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Monólogo

O engenho da loucura,
breve e simples.
O engenho da arte,
indistinta e injustificada.
Impossível deter estas mãos,
que me fazem pensar,                              
esta cabeça,
que me faz escrever.
Nem que me sinta embriagado,
pela sobriedade de estar só.
Nem sequer pela mera projecção,
de semáforos, repelindo esta ansiedade,
de seguir apenas, de avançar.
Dispus-me pois a ser só carne,
carne em pessoa.
Propus-me o inverso,
do caminhar rápido em passos lentos.
Sugeri-me o arranque inquieto,
e despropositado de mim mesmo.
O afluxo da minha chegada,
até mim.
O afluir das visitas encarnadas,
em EU, o pronome pessoal,
de ser eu próprio que nunca me alcanço.
Tombei (é certo),
tombei mal e em dor,
como que em metamorfoses,
transformações increspadas no alcool que,
me consome,
me dilui.
Aprofundei-me nas distâncias,
que me separam de mim.
Submergi neste subterrâneo recôndito,
obscuro, oculto...neste poço infinito de palavras.
E se o pensar me dissolve,
na monotonia de um retorno a um caminhar mais lento?
Não posso, não devo parar,
parar..parar..de pensar.
Agora ressurjo,
imerso em quatro paredes sólidas,
agora estampo-me,
pinto-me,
enquadro-me,
agora escrevo...escrevo...escrevo..
sou arte!

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