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Mensagens

Se tu fores o meu céu, eu serei a tua estrela.

Um beijo no escuro

Quando alguém como eu se apaixona, as equipas do tempo fazem escalas de propósito, pelo esquecimento, e a tristeza enche-se de pequenos milagres. Até o medo ganha coragem, e nem a morte sai da sua cova. A paixão espontânea é um prenúncio grátis, uma janela aberta para a árvore da vida. Um feito imenso, um sentimento, um frenesi de mãos e lábios e perdição, uma proeza! Quando alguém como eu se apaixona. é uma bonança quase insuportável, um exercício contra a má-sorte. Vêm-se os corpos como eles são ao contrário da vista que sempre os viu. Abertos ambos na clausura do mesmo espaço, existe uma distância de silêncios, entre as tuas mãos e as minhas. Uma fronteira de palavras por dizer, entre os teus lábios e os meus. E algo que brilha vez em quando, entre os nossos olhos. Quando alguém como eu se apaixona, quer ser todos os homens que eu não fui, e já não sou nem posso ser, e isto por vezes nem é mudança, mais não passa de mera inveja...

Alguns momentos mais ao Sul

Poema 9

Não vendo a alma ao diabo pela glória, como se a letra impressa me fosse mudar. Nem ofereço um só minuto desta história, à força obrigada de a contar Algo diferente e novo nunca me desagrada. Meu coração está pronto para a liberdade. Para quê ser uma mentira alada, se posso ser simplesmente a verdade?

E tu, o que vais almoçar hoje?

Proposta para o almoço: percebes... Percebes?

Cabanas de Tavira

Aterroriza-me o espaço intermédio entre a luz e o nada.
Depois de uma manhã tão bem passada a tentar apanhar caranguejos, pequenos peixes e conquilhas duvidosas, em poças de água tão tépida como a minha disposição, concluo:  A água turva não mostra os peixes ou conchas em baixo; o mesmo nos faz a mente nublada. 

Procura-me no Sol

Uma manhã perfeita, eu estava só, ouvindo a chama do Verão, à deriva, só à deriva... Caía sem peso, flutuando nesta neblina dourada, respirando os sons azuis do céu, repletos de memórias de outros dias. E no meu sonho era um jovem, e sendo jovem queria ser melhor. Com flores na boca e nos meus olhos, flutuando apenas nas cores do céu, procurando as estrelas e os anjos. Transformado pela subida, olhei para baixo e vi o mar. Aí tracei em acalmia absoluta, os contornos do teu rosto. Nuvem do céu, que pareces, um burburinho de água. Leve sonho que me carrega, por seres tão minha, como a nuvem é do vento. Não faz mal... Cantei depois, no recolhimento, das memórias de outros dias. Empurrei para cima o céu, e no meu sonho era criança. E sendo criança queria ser melhor até desaparecer no teu Sol. Casimiro Teixeira 1998

A casa da Baía do Tigres

(...)  Era um lugar frágil e sentimental, de tangos e boleros que tocavam por dentro das paredes e se ouviam à noite só em sonhos. Quem lá morava enlouquecia lentamente até fazer parte dele. Era um lugar feito de muitas loucuras, que tossia e suspirava e arrepiava-se às vezes. Pareceu-nos o lugar certo para nós. Ao acercar-nos, o céu tingira-se de púrpura com franjas alaranjadas, e o mar exsudava um odor a gardénias que nos inebriou os sentidos. Linda envergava um vestido leve, quase transparente, de cor lilás, e a sua beleza simples, parecia fundir-se com a do próprio entardecer. Mesmo antes de alçarmos a escadaria de madeira da entrada, já estava convencido. Seria ali que nós ficaríamos, para sempre. Em frente, o Atlântico embalava sonhos com o seu restolhar lânguido e perfumado, a própria mansão alardeava um tom suave de beleza que serenava o espírito. Apesar do seu aspecto delapidado de catedral em ruínas, clamava por vida em cada nicho, cada divisão. A rodeá-la cresci...

Calma preguiçosa

Deixem-me o sonho! Deixem-me o sonho! Sei que veio já a manhã desperta, e porém,  sinto só acalmia pelo meio. Vagueio solto por um lugar onde nem ponho, nem disponho de vontade certa. Aqui soberana, a preguiça tem, o poder final do seu enleio.

Hollywood: Um filme sem história.

Deixei de ver filmes de Hollywood. Decisão consciente, e tomada em definitivo, sem hipótese de retrocesso. Existem excepções, eu sei, mas até essas as desconsidero. O rácio de toda aquela artificialidade de vidas filmadas, cada vez mais me incomodava, e proporcionalmente me diminuía o interesse pelas histórias contadas. Via cinema e esquecia-me de seguir o enredo. Isto perturbava-me por demais, pois quando saía da sala de cinema, quando desligava o dvd ou a televisão, tomava consciência que havia só reparado na perfeição absurda dos dentes, na frieza insistente dos olhares, ficando desarmado pelo explosivo, inquieto até.  Os gestos canónicos de sempre cativavam-me e no fim entre os que morriam e os que se apaixonavam não havia ali mais nada. Era uma perfeição improvável.  Não podia ser! Revoltou-se-me a vontade. " O cinema é verdade vinte e quatro vezes por segundo." Foi Jean-Luc Godard quem o disse, não eu, porém, estou certo de que mudaria radicalmente esta fr...

Banho de Verão

Hoje deu-me para os banhos zen...estou a entrar no espírito livre do Verão. Que bom! - Férias....
Recordas a primeira vez que te disse que te amava?                                                    Chovia tanto e tu nem me ouviste. Espirraste e tive de o repetir. Eu disse: Amo-te! Eu disse...e tu não disseste nada. Ergueste as mãos ao meu olhar brilhante, e vi a chuva a correr pelos teus dedos. Depois beijaste-me e disseste:  Se tu morreres, se tu morreres... também eu morro. Só no dia em que tu disseres. Só nesse dia. Diz-me: Sou tua para sempre, para sempre. Diz-me!                                   Se tu morreres, repetiste, se tu morreres também eu... depois juraste-me que serias sempre minha  e que eu seria sempre teu. Recordas a última vez que te disse que te amava? Estávamos quentes e seguros no nosso mundo perfeito. Boc...

Esta dúvida sempre presente nos teus olhos...

" Estas coisas funcionam assim, em vagas: por vezes, não há nada, deserto total, noutras vezes chega tudo ao mesmo tempo. É assim com a consideração, como é assim com os amores, com a sorte e com os acasos em geral. Pelo menos, é nisso que acreditam os supersticiosos como eu." excerto do livro (por publicar) "Duas Vidas sem Importância"

Apetece-me tanto que tenhas razão Alberto

" Editar este autor (Casimiro Teixeira), "condenado" a ser esquecido, o que o levou a fugir dos seus semelhantes, o privou de pertencer a qualquer estatuto, literário ou outro qualquer, desta sociedade hostil à independência, parece ter sido  tarefa de muitos, não sei bem explicar porquê, mas sei que foi assim. Percebi-o quando li o seu livro e depois lhe tentei acompanhar o percurso. Não poderia nunca ser um grande sucesso, não neste país, nunca neste mundo. O que é pena, pois é um livro inteligente, o que pode significar que o seu autor também o seja, e só espero que a redenção do tempo me venha dar razão. " Opinião do leitor Alberto Moreira, sobre o livro "Governo Sombra" Obrigado.

Os dias mais interiores

Andamos por aí blindados, brincando nas ruas, e nas mesas dos cafés aos carros de assalto, cada um a pensar na melhor estratégia para defender os seus interesses. Fala-se e ninguém realmente escuta, impacientemente à espera da sua vez de falar.  E todos têm tantas opiniões para dar e tanta razão na certeza do que dizem! Quando as coisas azedam depois, o que invariavelmente acontece, do assunto em discussão passa-se para o ataque pessoal e lá vão mais uns pontos na frágil tabela das relações humanas, mais uns riscos e arranhões, alguns indeléveis.  Fala-se de coisas que nada têm que ver mas há que saber que, em modo de sobrevivência, os egos disparam sem raciocinar sobre tudo o que mexe. E os minutos e as horas passam, sem haver nada decidido ou importante a ser dito...tolices a maioria! Somos assim, não é de propósito, simplesmente nada se conclui neste extremo estado emocional. Somos conduzidos pela exaltação do nosso próprio umbigo. Vai-se lavando roupa suja. E à mão...

Caí do mundo por um abraço

Lembras-te do tempo em que choveste a noite inteira, uma tempestade furiosa longe dos meus braços. Recordas a altura exacta em que a ilha afundou, e ninguém a quis agarrar? Lembras-te do momento em que as árvores caíram? A madeira arrombou as paredes, naquele som que acordaria os mortos. Mas ninguém se importou sequer em acordar. Alguém se perdeu por isto Alguém se perdeu por um abraço. Imaginas ainda o tempo em que o céu escureceu? Esperei por ti, deitado na areia. E só parecia haver o som do mar furioso, e ninguém a estender-me os braços. Alguém se perdeu por isto Alguém se perdeu por um abraço, um abraço, só por um abraço. Casimiro Teixeira - 2012

Queríamos ser o céu.

Pelos fins de Junho, dei a saber ao Professor Múrcia a minha irrevogável decisão de mandar para o diabo a ciência das leis da vida, fosse ela qual fosse, e de me consagrar inteiramente à paixão dos romances: mas ele deferiu, com grande desgosto meu, ao pedido de ser meu professor de escrita criativa. A música cristalina da sua voz, ressoava no regresso de cada lição, aos meus ouvidos como uma opereta; nos olhos, porém, assomavam lágrimas. Não, não disse palavra ao Professor Múrcia sobre a minha descida aos infernos, nunca aludi sequer, a questão da trágica morte da Laura, foi somente pela minha total falta de entusiasmo, que ele começou a ter sérias dúvidas sobre a minha vocação para as letras.  Todavia, insistia em pensar que a minha falta de êxito, detinha-se sobretudo na incapacidade de convivência, e na dificuldade de afazer o espírito às sensações e aos pensamentos daquelas supinas personagens que criava. E ele acertava no que dizia, sem assomo d...

A felicidade ao nosso alcance

Na linguagem de todos os dias, a noção de felicidade designa uma inclinação amoral pela vida dada ao prazer. Sempre achei inexacta esta designação. Compreendi sempre a vida feliz de uma forma muito céptica, quase redutora: como sendo a experimentação do prazer limitada àqueles que não sofrem, ou seja, somos felizes na medida em que sabemos afastar o sofrimento.  São muito poucos aqueles que sabem enfrentar o sofrimento com dignidade e, em muitos casos, não são aqueles que se espera que o façam. Poucos sabem calar-se e respeitar o silêncio dos outros. Todos descobrem, mais tarde ou mais cedo na vida, que a felicidade perfeita não é realizável, mas poucos se detêm a pensar no seu oposto. Ser perfeitamente infeliz, também não se consegue com a devida facilidade. Os momentos que se opõem à realização de ambos são da mesma natureza, derivam da nossa condição humana, que é inimiga de tudo o que é infinito. Mas, só nos preocupamos com a primeira premissa: A felicidade perfeita, ou...

Frenologia? O que raio é isso?

Excerto do Romance, por publicar, "Duas Vidas Sem Importância" - Para aguçar o apetite a quem interessar (...)  Anos depois, o filho de Remédios, Jeremias Bruno, levou a cabo esta destruição do inexplicável, sem pressa e feita ao seu método. Mil vezes Jeremias fazia recordar o motivo por que a mãe o elegera como predilecto. A razão para tal favoritismo nascera de uma paixão sua que tanto a encantava: a frenologia. Eu explico; Jeremias, da prole escorregadia que deslizara das ancas de Adosinda, fora o único nascido com um travo adocicado de inteligência e apego familiar. Muito cedo na sua vida, fizera aquilo que todos sempre ansiáramos fazer; partir. Sem ter um centavo no bolso, rumou à América, estudou a fundo esta ciência caduca, que reivindica ser capaz de determinar o carácter e personalidades humanas, pela observação aprofundada da forma da cabeça, mais concretamente, dos seus altos, ou caroços definidos, e, adornou-se com ...