Avançar para o conteúdo principal

Cápsula do Tempo...


... de um tempo de cabelos armados em excesso de laca e bigodinhos enxutos à 'porn-star' bem fingida no abono das virilhas. Pudendo ter nascido antes do tempo, seria um Fred Schneider ainda mais cromo que o próprio. Tão lindos e bizarros! O Keith, a Cindy, a Kate, o Ricky e o desbragado Fred com o seu olhar constantemente embriagado. 
Queria que fosse hoje a primeira vez que os ouvi, para poder cair para o lado novamente. A estupefacção foi-me injectada. Só dói ter-me esquecido quem me ofereceu o "Cosmic Thing" naquele meu aniversário longínquo. De resto continuo caído em torpor. De espanto somente. De intensificado assombro. 


Fui buscar uns discos antigos e passei uma parte da tarde a ouvi-los. Continuam a pôr-me movimentos involuntários nas ancas e canções na boca que não tem nem um terço do timbre da Cindy para as cantar. Porra! - Quase trinta anos depois ainda me espantam as teias de aranha da má disposição. Isto é coisa de enorme importância para um problema humano que tem o meu nome. Devo ter feito alguma distensão, mas foi uma tarde boa a completar a fantástica manhã. Talvez nem fosse sem os B-52's. Obrigado pela cama desarrumada e o quarto feito em zona de guerra. A minha mãe desaprovava-vos, porém, o que eu não saltei naquele bocadinho de espaço astronómico, convosco, aos gritos. Fi-lo cheio de gosto. Hoje, voltei a fazê-lo.


Mensagens populares deste blogue

O Artista que faz falta Conhecer

Um dia desenhei um rectângulo largo em uma folha de papel-cavalinho, não foi salto nenhum, pois em anos antigos, já me tinha lançado a fazer rabiscos aqui e ali. Em pastel sobretudo, e uma vez cheguei ao acrílico, mas aquilo eram vãs tentativas sem finesse alguma. As artes plásticas são um mistério ainda, e uma das minhas grandes decepções como ser humano criador. Essa e a música. Creio até que terei começado a escrever por me faltar jeito para o desenho e para os instrumentos de sopro.
Assim que voltemos ao meu rectângulo. Esquissei-o de vários ângulos e adicionei-lhes cornijas e janelas. Alguns sombreados. Linhas rectas e perspectiva autónoma, cor e até algum peso acumulado. Longe do real mas muito aproximado deste. Quando dei por mim tinha o Mosteiro (Stª. Clara) desenhado, em traços grosseiros e pôs-me feliz ter chegado ali, até me dar conta que cometera plágio.
O meu subconsciente foi buscar o trabalho do Filipe Laranjeira ao banco da memória, e sem me pedir licença, copiou-o de…

Dia sim, dia não, uma beleza antiga.

Um filho que não se chama assim.

Tenho dois filhos, um tem vinte anos e a outra dezasseis. A explicação estereotipada das abelhas e dos pássaros, das florzinhas...não sei... não funcionou de todo. Talvez por minha inépcia, ou talvez que por enquanto, tenha funcionado melhor num que no outro, resta saber. Os dois juntos são o cão e o gato e ambos insistem que não fazem mal a uma mosca. É verdade. Sou eu quem mata todas as moscas, melgas e aranhas cá de casa, e ainda que em muitos momentos destes anos todos, aqui e ali me parecessem bicharocos terríveis, toda esta experiência vem sendo uma zoologia bonita de amor, repleta de macacadas e aves de voos tristes.
Ou isso, ou então aqui aplica-se aquela velha apologia de que tudo está destinado a encontrar o seu próprio caminho. Tentei ensinar-lhes isto de rosto sério mas eles olharam para mim e desdenharam tudo com um encolher de ombros. Não são parvos nenhuns os meus filhos, e nesta urgência de aprender a ser pai, ensinaram-me eles a constante lembrança de não falar coisa…