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Mensagens

"Quando a cabeça não tem juízo..."

Pior do que o inexorável desgaste emocional, derivado de motivos, o incontornável descalabro psíquico que, vez por outra, (cada vez com mais frequência) me atira às cordas e me deixa ali, inane, a lambuzar-me na própria saliva que só quer gotejar da boca para fora, só quer aparvalhar-me, retornar-me ao útero. - Maldita boca que nunca se fecha. Malditos dedos doentes do síndrome de se mexerem em cima das palavras. - Pior do que este estado meio catatónico de auto-comiseração, é preocuparmo-nos com o próprio corpo. Como se este fosse o essencial de nós, só porque é visível a olho nu e aparece mais vezes do que deveria em retratos digitais.  Não percebo a necessidade de deter ou limitar precocemente o que a vida acabará necessariamente por fazer.   " A vida encontra sempre um caminho ." Vi esta merda em um diálogo de um filme sobre dinossauros.  E o nosso retrato ali era horrível. Bem feito fazermo-nos devorar pela nossa própria arrogância! A mesma espécie que deriv...

Se foder, fume até lhe explodir tudo.

Esfumar a censura em mau gosto ou censurar o fogo libidinoso?

Valha-me o Theo e o Dizzy, ao menos.

Thelonious Monk Dizzy Gillespie

Fazer excertos é mais fácil que morrer.

(...)  Assim te vi no princ ípio, onde nada nunca est á onde é suposto. Eras uma casa feita em segredo. Todas as casas têm baús misteriosos cheios de cartas de amor em porões de saudade,  escondidos nos escaninhos mais profundos, entre as peças inacabadas de dominós de alabastro,  as colchas garridas da tia louca,  os acessórios do sexo esquecido,  a parafernália do animal morto,  os vídeos descartados ao inferno do digital,  as decorações de natais estéreis,  os livros por publicar... Tantos livros por publicar. Mas, só as cartas de amor, meu amor, nossas cartas,  tantas cartas de Amor desperdiçadas, nesse poço desigual, sobrevivem. Sabes... Em cartas de amor esquecidas nem os bichos vermes ou as coisas encravadas, ou a mais ténue esperança conseguem sobreviver de todas as possíveis maneiras que a literatura lhes reserva. As cartas de amor são a mais nua e democrática escrita inútil já inventada...

Nós também não...

Charles Aznavour (1924-2018)

Dia sim, dia não uma beleza antiga

Diane Lane

"What we've got here is ... failure to communicate"

Paul Newman "Cool Hand Luke" 200 ovos foram preparados (cozidos), para uma das cenas mais emblemáticas do filme " Cool Hand Luke " de Stuart Rosenberg (1967).  Através da sempre prodigiosa  magia  da edição cinemática, Paul Newman teve apenas de ingerir cerca de sete ou oito destes, vomitando-os de seguida para um balde de lixo, assim que o realizador gritava "corta". Os restantes foram consumidos pelo elenco e equipa, o que levou à tumultuosa e famigerada epidemia de flatulência durante as filmagens do dia seguinte. Isto é apenas um insignificante ' fait-divers ' deste extraordinário filme, que deslinda as razões de ser do personagem principal e também a sua ascensão a herói entre a comunidade de prisioneiros muito consistentemente bem construídos a partir do romance de Frank Pierson.  "Luke" é basicamente um perfeito niilista, alguém que deixou de encontrar sentido na existência, e as razões para tal são muito bem esclareci...

Textos Devolvidos I

O homem que sabe interessar-se pelas coisas que os outros desprezam e não entendem vive sempre em um misto de violência e de calma. Tem sempre direito às suas ideias embora não pareça ter à vida que quis para si. Crê que a sua maior parte é um exército de personagens que acabam todos por se encontrar no mesmo lugar onde está. Um vasto descampado repleto de máscaras fotogênicas em decomposição. Tudo o que não se chega a realizar, e que, ilusoriamente acredita ter de aguentar, resistir, sobreviver. Assim, o seu corpo heterogéneo são as suas palavras, que acabam breves, lacónicas, quase demasiado inquisidoras.  Rasga-as mais vezes do que costumava. Alguns trechos perfeitos, muitos inexpressivos, fatalmente desnecessários, como estes que lhe foram devolvidos sem uma nota. Destrói-as, e muitas vezes, ao destruirem-se palavras, mesmo as menos expressivas, alguma coisa em um exército inteiro de almas se acaba e se perde irremediavelmente. É-lhe evidente, contudo, que o desejo d...

Ainda a 'governar' pela sombra dos usados.

Feira do Livro do Porto '18 Foto tirada por uma amiga/leitora Obrigado Olga, muito, muito obrigado.

..."Espaços cheios de gente de costas"...

...O que eu gostava era de me afeiçoar a um motor, ligar a cabeça aflita à ignição, arrancar o corpo erguido, fugir do fim. O que eu queria era escrever, escrever flores impossíveis, peculiares como as palavras de Elsinore. E, em meu redor, alevantada já de toda esta minha perdição, a natureza armar-se-ía de mim, à porta das cabeças de todos os irredutíveis. O maravilhoso Cesariny a dizer o que jamais consigo...

Tiros certeiros na Censura

Robert Mapplethrope "Man in a Polyester Suit" (1980)

Saudades de ver bons Filmes (XVI)

. ..Surpreendentemente devastadores. Tony Musante e Martin Sheen em "The Incident" (1967) Agrada-me sempre descobrir filmes que ainda consigam a proeza de me perturbar sem fazerem recurso aos mais comuns estratagemas. Isto não é realmente exacto, ou totalmente verdadeiro.  Os 'truques' de facto estão lá, as habituais artimanhas facciosas que são e sempre foram marca registada do 'cinema  exploitation ' de série B; a gratuitidade da violência insensata, o argumento devassado, fracos valores de produção, a utilização de actores desconhecidos (apesar de se munir de uma mão cheia de excelentes actores de segunda linha, muito familiares ao espectador mais aficionado, os dois protagonistas: Musante e Sheen, estreiam-se aqui. E mesmo que nunca tenham ouvido falar em Tony Musante - que faz aqui o papel da sua vida - certamente que já ouviram falar de Martin Sheen). Apesar e acima de qualquer género ou estereótipo, o grande espanto deste filme extra...

Kafka à Beira-Mar

O Público de Turbante

Como haveremos de ser felizes entre uma tranquilidade que nunca nos parece normal? - Sentimos uma espécie de inquietação alienante, de pressentimento permanente, de suspeita sobre a realidade material do que nos vai acontecendo e desagradando. E nunca dormimos em sossego e não deixamos jamais a jornada do negrume. O silêncio é a nossa única arma. Não vale a pena a revolta armada, o grito público. Não existimos. Reclinámo-nos na cama e somos prisioneiros das nossas frustrações. Deitámo-nos e só caímos, só nos afundámos mais. Pedimos em voz clara, muito natural, que nos sejam atendidos os pedidos mais desafogados de todos. Um enxovalzinho estendido em nossos braços que entregamos constantemente. Rejeitado, rejeitado, para sempre recusado não obstante o potencial (aparente) interesse. E temos dias de procrastinação absoluta por medo de sermos inconvenientes e outros maiores, longuíssimos, onde as lágrimas nos sulcam os rostos que são tão humanos como os de qualquer um. Temos até ...

Poema 15

(...) Tardámos sempre em frente das palavras como um muro de rosas afiadas crescendo diante da nossa janela. E os olhos já nem se sentassem ali aguardando os anjos do futuro navegando à deriva por este presente baço, um espelho antigo, de cabeceira que nunca nos devolverá exactos, ou melhores do que fomos quando reunimos a nossa poesia toda em um beijo único. (...)

Na Mouche

A armar-me em Pessoa

Último café no Martinho da Arcádia antes do concerto dos Camel...

Poesia Fantasma

Novo Livro, para ser esquecido de igual forma... " (...)  E ste poema sobre o que s ó a mim me interessa daqui para diante, quando os estranhos j á  o tiverem lido, receber á  uma chamada de telefone do exterior. Caro senhor: parece que as ondas j á se  foram todas, sem entender o que o senhor diz fique mais em terra, sossegado que o mar, picado contra o seu favor n ão quer saber de nada do que o senhor quis. Assim, na soma geral das coisas onde se junta a sua pequena litania em contram ão é tudo inútil e sem juízo, como rid ícula é  toda a sua express ão. Acredito, por ém, que os s eus sonhos como os meus, serão a passagem para dois que comprei para o para íso, ou quiçá... n ão! (...) " "Todos os Fogos são Fevereiro" Poesia - 2017 - AutoPublicada. https://www.bubok.pt/livros/11520/Todos-os-Fogos-sao-Fevereiro

Saudades de ver bons Filmes (XV)

... maravilhosamente misteriosos!

O Interesse da Solidão

A solidão, de todas as marcas de fogo que carrega o ser humano, é, indubitavelmente, a mais perturbadora. Lembrem-se todos: sois filhos dos vossos pais. Sangue de ferro, coração de gelo... carcaça de geleia, polme infinito.... Intermitência da vida antes e depois. Somos todos tão inconsequentes pelo que fazemos para chegarmos onde estamos. - Escreverá algum dia alguém um livro sobre nós? Ainda estou para fazer 50 e já tudo me soa a tragédia. Isto é solidão! Fico doente só de pensar, como se a própria ideia me aleijasse fisicamente. Envelhecer não é uma coisa boa para pessoas como eu. Lembra-me o Céline a dizer: "Se envelhecer cedo demais..." - Só isso. Beber, beber, beber...ostras fumadas aos feriados, corações de alcachofras por acaso e chocolate belga a enojar-me a fobia aos Domingos, Meu Deus! Perdido em um mar cintilante de solidão humana, encontra-se um pequeno lugar da cor do chumbo. Não é a minha nem a tua, é. Porque a solidão nunca quer ser, mas acaba por ser ...