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Mensagens

Um amor sem idade

Justino Viriato era um homem incomum. Pouco dado a cismas e dono de um juízo mental irrepreensível dada a sua idade avançada. Arrastava consigo a perna esquerda, como um toco inútil, caída faz anos, na desgraça da paralisia, e o muito além disto que lhe pudessem apontar, derivava sobretudo da sua fala dobrada em tremelga, fruto do mesmo incidente que lhe tirara vida à perna. Era uma criatura sem proveito de serventia: nunca apanhava nada do chão, nunca apagava luzes, nem fechava uma porta, e na plenitude da sua vida, quarenta anos antes, o fulcro de glória da sua existência, havia sido a sua ostentosa coleção de botões de punho, de derivadas origens, cores e formatos. Amealhou mais de dez mil, muito embora poucos fizessem fé de que haveria tantos assim no mundo. 

Antologia Alma & Gêmea - Beco dos Poetas

Antologia Gêmea - Volume II inclui também um texto meu.

Vejo-te nos meus sonhos!

Vejo-te nos meus sonhos que agora não tenho vontade, O mundo? O que é o mundo senão isto. Fiz ser canção a história que não tem idade, e melhor me surgiste neste sonho meu tão imprevisto.

Viver vale o que vale...

Contei pelos dedos o tempo da minha vida e descobri que me esperam menos anos para viver do que aqueles que já vivi, como se toda a minha existência fosse mais feita do que já passou, do que propriamente daquele tempo desconhecido que ainda está por vir. Já não tenho fôlego para lidar com as miudezas da vida. Não quero estar com invejosos que tentam destruir quem admiram, cobiçando seus lugares, talento e sorte.

Amigo.

N o dia em que completou onze anos de idade, Lucas fugiu a  fechar-se no seu quarto, permitindo que a vontade de abandonar os pais e o irmão, juntos lá em baixo na sala,  em pose de cartão postal, defronte ao seu estranho bolo de aniversário, decorado ao jeito das atividades triviais  dos estrunfes, corresse solta no seu coração, e entregou-se à grata tarefa de contar mais uma vez os seus amigos, que guardava debaixo da cama.

Amo-te!

Amo-te sem saber como, nem quando, de onde, porquê, eu te amei. Amo-te, porque não és pessoa, és vida. Sem idade, sorte ou canseira.                                          Assim te amo, porque não sei, amar de outra maneira. Tão profundamente, além da razão, que a tua mão sobre o meu peito é a minha.                                          Tão Profundamente, que quando adormeces, Desfaleço e durmo o sono do perdão. E ao acordares ainda eu entretinha, o sonho de que nunca me esqueces. Amo-te assim, como lobo voraz, que devora em si mesmo o amor que te ten...

Preciso de ti Aqui.

Se tu viesses ver-me eu era um homem rico, nesta hora do final da manhãzinha. Abrir-te-ia a porta e entraria teu sorriso, pequeno, fresco e belo, aquele que eu suplico, que um dia distante que nem se avizinha, me traga por fim aquilo que preciso.

Finalmente, Paz!

O pequeno conto que poderão ler a seguir, faz parte do projeto: EU AMO ESCREVER organizado pela editora do Rio de Janeiro Livros Ilimitados e pela empresa de moda Cantão . Destina-se a selecionar 10 contos de todos aqueles enviados, para publicação e atribuição de um prémio: Um iPad! Claro, que na fase inicial de pré-seleção, todos os contos confirmados, só passarão à fase seguinte se reunirem um número suficiente de votos populares, daqueles que visitarem a página do Eu Amo Escrever! Conto convosco... Procurem pelo conto Finalmente, e se gostarem do que vão ler a seguir, Votem! Fez mórbidos preparativos naquela manhã, para o desfecho há muitos anos congeminado na sua mente de homem perdido. O Caminho de pedregulhos polidos levava-o a um nicho recatado, mais além da língua de areia da rampa dos Socorros-a-Náufragos, pelo paredão comido por anos e anos de rebentação sistemática, de ondas gigantes de inverno, aí, num cantinho de pescador, Benito, deixou de olhar para ...

As memórias de uma nuvem.

Perigosamente conto as memórias de uma nuvem. Quando nasceu, não mais que um pingo, uma gota, que pingou e respingou, foi levada na corrente e resvalou, caiu bela e dispersa, e quando chegou, por fim ao seu destino, notou... que não tem fim. E subiu, elevada em vapor brumoso, juntou-se a outras, amigas de infância, pingas e pingas e pingas, e gotinhas amigas de correrias, companheiras de rodopios, levadas ao longe por rios, tragadas por tantas águas e mares e por fim, juntas, de novo juntas, na nuvem que passa. Não uma, mas um bando delas, dando o ar da sua graça. E lá ao longe, mais além, eis que se acinzenta todo o céu, e cá em baixo todos fogem ao abrigo. Aquela nuvem, agora fria de tristeza, descobre por fim o fim do seu destino. Não ter um amigo. Cá em baixo, quem a recebe de bom grado? Ninguém, ninguém, nem eu, é assim a natureza. in: " Poemas por Tudo e por Nada " Corpos Editora 2011

Associação Helpo

Este é o Luís Abraão ..! O Luís Aparenta ser uma criança simpática e risonha. Vive com os pais no bairro de Impiri, no distrito de Pemba - Metuge, a cerca de 60 km.da capital da Província de cabo Delgado, Pemba, em Moçambique, numa casa de condições precárias, construída com materiais locais, sem acesso a saneamento básico ou energia elétrica. É uma criança saudável e frequenta a 1ª classe na escola primária de Impiri. Os seus pais são camponeses, e apesar da tenra idade, o Luís também ajuda a família em algumas tarefas do quotidiano. O Pai do Luís inscreveu-o no Programa de Apadrinhamento à distância da HELPO , para que ele pudesse ter acesso a uma instrução regular...e eu, eu Apadrinhei-o. O Luís é agora meu afilhado!    E Graças à Helpo, também você pode ajudar uma criança em Moçambique a esboçar um sorriso tão bonito quanto o do Luís. Experimente! Associação Helpo - Organização Não Governamental para o Desenvolvimento Rua Manue...

Negócios da China.

A imagem que estão a ver, é Zhenjiang, uma cidade na China, conhecida como o lar do Agri-Doce, situa-se na encruzilhada do terceiro maior rio do mundo, o Yangtzé, e a razão pela qual decidi mostrar-vos esta cidade, deve-se ao facto de ser daqui que provêm cerca de 80% dos chineses residentes em Portugal. E o que faz com que estes pequenos amigos amarelos, de uma província do Sul da China venham cá parar em tão grandes quantidades? A resposta é muito simples. Porque podem. Aqui a nossa parvalheira, é um autêntico paraíso para este povo desconfiado e industrioso que chega a trabalhar por vezes, setenta horas por semana, para nos poderem impingir aqueles produtos de qualidade duvidosa que vendem nas mais de 5000 lojas espalhadas pelo país fora. E quantos chineses existirão em Portugal neste momento? Ninguém sabe ao certo, apesar das estatísticas apontarem para 11 mil, no seio da comunidade destes queridos asiáticos, o consenso aponta para mais de 20 mi...

..viajar pela leitura...

O meu "primogénito" - Poemas por Tudo e por Nada -, em destaque no excelente blogue literário da Paula, . .viajar pela leitura..   É sempre um prazer deparamo-nos com estes momentos de puro altruísmo entre quase estranhos. São atitudes destas que tanto incentivam um jovem autor a subir a difícil e longa escadaria deste competitivo mundo da literatura. Um grande abraço Paula e espero que goste da minha poesia. A Ler Poemas Por tudo e Por Nada de Casimiro Teixeira

Sobre os devaneios do Humberto...

"Enquanto fazia um esforço descomunal para conter o movimento arfante do peito, levou aí a mão, certificando-se que a carta do médico ainda se encontrava dentro do bolso interior do casaco depois de toda aquela correria galopante através da ventania. - O que foi? – Inquiriu-lhe a mulher. – Não me digas que estás mesmo mal do coração por causa de uma corridinha sem importância? Humberto amaldiçoou mais uma vez a sua condição de picuinhas. – Se não tivesse que me certificar ela nem teria dado por nada. Maldito crica!

O infinito

Longe de ti, é ermo o infinito, longe de ti, nem há caminho de volta. A saudade é tanta que nem a permito, e a dor corre-me cá dentro solta.

Maldito calor!

Este calor do diabo, derrete-me mais a paciência do que a gordura do corpo. Queima-me mais o juízo do que propriamente a pele. Detesto tudo o que vem em ondas de excesso, e o calor não me escapa à miudeza do ódio.  Como não fui construído num molde preparado para isso, evito-o como a praga que ele é. Abaixo o calor, para o Inferno com ele, que é aí o seu lugar. Que venham temperaturas mais amenas antes que me estoure o cérebro de tanto o odiar. Tenho dito!

Tudo menos isso..

Caro Senhor Meu Deus, Ouvi recentemente um muito alarmante rumor, que me transtornou o espírito. Constou-me que Pensas descontinuar a produção da Mulher, retirando do mercado todo o stock existente. Ora, bem Te sei Todo-Poderoso e Omnisciente, mas Hás de convir que essa Tua decisão, de todas as que já Tomaste desde o Alfa e do Ómega, é a coisa mais digna de apontamento. Sempre fui Teu fiel devoto, e longe de mim, Ó Criador, vir-Te agora questionar por tudo e por nada, mas, logo a mulher Senhor?

The Smiths - Girlfriend in a Coma

A propósito da minha recente actividade nas redes sociais... Tantas saudades destes tempos..

É assim que elas se fazem...

Plínio Monteiro sabia que metade da paz doméstica estava em não a desmentir nunca. A outra metade era um exercício precário de compreensão. Não tinham filhos e suportavam esse lapso da natureza sem se recriminarem. Assim ela o julgava pelo menos. Plínio, mais do que tudo, desejava era deixar semente sua neste mundo, mas ela nunca lhe dava arresto a essa vontade, e escapava-se com mezinhas de fala ao jorro impetuoso da sua intenção.