Avançar para o conteúdo principal

Com pássaros na voz


Eram ontem seis da tarde quando o coração se me suspendeu. Nem arritmia nem taquicardia nem palpitações nem nada dos tumultos habituais. Descobri apenas uma gentileza de um estranho. E de tão raros que são estes movimentos autónomos da internet, moveu-me. Alguém decidiu suspender um pouco do seu tempo próprio e criar um vídeo onde faz a leitura de um excerto do meu novo livro: "A Ausência dos Pássaros" depois de o encontrar na minha página do Facebook, onde eu o havia postado.
Foi como ter um peito que não mexe e de repente, sentir o vento que se levanta enquanto o dia assenta. Muito obrigado por este gesto tão bonito Paula Machado, muito.



Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

As Crónicas do Senhor Barbosa III

O Senhor Barbosa acredita que já nada o pode magoar. Nem o desprezo passado, presente ou futuro, nem o cão esgalgado da vizinha, de dentes longos, nem a hesitação insípida do amor mais ou menos alvoroçado, nem a morte, nem nada. Nada mais lhe poderá acontecer de tragédia inventada. Já outros a inventaram por si. Olha para os reflexos e sabe que isto é de uma tal arrogância que até lhe faz doer os dentes postiços. Ri-se e prossegue a acreditar na sua recém-criada fortaleza inexpugnável. Mas, o Senhor Barbosa não fecha os olhos debalde, e sabe que, em tempos difíceis, às vezes é preciso morder a laranja para a poder descascar. Nada significa o que quer que seja até ao dia seguinte, altura em que voltamos a fazer contas à vida. É quando o riso cessa. Sabe isto e mesmo assim ri. Porque não? Está tão bêbado que outra coisa não lhe ocorreria fazer. O que é difícil é ultrapassar a espera pelo dia seguinte. Ali estava outra vez o ruído. Aquele ruído frio, cortante, vertical, que tão bem conheci…

Constante de Planck

Dia sim, dia não, uma beleza antiga.