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Mensagens

O Orgasmo de se ler é bom.

Ler livros de golpe é uma exaltação sem igual. Uma fúria imensa a roer-nos o corpo. Uma vontade de liberdade a vaguear pelos abraços que queremos dar, mas que, por estarmos tão distantes, não conseguimos dar juntos. Abraçamos o vácuo em vez das pessoas normais. Enlaces solitários das coisas que adoramos, e que só assim podem ser, por vezes . O Ambiente criado é fantástico. Sentimos aquelas ruas e aqueles medos que assomam às janelas das praças desertas, dos comboios parados, das casas inconcebíveis. As esquinas escurecem-se. Os olhares acomodam-nos mais do que imaginaríamos. Ler estes livros parece uma vida que nunca é nossa mas, é tão parecida que sentido-la assim, é. Igual! Veio-me à memória um filme enorme que vi no festival preto-e-branco do Jaime, e onde tive a possibilidade inaudita de estar a tomar uma cerveja com o realizador.  Os momentos, são tão nossos, quanto os fizermos. O resto é vida. O resto é só vida. Só Vida!

Solidão.

O Princípe era a chuva mais púrpura de todas. Nem me atrevo a colocar aqui uma música sua, tal é a solidão da sua partida. Cada um chora mais ou menos. No fim de contas, acabamos todos a chorar as mesmas perdas. Só a côr das águas que vertemos é que nos distingue. Não é a morte que é injusta, são as lágrimas. São as lágrimas poucas.

Um dia o Jim Morrison perceberá isto.

O fim da manhã deste último dia poderá ser só um quarto. não vejo melhor forma de lhe contar os inevitáveis desencontros, entre fazer as camas, dar de comer aos gatos e preparar o pudim de pão para o jantar de logo mais, com desconhecidos de verdade, a mesa inteira povoada de desconhecidos. Alongada, não, redonda, não, oval... talvez (não). O princípio de tarde deste dia será uma perfeita cidade. As ruas molhadas, as belas donas de cães estranhos a passearem-nos e nos canteiros públicos, indigente, entre tanta merda, a relva continua por aparar. Ergo-me da periferia dos últimos dias demolidos, e procuro a razão deste fim, entre as calças penduradas ao través nos cabides desalentados, e as toalhas de banho que apanho do chão. Chamo-te pela casa vazia como se rezasse ao nosso mar. Serei sempre um homem rude, e estes acabam assim, destruídos. Tu já deverias saber que só assim poderia acabar. Deixas-me publicar este desconforto exposto em osso ao assédio social? Meu Deus!...

Porque me apetece dizer coisas assim...

Sinto-me meio engolido pelo tédio, e ainda nem são dez da manhã.  Sento-me aqui e observo o mundo feito de formas geométricas coloridas. Rectângulos e quadrados, ao alto e deitados, a correrem rápidos, correm todos tão depressa, que alguns nem chego a ver.  Estou a envelhecer, certamente que estou. Que necessidade a nossa de afirmar o inadiável como se fosse uma novidade. Parece que aqui envelheço mais rápido. - Um amigo disse-me há dias, que devo de aproveitar a vida, pois um dia morrerei. - Fiquei chocado com essa constatação, ainda mais vinda de um amigo.  A necessidade de convívio é imperativa, toma-me à força contra todas as evidências. Necessito-o já, antes que a avalanche do tédio me engula por inteiro.   Quando comecei a escrever coisas por aqui, pensei que isto poderia vir a ser uma boa redenção ao assombro desconhecido que sempre me perseguiu. Até me aperceber que muitas pessoas foram ficando indiferentes com o passar do tempo. É sempre muito ma...

Vai chamar tolinho a outro...

                                                        "The Fool On The Hill" Day after day, alone on the hill The man with the foolish grin is keeping perfectly still But nobody wants to know him They can see that he's just a fool And he never gives an answer But the fool on the hill Sees the sun going down And the eyes in his head See the world spinning around Well on the way, head in a cloud The man of a thousand voices talking perfectly loud But nobody ever hears him Or the sound he appears to make And he never seems to notice But the fool on the hill Sees the sun going down And the eyes in his head See the world spinning around And nobody seems to like him They can tell what he wants to do And he never shows his feelings But the fool on the hill Sees the sun going down And the eyes in his head See the world spinning around He never ...

A Páscoa é só um dia estranho

... o resto dos dias é igual! Annibale Carracci (Italy,1560-1609), "Dead Christ"

Mais tarde ou mais cedo acabamos todos putas! ou (como me tornar muito rapidamente o próximo Salman Rushdie)

Todos os muçulmanos e muçulmanas deviam saber isto. Acredito que a maioria até já o saberá, mas assobiam para o lado para não parecer mal. Já agora, o resto da malta também. A burka, traje islâmico inteiriço, toda a gente já sabe como é, cobre o rosto e o corpo da mulher. Adiante.. O que me interessa para o caso é este pequeno fait-divers que li sobre o assunto (e que, sem confirmar ou desmentir sobre a sua veracidade, admito que me interessou sobremaneira) Trata-se daqueles micro-relatos históricos que têm tudo para parecer verídicos, contudo, pelo caracter inverosímil que aparentam, acabam sempre por deixar extremamente cépticos. Reza a estória, que na antiga Mesopotâmia, em homenagem à deusa Astarte , santa padroeira do amor, da sexualidade e da fertilidade, todas as mulheres - sem excepção - tinham de se prostituir, uma vez por ano, nos bosques sagrados, ao redor do templo consagrado à deusa. Para cumprirem este preceito sem serem reconhecidas, as mulheres d...

A lucidez tem destas coisas circulares...

(...) "Com o passar dos anos, e com o peso da podridão que o comia por dentro, afastou-se gradualmente de tudo isto. Só dava valor aos filmes, aos malditos filmes! Já não fazia amor com a mulher, já não lia, já não saía com os amigos, já nem dava atenção aos filhos, só aos filmes. Eram estes que o prendiam casa, que lhe dominavam o espírito, e só estes o satisfaziam." (...) Casimiro Teixeira "A Lucidez Desentendida" Conto - Edição de Autor - 2011 http://www.bubok.pt/libros/3964/A-Lucidez-Desentendida

Dia Sim dia Não uma Beleza antiga

Lana Turner

Sabedoria Americana ou Como sair de Casa de vez para me tornar Marinheiro.

“ Daqui a vinte anos, você não terá arrependimento das coisas que fez, mas das que deixou de fazer. Por isso, veleje longe do seu porto seguro. Pegue os ventos. Explore. Sonhe. Descubra .”  – Mark Twain

A foder estereótipos como um Senhor.

Ser amigo de alguém como eu, não é para os fracos de espírito.  Confesso-o: Sou misógino e desagradável ao trato simples. Eludo-me de todos e resguardo-me sozinho, eviscerado por terrores antigos de decepção catastrófica. Ainda escreverei algo sobre os amigos contrários às deserções em massa. Os indómitos resistentes. Os gigantes da minha vida, os abraços desprendidos carregados de palavras à justa. Fora do normal êxodo da psique medrosa, está a amizade como eu a encaro. Demasiado longe, para sucumbir à comum pressão das frases feitas. Tão perto contudo, que até lhe sinto o bafo diário. Aqui há uns anos, o rapper luso, "Sam, The Kid" lançou uma música deliciosa intitulada: " Poetas de Karaoke " - Troque-se Poetas por Amigos, Karaoke por Facebook e vai dar ao mesmo. Uma maravilhosa e franca denúncia à demasiado comum separação entre; AMIGOS e " amigos com vista a conseguirem algum proveito futuro face ao interesse demonstrado a estes, e também à ded...

O Silêncio como Maravilha

Um inegável grande poster, mas não somente por ser sobejamente conhecido. Não sei se já pensaram no posicionamento do bicho medonho, a traça da morte, directamente sobre os lábios, a boca da actriz Jodie Foster? As suas ramificações vão muito além da mera referência aos crimes do personagem " Buffalo Bill ", mais reflectem o passado tortuoso da personagem interpretada por Foster, A Agente Starling , incapaz de comunicar facilmente ou de se resolver a si mesma, interiormente. Neste poster deparámo-nos com um designer que compreende quando é a altura de subjugar a tipologia iconográfica à imagem em si, e que, também entende profundamente como fazer pleno uso da cor para ênfase. Não sei se alguém realmente lê ou não estas tretas que eu para aqui escrevo, mas digo-vos que esta imagem, este poster, mexeu, e mexe ainda muito comigo. Daí tê-lo ressalvado sobre milhares de outros, quiçá, ou até certamente, bem melhores. Gosto imenso deste filme, e a razão para o ter quer...

Chorar só parece bem às nuvens.

Mesmo após ter feito o apelo de que já lá não estou, mas que ainda existo, por não estar presente na audiência diária do Facebook, ainda assim permaneço ausente das vossas memórias. Eu sei, isto tudo parece muito confuso não é? - Quero ou não quero que me encontrem e que me integrem? - Os textos, os poemas, as imagens, a atitude niilista, tudo aponta em contrário, mas não, ensinaram-nos a ser opostos à verdade. Impregnaram-nos de ironia e sarcasmo, e agora, medíocres ou excelentes, já nem conseguimos convencer um cego a querer ver. Reitero: o meu email é; "neomiro03@gmail.com", o meu número de telemóvel; 934317911, e a minha casa é aqui, por agora. Tenho sempre tanto para dizer. Apareçam e digam vocês qualquer coisa. Estranhamente, sinto a vossa falta.

Dia sim, dia não, uma beleza antiga.

Anita Ekberg

Oh Lucille que fizeste tu?

A equipa de produção da série "The Walking Dead" não tem nada de estúpida. Claro que sabem que neste momento, milhões de fãs se encontram roídos de ansiedade com o estonteante final da mid-season 6, sobretudo com Negan, quiçá o mais perfeito vilão em toda a série, mas estão perfeitamente cientes sobre o que andam a fazer: As pessoas andam a falar sobre o assunto!  - Atenção que se ainda não viu o episódio da última segunda-feira este texto vai-lhe estragar o suspense. - Quem terá sido o infeliz, e querido personagem, que " Lucille " (este é o nome que Negan atribuiu ao seu taco de baseball de estimação, a sua arma preferida, incrustada com arame farpado), terá sido transformado numa espécie de polpa disforme de carne, sangue e ossos esmigalhados? Alguns sugerem ser possível alinhar o ângulo de onde Negan se posicionava, para determinar a sua vítima. Outros apontam que a sombra que percorre o rosto do Rick sugere que seria alguém à sua esquerda (Maggie...

O Erro Fatal de Humberto

Foi um erro ter aprendido as palavras. Renuncio-as todas agora, por ser já incapaz de as desaprender. Disponho-me a viver o que me resta, num mundo fictício, onde nada, jamais, signifique o que me apetece dizer. Faço esta promessa modesta, até que por fim, as mais belas palavras de todas, se juntem, e jurem alguma engenhosa e feroz vingança, contra mim. Deixem-me aqui no fundo desta alucinação, tenho esta minha loucura indelével, que já nem suporto. É como se caminhasse vendado, sem esperança de digna execução. Já não me importo, se os mais quietos sentidos de todos, me tolherem, ferirem, me fizerem sangrar. Também não me farão diferença as lágrimas de olhos mais rudes que os de uma criança. Temo apenas o erro que me fez começar. E é uma maravilhosa justiça que o final a mim me pertença. A tragédia que me escorre de tão medíocre língua, é onde mereço acabar. Entrego-me a ela, simplesmente, ansioso por ficar invisível, depressa, depressa, depressa... quanto...

Tomem lá Urtigas Voadoras

Nem o homem foi feito para voar, nem tampouco para deixar de ser Homem!  O desconforto óbvio da depressão mata-nos aos poucos, mas não nos destrói de imediato. É a ignorância dos grandes que acaba por servir o propósito de nos criar a resiliência necessária. Não nos mata, insiste, e a sua insistência é o motor principal. Cada desilusão exclui e faz crescer, faz crescer a vontade de não estar ali, nessa posição de queda. Ninguém disse que haveríamos todos de sobreviver graças à excelência. Alguns resistem apenas porque sim.

Antes queria que um Dinossauro me fosse ao cú!

O Povo diz sempre coisas muito bem ajustadas às determinadas situações, derivadas de milénios incontáveis de sabedoria popular acumulada. Exemplos são desnecessários aqui, pela sua redundância. Cada um integra o seu próprio povo interior, e por isto mesmo, cada um também açambarca a sua própria sabedoria hereditária. Mas isto só vale se distante do "dia das mentiras" - por isso escrevo-o hoje e não ontem - Cada verdade pessoal necessita dessa distância ao teatro comum dos dias enganadores, que, infelizmente, já nem se restringem apenas ao 1º de Abril. O Facebook (odeio-o ou odeia-me ele) é o melhor exemplo desta coisa insidiosa de se dizer sem alma de sabedoria passada, sem a constância de uma observação prolongada. - Diz-se. Dizem-se coisas e até há quem as justifique depois, por acreditar que uma justificação vale pela verdade, por trás da encenação primária do que foi dito de início.   Esta estória de validade ignóbil, está repleta de campeões e detractor...

Diário ----- (Parte IV) - A Metamorfose é um bicho Egoísta e feio.

Meditava para algum lado, sustenido entre os novos dentes, por fim ancorados, a odiosa  barba crespa e a praça viciada pelo seu olhar do costume. Lá fora, só via pessoas metidas para dentro dos seus pensamentos, como se se atrevessem a ignorá-lo deliberadamente.  A ele! Sim, a ele, um futuro de glória possível, sendo preterido daquela maneira, como se de um passado ultrapassado se tratasse. - Não podia ser! - Certos estômagos metidos nas suas próprias infâmias não nasceram para isto. O Mundo empurrado ao seu próprio rumo, e as suas pessoas só metidas em si, como se ele não estivesse crivado ali à janela? - Um novo-Cristo ignóbil, habilmente devastado pelas fomes consumidas em si mesmas. Quem se terá lembrado disto?  A lata de certos estranhos! Todas a viverem sem a devida necessidade subalterna, cada qual e cada coisa como epicentro de tudo só deles, que nojo! Os olhos implodiam-se-lhe, a garganta entupia-se com um vómito venoso imparável. A mera ...

Sir Hitch Forever

Isto não há-de ser só para férreos aficionados, julgo eu, só para aqueles cinéfilos de quatro costados que ninguém ousa levemente questionar, ou muito molestar, com receio das consequentes chicotadas. Hitchcock conseguiu a proeza, ainda durante o seu tempo de vida, de se tornar um dos realizadores simultaneamente mais comerciais à época, sem perder nunca o rumo da boa selecção das histórias que decidia filmar, fazendo-o com uma mestria sem paralelo, dentro do seu género de eleição. Deste modo, atingiu o mais alto patamar da sua classe; deixou de ser um simples realizador empregue aos desmandos dos Estúdios, como assim aconteceu em Hollywood até meados dos anos 60, e tornou-se um cineasta para a eternidade.  Os seus filmes tem sido estudados e revisitados com frequência. Alvo de diferentes interpretações e publicações, seja em livro ou na forma cinematográfica. - É que, há tanto para se avaliar em algumas das suas obras-chave, que parece nunca se esgotarem os possíveis argum...