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Mensagens

A dor que corre por trás da dor

Amor, mas só aquele amor. Aquele amor que nos dá as belezas mais simples, perfeitas como pessoas, ou bichos ou coisas, ou coisas de amor que se desenham devagar. Amor, mas só aquele amor, que nos ensina lições de alegria, faz delas pressuposto, até as vir buscar de volta. Até as vir buscar! Dessossega e depois aquieta-se, dói, põe, tira, refaz e perfaz e até faz dó de tanto desgosto. Como se amor fosse sinónimo, dessa mesmissíma dor. Amor, mas só aquele amor, que só nos quer ensinar a audácia, de estarmos vivos no devagar do seu tempo. Talvez não devesse, não parece muito certo gostar-se e retirar-se e pelo meio caber o resto de uma vida. Amor, mas só aquele amor, só porque mais tarde ou mais cedo, se fica ou incompleto ou tão cheio, que só existe ou não existe tempo para a despedida. Amor, mas só aquele amor, e não me parece assim tão certo, esquecer de sentir medo na dor que corre por trás da dor. Mas assim é. Amor não se gaba de ensinar, quem muito depr...

"Máscaras com Rostos dentro" - Helder Sanhudo

Foto tirada durante a montagem da exposição (peço desculpa mas não sei o nome da sua autora) Inaugurou neste último sábado, no Centro de Memória, em Vila do Conde a exposição " Máscaras com Rostos dentro " do Arquitecto vila-condense e meu bom amigo, Helder Sanhudo.  Mais uma vez, pela terceira quase consecutiva, foi meu grande prazer poder me associar à sua rápida e merecida maturidade e ascenção como pintor, cujo progresso e divulgação ainda fará correr muita tinta por quem, muito melhor do que eu, consiga escrever sobre este mote das artes plásticas. Ainda assim, tive a honra de oferecer os meus préstimos, escrevendo no livro de sala, os meus dois dedos de modesta apreciação sobre o seu vibrante trabalho, que poderão consultar após devida visita à referida exposição. Recordo que a mesma estará patente até ao dia 3 de Maio e que as visitas aos Domingos de manhã, são gratuitas. Em simultâneo, e aquando da sua abertura, fui também convidado para dizer algumas pa...

Prendas a correr.

Hoje faço anos, mas os presentes são para vós todos, para quem os quiser, naturalmente. Novo livro, muito brevemente!

Alguém aí, desse lado?

Marcar possíveis encontros

Um destes dias haverão possíveis. Não sei se pelo chão de urtigas, se pelo perfume dominante das frésias, certamente que pelo miar arrulhado do gato, já farto de tanto tomar conta de mim. Acredito num chão aqui por baixo, uma confiança transmitida pela terra ensopada em lágrimas. Ah! Um dia destes caí do chão de tanto olhar para o céu. Nesse dia fazia voos rasantes pela copa das flores disponíveis, voava para aqui e para ali, como uma abelha louca, possível só de existir em meio à devastação. Nem percebi se foi a saliva, que me saía em ebulição, da boca, ou o milagre das palavras do meu punho, sei que, nunca uma ferida sarou tão rápido. O dia chamava-se “redenção”. E foi, um legado quase precioso. Tinha por hábito nomeá-los a todos, a morte e os dias, os dias e a vida, a morte e a vida, todos os dias e nenhum especial que me trouxesse possibilidades, além dessas, não me lembro, perdi-as. Calhou só de ser um dia que já tinha conhecido. Já nem os contava pelo...

Nada é pior que ser tão bom

Para quem for do Norte, aqui fica a vontade de ser tão mau como eu espero ser: http://www.bandsintown.com/event/9206350-nuno-prata-senhora-da-hora-fnac-norteshopping-2015?artist=Nuno+Prata

Let's Dance

Eram três amigos. Se fossem dois apenas, ainda que a caminho de um terceiro, a rivalidade destruiria tudo, se fossem mais, tornar-se-iam em mais uma tribo redutiva, diminuta em gente, mas cheia de ideias próprias e originalidades modernas, só próprias às pequenas tribos. Ninguém pensa em copos meio-cheios ou meio-vazios numa tribo. Todas as tribos se juntam na premissa tirânica de um dogma muito comummente característico. Pomos isto de lado por agora. Eram três amigos, e por si só, multiplicavam-se sem querer numa multidão; o primeiro receava tudo. Tinha medo dos grupos, tinha medo dos compromissos, da avareza dos grupos. Como queria ser único, nunca aceitaria essa dinâmica, mas fingia aceita-la, para o bem comum fingido do grupo. Só queria ser aceite, mesmo que admitisse não querer ser aceite nessas condições. Era um case-study da amizade, se alguma vez algum pudesse ser assim considerado. O segundo era um monólito. Defina-se monólito como aqueles seres de pedra que se dizem s...

O que dormia à janela

Chamem-me do que quiserem, pouco já me importo com os epítetos que me lavrem os "grandes aviões" lá de cima, do ar rarefeito. Todas as antigas comédias continuam a progredir pelas mesmas avenidas dos grandes palcos comuns. Se me submeto a um e qualquer escrutínio, é porque sei que, de uma ponta a outra, onde se reune toda a multidão incivilizada, existem igualmente os sempre desprendidos de todos os maneirismos da glória, os reais, aqueles que são a carne que me alimenta a vontade. Podia muito bem dizer que só me interessam os leitores e editores deste mundo, mas não, não digo! Em qualquer corredor negro que caminhe ou possa vir a caminhar, encontro sempre o maravilhoso, acompanhado à flauta e ao piano, longínquas ilhas de mansidão e apreço, gente boa sem outra manobra de anfiteatro que não seja a crença indivisível. Isto é tão bom! Encontrar aves de mistério onde o vento melhor as sopra, e acolhe-las por aqui, onde as posso melhor receber. É como um daqueles sonhos de ...

O meu amigo Whisky

É preciso reinventar-se a amizade

Quando algum amigo nos despacha à pressa, e em definitivo, para aquela parte incerta, aquele limbo feio que toda a gente conhece pelo nome próprio, e quando decide fazê-lo através do quadro de mensagens privadas de uma certa rede social, é de se ficar à nora com a rapidez perigosa destes tempos. Suponho que podemos ser sempre aquilo que quisermos, que ninguém se haverá de preocupar muito com o assunto. Ninguém que não nos conheça de lado algum, digo eu. Podemos ser compostos, gregários, alegres, inebriados, ou então, soturnos, tristes, solitários, eternamente insatisfeitos com o estado da vida, e, regra geral uma daquelas pessoas irritantes e irritadas com tudo, podemos até ser um misto de tudo isto (a grande maioria é-o) que a única constante que esperamos, por causa de todas estas coisas que só a nós nos dizem respeito, é que um amigo as respeite também, que as compreenda ao seu próprio nível, e que nos ajude. Sobretudo que nos ajude sempre que o puder fazer. O caminho de...

Por qualquer deus, livrem-se do amor de idiotas.

Sobre a ausência dos pássaros

"mora um pássaro azul no meu coração que quer sair mas sou demasiado duro com ele e digo, fica aí, não vou deixar que ninguém te veja. mora um pássaro azul no meu coração que quer sair mas derramo-lhe whisky e inalo fumo dos cigarros e as putas e os empregados de bar e caixas de supermercado nunca saberão que ele está aqui. mora um pássaro azul no meu coração que quer sair, mas sou demasiado duro com ele e digo fica quieto, queres dar cabo de mim? queres lixar os trabalhos? queres rebentar as vendas dos livros na Europa? mora um pássaro azul no meu coração que quer sair mas sou inteligente, só o deixo sair por vezes, à noite quando todos dormem. e digo, sei que estás aí, não estejas triste. depois coloco-o de volta mas ele canta suavemente não o deixo morrer e adormecemos juntos assim com o nosso pacto secreto e é o suficiente para fazer um homem chorar, mas eu não choro, e tu?" - Charles Bukowski-

Cantigas para todos os gostos

Crítica da razão impura

O criticismo cego consegue ser tão imobilizador. Paraliza mãos sonhadoras e mentes próprias, sem dono. E ainda não lhe descobriram cura química ou terapêutica que lhe faça frente eficazmente. Não se trata apenas da dor insensata que provoca a paralisia inicial, mas sim do choque séptico que a faz perdurar muito tempo após. O terror do fracasso motivado por críticas inflexíveis pode ser tão danoso a quem cria, que por vezes, este vacila, e até se convence ser mais conveniente não criar de todo. Qualquer crítico, profissional ou amador, havia de ter presente a noção de que, o seu objecto, por ser fundamentalmente humano, nunca beneficiará desse desporto de tiro ao alvo, se pelo meio, não for disparado nenhum ponto positivo que o sossegue temporariamente do afluxo de frustrações. Creio ser razoavelmente simples colocarmo-nos todos dentro dos sapatos d'outrém e imaginarmo-nos num dia a dia constante de absoluta negatividade; não há força de vontade férrea que o aguente! Ainda r...

Piquenas estórias de amore V

Adoro saber que me vês como eu sou!

Reveille (on)

"My mamma always said that to get things right you'de better not mess with major Tom"

Boas canções para bons fins de ano.

A traição das palmadinhas nas costas

Que barbaridade! É quase um milagre chegar-se a esta altura da vida, pensando ainda que cada nódoa negra é uma marca, cada abraço uma amizade para sempre, cada humilhação uma dor imperdoável. Assim de repente, e em nítido esforço por manter tudo intacto, já só me apetece é manter tudo conforme, esquecer e prosseguir. É que isto aqui não são medalhas, isto aqui nem se pode chamar de amigos. Isto aqui não é dor nenhuma. - Troca-se o surreal pelo real. Limpa-se o pó aos velhos mapas onde ainda nem existiamos, e muito depressa encontramos o nosso lugar. - Pronto. Fica-se logo mais quente por dentro e distante da brutalidade.