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Mensagens

Monólogo

O engenho da loucura, breve e simples. O engenho da arte, indistinta e injustificada. Impossível deter estas mãos, que me fazem pensar,                               esta cabeça, que me faz escrever. Nem que me sinta embriagado, pela sobriedade de estar só. Nem sequer pela mera projecção, de semáforos, repelindo esta ansiedade, de seguir apenas, de avançar. Dispus-me pois a ser só carne, carne em pessoa. Propus-me o inverso, do caminhar rápido em passos lentos. Sugeri-me o arranque inquieto, e despropositado de mim mesmo. O afluxo da minha chegada, até mim. O afluir das visitas encarnadas, em EU, o pronome pessoal, de ser eu próprio que nunca me alcanço. Tombei (é certo), tombei mal e em dor, como que em metamorfoses, transformações increspadas no alcool que, me consome, me dilui. Aprofundei-me nas distâncias, que me separam de mim. Submergi neste subterrâneo recôndito, obscuro, ...

Na companhia dos Livros

Leiam a opinião da minha querida conterrânea, a Isabel Maia, publicada no seu blogue " na companhia dos livros "sobre o meu livro: "Governo Sombra".  Muito bem apanhada a sua recensão, e, se me permitem a momentânea falta de humildade, a sua classificação final acerca do livro, também. Serei certamente muito suspeito em afirma-lo, porém asseguro-vos, vale bem a pena passarem por lá para se inteirarem. Deixo-vos aqui um pequeno excerto do mesmo: " Casimiro Teixeira apresenta-nos neste Governo Sombra um enredo intrigante, que vai prendendo lentamente o leitor até o mesmo chegar ao ponto de se questionar se aquilo que está a ler será real ou se é pura ficção."

Põe-se Vila do Conde no ninho deste mar.

Terra amada, refrescas-me a alma de espuma. E para além? Existe outro mundo ou é um fim? Neste lado, aqueço-me no calor desta última bruma, e mais não quero olhar para trás de mim. Foto de Helder Sanhudo

O dia da feira.

Acordam mais cedo do que o sol da manhã, partem somente pela altura do seu recolher, e, quer maculados pela canícula do calor, quer crispados pela sofreguidão do frio, aqui estão, sem falta, todas as benditas sexta-feiras, pelo menos, desde que tenho memória de tal.  A cidade inteira parece transfigurar-se numa outra, neste dia, semana sim, semana sim...em serenos sobressaltos que perduram. Será quiçá uma rotina, haver uma feira aqui todas as semanas, uma rotina que nasceu no tempo em que ainda se vendiam cavalos, bois e outras animálias de grande porte a céu aberto, mas que, evoluiu depois, tornando-se numa necessidade para alguns, um prazer para muitos. É certo que, ainda se vêem patos e galinhas e perus e coelhos, prostrados em gaiolas, acometidos ao irrisório aprisionamento de um cesto de vime, ou meramente espalhados pelo chão empedrado, açaimados pelas juntas das patas com um infeliz fio de cordel grosseiro. Sim, eles ainda lá estão, toldando-nos a comiseração, ou o ape...

Como nasce uma história...

Que vontade indómita será esta de querer contar tudo? Bebi três copos seguidos e foi tão grande o prazer do líquido frio a descer pela garganta, que sorri também, e apeteceu-me contar histórias. Não estou bem certo de quais histórias deverei contar. De início pensei que as histórias me queimavam a alma, e gritei de susto, um susto feito em letras. Rápido, no desenrolar da continuidade de ser construído. Tinha de ser mesmo, escapulia-me do presente vezes sem conta, fascinado pela luminosidade sépia do passado, que emanava daquele torpor constante que me ribombava o cérebro e eu tinha de o fazer, tinha de contar. Por vezes, sentia-me prestes a ser capturado por algum vigilante zeloso que vive para impedir que o passado assome à tona. Sabem do que eu estou a falar? Aquela matéria gelada e porosa que vive oculta nos escaninhos das nossas mentes. Senti-me quase prestes a ser capturado, e a memória permanecia apertada contra o meu peito, como neve. Libertei-me de tudo, por fim, e estas h...

E porque hoje é sexta-feira 13...

Já vivi melhores dias, mas o de hoje, não foi mau de todo. O importante é estar atento aos pequenos milagres diários, e insistir na companhia de quem nos faça despontar um sorriso. Tudo o resto, meros pormenores, maiores ou menores, mas que sempre terão solução. Tu és capaz!

Filho do Impossível.

Esta existência surge-nos tão devaneia, tão intensamente frágil, que por vezes, só nos pede o desejo do impossível. Sou assim, fruto deste anseio sonhador, que nem consegue mas tenta, que não concretiza mas avança, sou filho do impossível, e sinto-me bem assim.

Noite dos dois Reis pais.

Muito lentamente, aproximo o pequeno copo, oblíquo, ao centro da minha boca. A outra mão, mais triste ainda, faz circunferências desinteressadas sobre o prato florido que acolhe a rabanada que escolhi para comer nesta noite. Por instantes, atravesso o olhar pela janela azul, que já não mostra bem a cor do dia, mas, que ainda não recebe todo o breu da noite. Sinto uma enorme falta de agasalho no corpo, cerro os olhos e sei que não é frio aquilo que sinto. A memória conhece estes gestos, estas tremuras, mas faz de propósito por olvidá-los, mistura-os sem pressa no desfiar deste tempo, deste dia, certa de que já não importam tanto como quando era menino, e mais ainda, pela metade grande da minha vida. A memória sabe que já nada é igual, e o corpo corresponde, obediente, caindo numa apatia de desânimo. Daqui a nada, a família vai querer levar-me a ver a chegada dos Reis por entre o bulício do pequeno adro da igreja da Lapa e arredores circundantes - Temos de ir, é tradição. - dizer-m...

Quem és tu?

Quem caminha sempre a meu lado, e sabe todos os nomes do meu corpo? E sozinha, constrói pilastras sólidas de vento, com as conchas que recolheu na praia da minha alma? Quem foi que assim me acolheu? Quem veio de longe chorar por mim, e tornou próximo o meu desânimo, como se fosse seu. E nem emitiu um só suspiro de enfado? Quem entende onde eu começo e porque acabo, e não censura nem aprova a infíma minúcia do meu mais infiel intento. Quem? Quem me grita com paixão e me susurra com calma, e condensa toda a ternura do mundo em suas mãos, para depois a entregar, assim, num oceano infinito de canções e de afagos? Quem carrega junto ao peito os meus espinhos? e aí faz florir a mais bela rosa. quem me atura as impaciências e os desalinhos, e empresta seus ouvidos ao desfiar da minha prosa? Quem me ouve a angústia do desespero, e a sirene espavorida de seus irmãos, as tremuras, os desgostos, as invejas e a dor, as manhãs aborrecidas e as noit...

Apresentação do "Governo Sombra" em Lisboa

Muito me agradaria poder contar com a vossa presença... Apareçam, venham conhecer o Governo Sombra.

Este velho dia, esta nova vida...

Gosto do dia de hoje. O dia 31 de Dezembro agrada-me, sobretudo porque me faz lembrar aquilo que significa: uma passagem, uma transição. E apraz-me sentir-me renovado, acreditar que todos os anos me é oferecida a oportunidade de mudar qualquer coisa, mesmo que nem mude nada, agrada-me imenso este sentido prenúncio de poder alterar qualquer coisa, de trazer algo de novo à minha vida. Agrada-me inclusive, ter o mero pretexto para o fazer, motivado pela luz de um novo e melhor futuro que se avizinha, pois é assim que opto por acreditar que ele será. E cada um de nós tem sempre opção, é uma escolha interior, forte, encarniçada, uma escolha da qual nada ou ninguém nos poderá alguma vez privar. Agrada-me a hipótese de me agarrar à vontade de mudar, pois é essa vontade que parece faltar, ou falhar nos restantes dias do ano.  Sou talvez tolo por acreditar ingenuamente na efemeridade da mudança, mas pouco me importo com isso, pois neste dia, todos os sonhos parecem possíveis de virem ...

Uma exposição a não perder.

Que todos os sonhos se concretizem...

Enquanto houver sonhadores,  é muito bom sinal,  significa que vamos dormindo bem, e que a terra vai girando!                                                           Casimiro Teixeira
Programa para o dia de hoje...descanso, xadrez e cachimbada!

Sorriso incerto.

Tenho este sorriso que te entrego e que não é certo, tem dias que acorda inteiro comigo, e outros, mais loucos, que me escapa ao bom juízo. Nem sempre o mantenho assim, tão aberto, encerro-o sisudo, nas horas que pressinto perigo, aquelas em que esta boca, sem falar, fala um aviso. Trago-o mesmo assim, guardado nestes lábios aguados, este sorriso tão ligeiro, quase uma pena amedrontada, um esvoaçar imprevisto de luz que se levanta aqui. E penso, para quê esconde-lo dos desavisados? Tenho este sorriso, sim, um sorriso feito prece à pessoa amada, Poderás tu dizer que não foi feito para ti? Casimiro Teixeira - 1989

O Natal da Sra. Mascarenhas

Eram doze horas. A pequena cidade acabava de se deitar, muda e negra, debaixo de uma chuva gélida de Dezembro. Na rua da fraga, uma das mais estreitas e mais desertas, desta cidade que lançou tantos barcos ao mar, uma janela continuava iluminada, no segundo andar de uma velha casa, cuja caleira rota largava torrentes de água no empedrado milenar. Era a senhora Mascarenhas que velava diante de um fraco fogo de uma luz mortiça e empoeirada, enquanto que o marido desfalecia, à claridade pálida de um candeeiro. A habitação, alugada por cento e poucos euros por mês, compunha-se de quatro enormes divisões, que se não conseguia aquecer no Inverno. A senhora Mascarenhas, dormia na maior; o marido, o Coronel Mascarenhas, outro único ocupante daquele mausoléu, ficara com o quarto que dava para rua, junto à sala de jantar, no seu leito de ferro, para que pudesse ver o céu, antes do último estertor. Os poucos móveis dos Mascarenhas, uma mobília Império de mogno maciço, que as contínuas mud...

Opinião no ...viajar pela leitura...

Mais uma vez, os meus sinceros agradecimentos à Paula Teixeira, do blogue: ...viajar pela leitura...  pela maravilhosa opinião que aí publicou sobre o meu livro: "Governo Sombra". É decerto um prazer, uma enorme satisfação, aquele que assiste a todos quantos expõem os seus trabalhos aos olhos do público, e depois recebem, como réplica quase imediata, uma visão tão próxima, e quase tão detalhada, quanto aquela que pretenderam transmitir. Suponho que, para uma compreensão total deste livro, como de outro qualquer, estará implícita e obviamente clara, a necessidade de lerem o mesmo, pois a seu o de seu dono, e cada um lá fará a sua própria interpretação, como deve de ser, contudo, nunca é demais salientar, quase à laia de um prefácio, a opinião de alguém, que já o leu, e que assim o explica tão bem. Obrigado Paula.

A queda de um anjo triste.

Desafogados brilhos desta existência, quis olhar em frente, e vi somente escuro. Escuro, escória, lixo, lama e penetrante breu. Quis seguir em frente e não mo permitiram. Quis marcar presença, caí, e fui banido. Quis viver, e fui marcado a fogo com o rótulo do nada. Malditas palavras que me acendem esta vivência, pudera eu ser livre, e não viver por trás deste muro. Ser vento, ou poeira, e correr solto pelo esplendor deste céu. Malditas palavras que de mim emergiram, ainda mal as proferia, e já as via, abafadas em seu ruído, como se fossem pássaros, abatidos em revoada. Como eu mesmo, abatido assim, em tenra idade. Mas sosseguem, pois sou coisa irritante que insiste em não morrer. Malogrado pela estupidez do desprezo, sou, ainda assim, Homem! Homem! Homem... Estou vivo, e não desabo. Desafogado percurso que ainda mal começa, não verás teu fim nesta desdita amordaçada. Quis dizer o que quis, e não me faltou a vontade. Mais fáci...