema este, parece uma ambulância... circula rápido sem levar vida ao quase morto que hospeda. Ontem acordei de pau feito, mas furibundo, o céu clareava no horizonte na antecedência, de mais um dia que me degreda. O que se passa, estou vivo, morto ou moribund...

Textos Devolvidos V

   Após ter lido o patético, ego-absorvido, multi-divulgado, tão imensamente descarado, tão pulhamente marketizado, grandemente apoiado pelo sistema editorial podre que persiste neste nosso país, do 'post' do Afonso Reis Cabral , sobre a sua experiência ao ser linearmente recusado por uma editora americana de renome, senti uma saída impetuosa de vómito a emergir-me da boca calada por tanto tempo. Já não me senti capaz desta mudez persistente.  De que espécie de gente é que realmente se constituí o edifício editorial deste Portugal? Quais são os seus arquitectos e, identificados, porquê que o caminho da prostituição lhes pareceu tão apelativo quanto aparentam? - Foda-se! - Eu sei, toda a gente sabe, que o indivíduo em questão, é bisneto ou tetraneto ou o caralho que o foda do enorme Eça de Queiróz . Movido por essa gesta familiar escreveu umas coisas. Foi galardoado, óbvio! Quem é que acham que este pântano de gente vai admirar? Um filho de um alfaiate que ama escrever, ma...

A ilusão de morrer.

Aqui estou no pouco esplendor que expresso. A tornar-me mais e mais fraco à medida que envelheço e perco a parca noção de humanidade que um dia posso ter tido. Só antecipo resultados finais de má sorte. Dor, doenças malignas de inescrutáveis resultados, possibilidades de incontáveis suicídios sem paixão, paragens cardíacas no galgar das escadarias de S. Francisco. Atropelamentos fatais nas intersecções de estradas mal frequentadas. Facadas insuspeitas pelas noites simples de uma pacata Vila do Conde. Ontem quis ir à médica de família, talvez me pudesse passar algum veredicto. Não fui capaz. Não admito os médicos e as suas tretas 'new age'. Há menos de meio-século atrás, esta mesma inteira profissão fumava nos consultórios e pouco ou nada dizia sobre pulmões moribundos. A casa na praia valia mais que o prognóstico verdadeiro impedido. Aqui estou, contudo. Ainda aqui estou. Trapos e lixo vivem melhor as suas existências que eu. Escrevo isto, bebo, escrevo, mais três cigarros. Que...

A omelete perfeita é a farsa do mito de Sísifo.

Tantos, tantos ovos derramados na escalada. Tanto queijo e fiambre atirados aos dentes ávidos da má execução. Insisto nesta coisa da perfeição e é como uma fuga inconsciente à realidade. Não há perfeição em lado algum. Há tentativas e erros. Malogros e quase-sucessos. Há todo o peso da existência anterior a empurrar-nos para um lugar onde julgamos não querer estar, mas que, se calhar, é onde devemos de estar. Parece tudo desconexo? Sim, parece. Nenhum ovo é perfeito, e jamais um ovo imperfeito fará a perfeita omelete. Isso baralha-me todo. Repetição infinita? Onde caralho estou nesta metáfora imperfeita?  Quem sou? - Repito. - Quem sou? - Repito... Não! Não quem sou. Existir exige algum sentido de revolta, não é? Como sou? Como sou? Como...de novo o desespero da repetição: Fiambre, ovo, omelete, queijo, conjunto ou singular? Formado ou a caminho? Que espécie de homem serei afinal? Sufoco amiúde e entro de joelhos na desesperança de nunca obter respostas no dilúvio de perguntas dest...

Onde andam estas mulheres bonitas? - III

 

Saudades de ver bons filmes (XXIV)

Poderá " Absolutely Anything " ser considerado como o último filme dos 'Monthy Python'? Salvo a ausência do saudoso Graham Chapman, por motivos de já não se considerar entre os vivos à 26 anos, este filme de 2015, realizado pelo igualmente saudoso Terry Jones (1942-2020), reune, pelo menos em voz-off, os restantes cinco, dos seis membros deste fabuloso circo louco de comediantes. A premissa do roteiro, analisada à lupa de tantas imitações copiadas pelo mero absurdo do sentido de comédia desta genial trupe, não lhes chega aos calcanhares, nem por sombras. Também, após tantos anos a serem replicados e emulados, multiplicados e imitados em incontáveis comédias " nonsense " não pelo seu real sentido original, aquele que diferenciou o supracitado grupo, mas porque realmente não faziam nem fazem grande sentido de existirem. torna-se muito difícil insistir na originalidade do contra-senso. Contudo, muitos dos seus elementos ali se encontram, mesmo assim. É um filme...

Ryuichi Sakamoto

No adejar do fim, fica tudo o que nos imortalizou. Sejam grandes ou pequenos, todos os traços humanos deixam um legado, e a morte jamais os apagará, para muitos ou só para alguns, ou...para todos. Adeus Mr.Sakamoto, povoaste-nos de maravilhas... Ryuichi Sakamoto