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Negócios da China.















A imagem que estão a ver, é Zhenjiang, uma cidade na China, conhecida como o lar do Agri-Doce, situa-se na encruzilhada do terceiro maior rio do mundo, o Yangtzé, e a razão pela qual decidi mostrar-vos esta cidade, deve-se ao facto de ser daqui que provêm cerca de 80% dos chineses residentes em Portugal.
E o que faz com que estes pequenos amigos amarelos, de uma província do Sul da China venham cá parar em tão grandes quantidades?
A resposta é muito simples. Porque podem. Aqui a nossa parvalheira, é um autêntico paraíso para este povo desconfiado e industrioso que chega a trabalhar por vezes, setenta horas por semana, para nos poderem impingir aqueles produtos de qualidade duvidosa que vendem nas mais de 5000 lojas espalhadas pelo país fora.
E quantos chineses existirão em Portugal neste momento? Ninguém sabe ao certo, apesar das estatísticas apontarem para 11 mil, no seio da comunidade destes queridos asiáticos, o consenso aponta para mais de 20 mil! A maior concentração destes está em Lisboa (graças a Deus.), mas infelizmente, o principal centro de actividade comercial está localizado na minha querida cidade natal, Vila do Conde. Na zona industrial da Varziela existem 200 grandes armazéns de produtos chineses.
Aqui há uns anos, li um livro de um ensaísta francês, Alain Peyrefitte, intitulado: "Quando a China Despertar...o Mundo tremerá.", a citação pertence a Napoleão, e o ensaio refere-se a impressões do autor sobre a vida chinesa pós-revolução cultural, mas o que achei mais relevante para este artigo, foi o título. Não só eles já há muito despertaram, como já estão em plena fase de invasão. Os chineses são ambiciosos e só são empregados de alguém até à altura de se tornarem patrões de si mesmos, o que normalmente dura entre três a quatro anos.
Nas décadas de 70 e 80, avançaram em Portugal com um Boom na área da restauração, e por volta dessa altura haviam apenas algumas centenas de chineses por cá, praticamente todos com passaportes de Taiwan. O grande advento da invasão, ocorreu por volta de 1990, graças à regularização extraordinária da lei de imigração portuguesa, e aí os restaurantes passaram para segundo plano, dando lugar às lojas de produtos quase Kitsch, de baixo preço e pior qualidade, que aí comercializam. Hoje, não há praticamente aldeia em Portugal que não tenha uma loja de chineses. 
E entre os anos de 1999, ano da transição de Macau para a China, e 2007 o seu número quadruplicou, passando a invasão a firmar-se numa ocupação definitiva.
Parece-me que o negócio principal deste povo, não é vender a quinquilharia que amontoam nos seus armazéns ou o porco agri-doce com arroz chau-chau, mas a si mesmos. A China está tão cheia de chineses, segundo um recenseamento do ano 2000, 1.295.000.000 de indivíduos, que se dedicaram à exportação de recursos humanos para outros países. E por cada chinês que vende a 1€, uma porcaria de plástico qualquer que se parte, mal a colocamos no saco, é menos um português que perde a oportunidade de a fabricar e vender. Poderíamos dizer que é a lei básica do mercado, procura e oferta, mas que povo é este que nos entope os olhos com todo o tipo de parafernália inútil, e depois se fecham em copas quando perguntamos pela garantia? Astutos, irrequietos e desconfiados, estes são os melhores adjectivos que os definem, não param um minuto, e mantêm sempre a reserva, são fechados e quando alguém tenta levar a conversa para assuntos extra-comerciais dizem que não entendem.
E o que lhes acontece quando morrem? Um mito urbano surgiu dizendo que não haviam registos de chineses em cemitérios portugueses, ou seja, nunca foi enterrado um chinês em Portugal. Estranho... 
No entanto: "A comunidade chinesa sente-se ofendida com o boato de que não há registo de óbitos de chineses e de que uma vez morto, o corpo é desfeito na cozinha de um restaurante. Estas são, obviamente, atoardas sem fundamento. O Instituto Nacional de Estatística (INE) possui números de óbitos de chineses. Nos últimos seis anos, morreram 33, um número que, face à dimensão da comunidade, é equivalente aos mortos de outros países. A maioria dos chineses prefere enviar as cinzas dos familiares para a China, mas há também enterros e Liang Zhan dá o exemplo do cunhado Zheng, sepultado em Vila Franca de Xira." esta notícia foi publicada no Correio da Manhã, mas já era tarde, o negócio dos restaurantes foi ao ar, e hoje muita gente pensa duas vezes antes de meter um pedaço de vitela com bambu na boca, mas isto é aqui na Europa, porque lá na China, nem queiram saber. Tanto que durante os últimos jogos Olímpicos, a carne de cão, uma das suas favoritas foi proibida durante o decorrer da competição, de modo a não ofender os ocidentais que tanto apreciam os seus companheiros de quatro patas.
Mas controvérsias à parte, temos muito a aprender com este povo. Os chineses abrem uma pequena nesga no seu mundo e os portugueses começam a perceber que esta comunidade tem mais para ensinar do que a receita do arroz chau chau. A cultura, as políticas, os costumes e as práticas orientais estão a entrar na vida nacional e os seus negócios já são uma fatia significativa na economia. E afinal de contas se são reservados e subtis, faz todo o sentido, o Segredo é a Alma do Negócio, de um Negócio da China.

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