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O dia do fim do Circo de Feras


José Pedro Amaro dos Santos Reis "Zé Pedro" (1956-2017)


Fazem-se sempre elegias bacocas na hora da morte de algum artista ou figura famosa ou meramente conhecida. O Zé Pedro, aquele tipo bexigoso, cara de mau e 'perigosamente' tatuado, que tocava guitarra nos 'Xutos & Pontapés' não é excepção. Muito se fala sobre ele no dia de hoje (é tão comum que se acabe sempre a falar destas pessoas no dia em que morrem. Enerva-me isto.) 
O Miguel Esteves Cardoso por exemplo, escreveu assim, hoje, sobre ele: "O Zé Pedro era bem educado e sorridente. A boa educação consiste em tornar mais confortável e agradável a existência dos outros: bem cultivada, é uma forma de bondade. O Zé Pedro tinha essa bondade e, para mais, usava-a bem."
O 'excelso' senhor Cardoso, que aparentemente, parece conhecer toda a gente em Portugal, lá saberá o que diz sobre o que escreve. É provável que fossem ambos mesmo amigos de abraço, não sei. E nem me interessa muito saber. Nunca conheci o Zé Pedro nem o Miguel Esteves Cardoso, e nem tampouco me apercebi dos problemas de saúde que afligiam o primeiro e que, eventualmente o mataram. Só sabia da existência do Zé Pedro como uma espécie de 'Keith Richards' luso, em algum paralelismo inocente que terei feito pelos anos 80 entre os "Xutos" e os "Stones". São coisas da minha cabeça que nunca passariam pela do Miguel Esteves.
A verdade é que não venho para aqui negar o profundo impacto que os 'Xutos & Pontapés' tiveram na minha juventude. As suas músicas marcaram-me sim, e o Zé Pedro esteve lá em todas. Logo, dói-me um bocado a sua morte, confesso-o, mas não me choca ou me põe constrangido. Quase toda a gente (o Zé incluído) sabiam já aquilo que o esperava.
O senhor Cardoso finaliza assim a sua crónica (e aqui admito que o adorei): "O Zé Pedro deixa os Xutos e Pontapés como se continuassem com ele. É obra dele e é obra deles. Obrigado, Zé Pedro, por teres dado tudo."
E é verdade, ele deu sempre. Eu lembro-me.


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