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Mensagens

Charles in Charge

Charles Bukowski “We’re all going to die, all of us, what a circus! That alone should make us love each other but it doesn’t. We are terrorized and flattened by trivialities, we are eaten up by nothing.”  - Charles Bukowski -

Valha-me o John, ao menos!

John Coltrane

Bosques Esquivos

Nunca se dilui entre a escuridão se perfaz na esperança de luz, ou se curva assustado por entre os caminhos. É um rochedo constante que as tempestades nunca alteram. A estrela mais fixa a todos os caminhantes errantes o brilho claro, mas sem matéria, que jamais se torna joguete do tempo. Mesmo que a carne o sofra, no peso da sua fúria. Fica monólito, algures uma presença etérea, também. E uma falsa partida, ele é aos sobretudo ignorantes,  mais um caminho errado, uma artéria suja de tanta errada miséria, onde se desavindam os maus amantes. Não é produto nem inspiração de algum tempo de bem só deita sangue desgovernado da sua insensatez venérea. Ele é escrito mas lido jamais. Pobre azul que nunca conheceu os pais. Triste mar sem praia mais além. Contudo ou nem por isso, fez grato o caminho contrário à desidéria. Comeu a crueza dos dislates de seus mandantes. E morreu impróprio pelos dentes dos canibais. Se tudo isto for falso e o ...

Chão

Não sei se te lembras de que dia foi hoje Dos sonhos alcoólicos de grandes e-feitos Das cirroses de nuvens de gomas Se morreste também algures de ressaca Tu que sorrias sempre com o fígado Não sei Se quando caminhas te lembras De andarmos descalços sobre os mesmos vidros As mãos umbilicais e os copos envaidecidos Se quando caminhas Nas ruas que hoje foram nossas E hoje são de ninguém Ainda saltas ou se te sangram os pés Se pavimentaste o chão Como fizeste com o mundo Se já não vês o quadro E não te lembras do Zeppelin de chumbo Que atirámos ajoelhados ao espaço Algo em mim não quis saber Que quando florimos no deserto já éramos História Que da dinamite que dizimou a paixão Nasceria um peixe-lápis (Quanto não pode um sinónimo contra um canhão) E com ele desenharia esta salva de tiros em verso Para que o teu chão e o teu mundo nunca esqueçam O que teimas em esconder debaixo da pele Mas a pele teimará para sempre em te lembrar Rita Pinho Matos in FLANZINE ...

Amor eterno?

As Crónicas do Senhor Barbosa IX

Depois de morrer, o interior do Senhor Barbosa nem apodreceu por dias e dias, como sempre acontece com todas as outras criaturas deste Reino natural de homens, bichos e flora tão despudorada, inseridos em algum ímpio crescimento desordenado. Depois de morrer, ainda pareceu viver mais alguns anos e todos quanto o observaram assim o consideraram, pois, por conseguinte, era vivo que o sabiam, nunca morto, e aos vivos ninguém parece muito particularmente interessado em passar certidões de óbito precipitadas. Depois de morrer, o Senhor Barbosa, ainda escreveu a sua própria elegia. - Esta! - Pôs-se à janela e começou a ditar palavras muito baixinho, e estas iam-se escrevendo por si até ficarem completas. Nela, descrevia o seu fim prematuro, e quanto tempo precisaria para convencer os outros de que realmente falecera em virtude de tanto desprezo, tanto desrespeito pela sua simples condição eremita de Homem só! - Quando acabou apercebeu-se da inutilidade do que tinha escrito, mas, nã...

New Man on the Moon

Desenho de Jim Carrey http://observador.pt/2018/02/07/jim-carrey-apagou-a-conta-do-facebook-e-quer-que-os-fas-facam-o-mesmo-mas-porque/ Para ler até ao fim. https://twitter.com/JimCarrey

Saudades de ver bons Filmes (XIV)

...absolutamente ternos e belos. Maravilhosos. Extraordinariamente perfeita a utilização do " Adagietto" (da Sinfonia N°5) do Mahler neste filme. É como se a música, sem recurso a mais artifícios, nos colocasse na frustração, na pele inquieta, na paixão incompleta do compositor  Gustav von Aschenbach , personagem exemplarmente interpretado pelo Dirk Bogarde, e nos fizesse também sofrer ao assistirmos o desenrolar da sua obsessão. Brilhante.

Davam grandes passeios Existenciais aos Domingos

Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre

E Deus, Pina?

C atolicos recasados sao aconselhados a abster-se de ter relacoes sexuais Fui baptizado, e depois sacramentado com a primeira comunhão e ainda mais consagrado com a solene. Passei por tudo isto e só escapei por pouco de ser crismado, porque tinha um teste importante nessa semana. Mais tarde, casei-me pela igreja também e, em todas estas ocasiões usei sapatos que me foderam todo desde as plantas dos pés até à cabeça. Desde aí, desenvolvi pouca tolerância para esta forma de ser igreja.  Tanta hipocrisia não é caminho algum para um paraíso decente. Em vez de se estropiarem uns aos outros rebatendo todos estes séculos de instituição arreigada em discussões inúteis, vejam antes como o Fellini as deita por terra em uma cena brilhante do seu filme de 1972 "Roma". É hilariante, tanto, que muitas cenas desta sua película foram realmente censuradas pelo Vaticano, o que só indica a 'mouche' do alvo para onde apontou. Contra dogmas enraizados, só o humor nos sa...

Estender a Pele pela Boca

A Não Perder!

Sou da Parte que é a Favor de ser do Contra.

I gnoro saber se serei capaz de me colocar a jeito para a represália de alimárias mais primitivas. Aquelas de peito já cheio por regra e cabeça rapada por dentro, entouçados ao contrário para garantir que só o mineral mais sujo aí prospera. Mas não os rejeito. Abraço-os até, isto, se vierem aqui. (alguns aparecem, e logo esbracejam imenso pelos dedos ansiosos de babuínos, atirando fezes ao desbarato por todo o lado. Todavia, tão depressa quanto largam a sua carga de fel, desaparecem - atentem, não sou eu quem os apaga, são eles próprios que se esvaem em um nada, após a descarga dos vitupérios pestilentos.)  De facto, desconheço se terei eu mesmo algum peito erigido em bravura, pronto a receber essas pancadas brutas. Mas, admito humanidade e por isso reconheço as minhas fraquezas, esta é só uma da longa lista que me faz homenzinho todos os dias. Duvido muito da minha ousadia sim, mas escrevo-a, porém, na habitual purga que a alma necessita, naquela rotina contínua da auto-...

Dia sim, dia não uma beleza antiga

Cleo Moore

Mr. Hyde

Vim a saber que sou um pulha! Descobri-o entre e entretanto o dia do meu aniversário, o pior de sempre em quarenta seis contados com atenção. Bolas! Sempre me vi como um bom cabrão egoísta. Foi uma grande decepção descobri-lo assim. Pensei que os cabrões egoístas também mereceriam qualquer coisa de vida. Alguns instantes de bonança. Um valente cabrão não é nenhuma bomba suja, algum nazi em evolução, daqueles terroristas que só são bons para se descarregar explosões pálidas de raiva em cima. Brutalidades verdes de verdadeira cólera, cegas, protegidas pela virtualidade. Afinal são e sou. Mas enfim, atirem, atirem à vontade. Quer dizer, cabrão que seja, não me lapidem é no escuro, façam-no às claras, peço-vos. Se for para levar porrada prefiro que se vejam as medalhas roxas. Saber que sou um pulha também é um bónus talvez. Algum prémio demoníaco inusitado. Sou cabrão só às escondidas, como uma identidade secreta, na vida real sou um pó inócuo. - Em boa verdade prefiro ser um pulha! ...

A caminho de um qualquer futuro

Isto precisa de ser dito, e já!  É uma coisa que já sangra há muito e continua em ferida aberta, pois ninguém quer dizer realmente que ali está, sangrando profusa e exposta a infecções letais, vulnerável e tão frágil quanto uma criatura recém desabrochada entre algum gume impiedoso. - O enorme problema de muita gente, dita esclarecida e intelectual, é o de comparecerem apenas nos espaços de outros que tomam como seus superiores, dos quais almejam algo, ou para os quais os afectos menos puros os aproximam.  Procuram relações proveitosas, sugam tudo, sem remorsos e sem planos definidos para os seus futuros. Só querem  'ser', ou  esperam ocupar, em algum futuro provável, aquele mesmo espaço invariável de quem são meros súcubos. - Novamente aqui presente o imperativo tribal em acção nociva. Seus grandes tolos! I de ver apresentações e conferências dos "rascas", dos "ostracizados", dos "colocados no mesmo saco" porque não têm outro lugar onde...

Saudades de ver bons Filmes (XIII)

... em que compreendo tão bem os personagens. Terry : "You don't understand. I coulda had class. I coulda been a contender. I coulda been somebody, instead of a bum, which is what I am"

É tanto isto tudo

19. Cá em casa tudo bem: o sofá quieto a olhar a televisão desligada; os livros cansados de existir na estante; o candeeiro apagado pela teimosia do dia; os pratos escorrem o sangue da fome imaginada; os lençóis esticados pela morte aguardam-me; eu à frente do computador tento escapar-lhe, inventando outro de mim; a música parou; ouvem-se pássaros e outras vidas próximas; parece verão mas é apenas ficção; é tanto isto tudo e eu sou tão pouco; vou comer o último pedaço de chocolate; sei que não te importas depois de fumar e antes de fodermos. F.S.Hill "Gesso" DSO Novembro 2017

Dia dos Amigos?

Acabo de descobrir mais esta pérola. Como escapei do campo de concentração das redes sociais, demoro mais tempo que o comum dos mortais a fazer tristes figuras. Grosso modo, isto é a instituição celebratória de mais um dia, entre os trezentos e sessenta e cinco (os bissextos são anti-natura) que fazem os anos avançar inexoravelmente. O de hoje caiu na consignação da amizade. E há festa, penso. Gritos ululantes, amizade desbravada nestas vinte e quatro horas, sem restrições ou de outro modo, introspecções demoradas sobre o que quer que seja, que não se refira ou celebre a amizade. Hoje é o dia dos amigos, disse alguém, e, ai de quem não o seja ou o mostre neste dia. Mas, esperem... ninguém me ligou hoje. Nem vivalma me marcou nas coisas comuns destes dias inefáveis, um toque, uma foto, um post, algum link ou tag. Não terei amigos? Dizem-me que sou inacessível porque vivo na minha privacidade e não partilho ao segundo a ingestão de cada alimento ou a prova de cada acção. Dizem-me qu...

Ver prémios como Unicórnios

Rais' partam os prémios literários que só contemplam ou autores (de editoras que possuem os recursos para lhes enviarem os exemplares requeridos) e que publicaram no ano anterior ou jovens, crianças até, em alguns casos, pululantes ranhosos cheios de acne e arrogância sem fim, impregnados de uma qualquer bravata literária, que continuo sem entender, de quererem ser escritores pela mera noção de que os escritores são especiais. É aquele ensejo grotesco e ilusório de se verem publicados, seja como for ou por quem for. (já me deixei desse pesadelo)  Resta uma panóplia de 'licitações' inglórias, tiros no escuro em clara evidência, a concursos viciados de inúmeras autarquias. Mandam-se uns 'mails' com o manuscrito anexo e esfrega-se a pata do coelho, ou lambe-se o trevo, aguardando alguma sorte vinda do espaço dos deuses decisores. - Que grande enxovalho! Na verdade, o 'autor' gasta o seu parco dinheiro a imprimir três ou cinco exemplares do seu manuscrito...