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Mensagens

Opinião no blogue "Ideias Dispersas"

Quase imperdoável o meu esquecimento em mencionar aqui, a muito interessante recensão que a minha querida amiga Cláudia Moreira, fez do meu livro: "Governo Sombra" no seu discreto mas fundamental blogue: IDEIAS DISPERSAS. Fica pois aqui o link para o mesmo, com esperanças de que ela me perdoe, e para que o leiam, claro. Vão gostar de certeza.

A Luz dos meus dias.

Vivo em função da existência da luz
 E das batalhas desiguais ainda que nem mereça uma vida que seja inteira e totalmente luminosa sigo-lhe o sopro para onde me conduz
 o rugoso ruído de seus cristais
 erguendo-se no rigor da manhã que se abeira traduzida numa só palavra, tão..tão poderosa.

 Nem tento interpretar esta ceifa matinal.
 Sou o homem que nunca a compreendeu
 calculo mal as palavras nas noites desertas
 levanto-me, abro o olhar e volto a viver
 Já nem concebo outra existência que não seja igual existo apenas no dealbar colorido do céu entre o manto da escuridão e as lâminas abertas naquele instante em que a noite deixa de o ser. Ali descarto o que sou e torno-me gente Nos confins da luz— flores de sonho tilintam, explodem, resplendem,  sou o menino de lábios cosidos, cruzando as pernas no dilúvio branco que brota dos céus, minha nudez em sombra, ninguém a sente. Ou as paixões que estes fogos em m...

Governo Sombra - Book.it de Valongo

Ontem de tarde, com a Marisa Mendes, da Chiado editora, na sessão de autógrafos da Book.it de Valongo
O meu mui humilde livrinho, sendo mencionado, quase como que em metatexto, nesta tão intrigante história do meu amigo António J. de Oliveira. Muito bom. "Tacteei sobre a mesa da cabeceira à procura do interruptor que ligava o candeeiro avermelhado depositado sobre o napperon de renda fina que lhe cobria o tampo, esfreguei com ambas as mãos as pálpebras feridas pela claridade instantânea, abri-as novamente, ao lado continuava abandonado o “ Governo Sombra ”, um empolgante relato dessa mesma sombra que atormenta agora a minha velhice, as horas paradas, vividas numa veemente contenção de gastos e custos porque o dinheiro, ou a falta dele, não dá para nada… e de nada se constituía a minha velhice! E de nada era constituída a velhice de tantos!... Tantos!... Meu Deus!... Tantos…" In: "Resquícios de Humanidade" de António J.de Oliveira -  Colectânea Contos do Nosso Tempo

Bernardo Sassetti - "Sonho dos Outros & Promessas"

Pequena homenagem a um grande génio... Na paz da eternidade, cheia de tanto durar, desses sons infinitos que te ouvi, e que ouvirei para sempre, a sonhar, agora que ficamos sem ti. Casimiro Teixeira  11-05-2012

O mapa do teu peito

Sem querer trago-te comigo, naquele bolso desarrumado, onde me cabem todos os sonhos. Sem querer perco a coragem, para dizer sequer, nem que seja o princípio, de uma só palavra. Sem querer eu emudeço, para que o som da minha voz não arruine, a perfeição dos nossos dias. E, se tiver de montar guarda, que seja em redor do teu peito, onde, sem querer, encontrei o mapa exacto, que me guiou por aí dentro, exacto como o destino. Nunca olhei pr'a trás de mim, não foi preciso. Tinha outra parte que era eu também, e que vivia dentro de ti, naquele íntimo e profundo espaço, onde durmo feito sossego. E tudo somado, faríamos um, mas fui falso com as palavras, que sem querer pensam em ti, desbaratei este meu rumo, pelo mundo do teu peito. Casimiro Teixeira

A digressão continua...

Próximas paragens desta louca aventura do GOVERNO SOMBRA

Mãe.

Ó Deus Altivo, que desdenhei, e que tanto me desdenhas, hoje voa plácida uma alma pura, na direcção do teu regaço. Recebe-a, com o carinho que cá deixou, trata-a com a mesma graça que ela tem, coloca-a no mais alto pedestral que aí tenhas. Esse belo espírito, é o amor que ainda cá perdura, acolhe-a no teu mais quente abraço, no mesmo, igual, aquele que eu lhe dou, que eu lhe dei, Meu Deus, num abraço final de filho e Mãe. Tendo caminhado erguida por este mundo, nada menos ela merece do que o tudo que lhe deres. Essa alma, que aí chega, ó Deus tão imenso, foi das maiores que aqui tivemos, neste lugar perdido que nos legaste, que nós matamos, lentamente, neste lugar onde ainda assim, prosseguimos avante. Deste impuro monte de desgraças ela se ergueu do fundo,   E neste destroço de nada, serei o que quiseres, se me disseres para perder, eu não venço, diz-me apenas, promete-me só que nos vemos novamente, engana-me, mente! ...
Estou enganado, mas impossibilitado de o reconhecer: Não existe troça entre as mulheres. Cada uma se deita em paz como no seu próprio peito. E observa-lo, foi uma visão demasiada. Isto de ver desenrolar um género inteiro num abrir e fechar de olhos, foi demasiado para mim. Porém, dormi descansado nessa noite, sobretudo por ser homem, que, inquieto e belicoso, raramente leva o peito em descanso para a cama. Estarei assim tão enganado?

Apresentação: "Crónicas do Avô Chico"

No próximo domingo, dia 6 de Maio, estarei na FNAC de Santa Catarina (Porto), para apresentar o livro: " Crónicas do Avô Chico ", a convite do seu autor, o meu amigo Pedro Jardim. Segundo Noémia Serrano que prefaciou esta obra: " Trata-se de um livro a ler por dentro, onde as memórias nostálgicas mas tão vivamente descritas dos lugares encantatórios do autor, da sua infância de onde vêm as imagens e as emoções que norteiam a sua vida ." Esperam-se momentos muito bem passados, com a intervenção musical do próprio autor, e declamação de poesia escrita pelo punho do Chico Maravilhas, o próprio avô Chico, a partir do qual brotou a inspiração para a escrita destas mesmas crónicas. Lá estarei com imenso prazer, e muito honrado pelo convite que o Pedro me destinou. Conto convosco também. Apareçam.

Governo Sombra no Clube Sénior - Associação O Tecto

Eu e o Professor Amorim Costa na apresentação do Governo Sombra na Universidade sénior da Associação O Tecto. Foto gentilmente cedida pelo jornal O Vilacondense

E não se esqueçam...

A liberdade.

Canta-me sozinha, a voz, esta voz, ainda que amordaçada, num prenúncio de derrota, nem desafina. Fui finamente feito na sua vitória. Agora já não. Já não sou feito, nem por fazer! Nem trago pérolas de pura verdade, nem trago cravos de fogacho atroz. Canto a palavra que está mais que cansada, de tanto malharem na sua sina, de tanto desbarato que lhe trouxe a história. Canto-a minha, não sei d'outro jeito, nem sei cantar o que tenho para dizer, só sei, que já soube o que foi liberdade! Casimiro Teixeira 25 de Abril de 2012

Pobre 25 de Abril...

Olhando para o passado, trinta e oito anos depois, mas sobretudo para este triste presente, acredito hoje, mais do que nunca, que é o 25 de Abril que precisa de nós! - Mas também, que urge fazer nascer Abril de novo no nosso peito.

O Mosteiro de Santa Clara

É preciso salvar este precioso marco que representa o cunho da memória deste povo valente, que habita indolente junto aos seus pés de pedra. É estranho, mas a verdade é que, mesmo depois de extinto, depois de ter morrido a última freira, a sua história não parou. O que não se reveste de estranheza, porém, é a forma como um edifício de pedra, metal, vidro e argamassa, também se torna feito de sangue, vidas e lembranças. Isto de falar do Mosteiro de Santa Clara, levar-nos-ia longe a todos, e já basta o muito que sobre ele já foi dito e escrito ao longo dos tempos. Mas é importante não apagar nunca a recordação do vandalismo impune aqui perpetrado, sem respeito pela dignidade do seu passado, ou préstimo pelos interesses de Vila do Conde. Foram-se os cálices, as custódias, cruzes, lampadários, tocheiros. Evaporaram-se em grande mistério, os relicários, as pinturas, os azulejos e toda a estatuária. Tudo isto se sumiu de entre portas, numa avidez de roubo e destrui...

Apresentação em Recarei (as fotos)

Correu tão bem...Houve de tudo um pouco nesta apresentação, mas o mais importante para mim, são sempre as pessoas. As que aparecem e que as que, não podendo mesmo lá estar, lembram-se na mesma e é como se lá estivessem também. Foi uma noite bonita de convívio, de boa comida, música inspirada, conversa animada, e o livro, o meu querido amigo, que aos poucos me vai deixando, abrindo as asas e aprendendo a voar sozinho, ainda lá estava comigo, agarradinho às mesmas convicções e inquietudes que me impulsionaram a torna-lo vivo. Espero que o "Governo Sombra" vos traga, no folhear contínuo das suas páginas, as mesmas emoções que senti quando lhe toquei pela primeira vez. Acredito que é livro para isso, e não desmonto da minha crença. Obrigado a todos...

O futuro feito por tolos e para os tolos...

Não quero de todo que me levem a mal. Ou então, levem-me a mal totalmente! Estou por tudo. Pensei em ser bem comportado, pensei em ser feito da lisura de quem não desdenha nada e tudo abocanha, mas, depois pensei melhor. Eu não sou assim! Nunca o quis ser, pois, entendo este preceito estranho de viver, como uma montanha, Uma montanha que tem de ser escalada a custo real. Não existem apoios para alpinistas como eu, ninguém me vai dar subsídios de realidade. Foi então que pensei melhor. Foi aqui que pensei mais lúcido: eu não preciso! - Imaginei que, cada passo que dava, era movido pela frieza de um motivo ulterior, e senti um vómito cá dentro. Senti-me sujo e impuro. - Eu não preciso de ser igual aos demais, (e isto é que é difícil) eu não preciso de me vender. E, foi aqui, precisamente aqui, neste deslumbrante momento, de infinita tragédia tão bem entendida, que eu, eu tão bem me defini! Tenho tanto para oferecer, sou grande naquilo que grande me imagino, na lenta grandeza que me i...

O discurso do Corvo.

Eis-me aqui, ainda integralmente vivo e teu, voo ao acaso, sem saber por quem voar, por sobre rostos de carne, palha e infinito. Trago as mãos feitas num espesso breu, toldadas pela sede de te possuir e de te dar, o ténue silêncio, que é tudo aquilo qu'eu permito. As palavras, quando são poucas, sabem melhor, dizem tudo melhor, se forem poupadas. Abre os braços então, e recebe-as em teu seio, a secura desta terra já consome o sangue do meu terror. Já falei, e agora vou voar num céu de pequenos nadas, disperso no bando obscuro, mesmo lá no meio. De modo que, apesar da lucidez dos meus instantes, continuo sempre algures, no longo espaço que nos envolve. Nada temas destas mãos de cinza que já não tem dedos por onde arder, Eis-me para sempre, nos interstícios perdidos e distantes, desta paixão que é dada, e que não se devolve, e que é minha e tua, porque assim tinha de ser! Casimiro Teixeira 2012