Avançar para o conteúdo principal

Mais tarde ou mais cedo acabamos todos putas! ou (como me tornar muito rapidamente o próximo Salman Rushdie)



Todos os muçulmanos e muçulmanas deviam saber isto. Acredito que a maioria até já o saberá, mas assobiam para o lado para não parecer mal. Já agora, o resto da malta também.
A burka, traje islâmico inteiriço, toda a gente já sabe como é, cobre o rosto e o corpo da mulher. Adiante.. O que me interessa para o caso é este pequeno fait-divers que li sobre o assunto (e que, sem confirmar ou desmentir sobre a sua veracidade, admito que me interessou sobremaneira) Trata-se daqueles micro-relatos históricos que têm tudo para parecer verídicos, contudo, pelo caracter inverosímil que aparentam, acabam sempre por deixar extremamente cépticos.

Reza a estória, que na antiga Mesopotâmia, em homenagem à deusa Astarte, santa padroeira do amor, da sexualidade e da fertilidade, todas as mulheres - sem excepção - tinham de se prostituir, uma vez por ano, nos bosques sagrados, ao redor do templo consagrado à deusa. Para cumprirem este preceito sem serem reconhecidas, as mulheres da alta sociedade acostumaram-se a usar um longo véu para esconderem a sua identidade. Aha! Ecce Burka!

A narrativa prossegue, afirmando que Mustapha Atatürk, fundador da moderna Turquia (1923 – 1938), no quadro das profundas e evolucionárias reformas políticas, económicas e culturais que introduziu no país, desejoso de acabar, de uma vez por todas, com a burka, serviu-se de uma brilhante astúcia para calar a boca dos fundamentalistas da época. Promulgou a seguinte lei: Com efeito imediato, todas as mulheres turcas têm o direito de se vestirem como quiserem. No entanto, todas as prostitutas devem usar a burka.

E a burka desapareceu da Turquia! 
(Na verdade, não foi bem assim, pois já lá estive e vi-as claramente pelas ruas, como modernas assombrações em grosseiros tecidos. Contudo, sendo a Turquia um país muçulmano, quase que nem se apercebe de tal, excepto se quisermos visitar uma mesquita ou pedir uma cerveja em algum café. Quanto às burkas, encontrei-as com alguma dificuldade tal a parcimónia, e as que vi, foram na cidade de Konya, no interior profundo da Anatólia. Em Antalya nem lhes vi rastro.)


Não seria perfeito se alguém se lembrasse de aplicar uma lei dentro destes mesmos astutos moldes, mas mais pertinente com esta barbárie ideológica terrorista?
E o terrorismo fundamentalista desapareceria do mundo. Pumba!

Amanhã ou depois apareço nas notícias. (Quem é que quero enganar? Se nem o mais chegado dos ombros por aqui anda, quanto mais o Daesh!)

Mensagens populares deste blogue

Jorge Machado

Ninguém nunca sabe ao que vem, viver é um ensaio. Dão-nos o que fazer e coisas para que acreditemos e depois ficamos à solta. Dão-nos o nós e a vida de barro, mas há quem faça o que bem entende gostar de fazer. E até há quem o faça muito bem. Ninguém nos explica direito, em pequenos, que as coisas mudam e partem e ausentam-se, e que antes de aqui chegarmos, já o seríamos, mas que tudo se cria e que tudo se nos pode escapar. Carecemos de um olho arguto e atento para captar o que mais conta, até à eternidade. Eu, por boa sorte, tenho um amigo, que por sorte também é o meu melhor amigo, que entende muito bem que há tempos de equívocos, de medo e de combate. Que o mundo, de tão duro e belo até ao fim é mais colectivo se for partilhado em imagens, que nos deixem estarrecidos. O Jó sabe disso de querermos ser felizes, nisso somos mais que irmãos.  E desde catraios entendi nele, o seu lugar exacto. O seu carácter metódico, rigoroso é a pedra de toque da sua vida e da sua paixão, a fotografia. …

Dia sim, dia não, uma beleza antiga.

Peido, logo existo!

Hoje, o Homem exalta-se a si mesmo constantemente.

Confesso que nunca me pensei como um moralista de bastidor, daqueles provedores de sofá que despejam dislates em frente ao televisor, e depois, insatisfeitos, rumam às redes sociais a mostrar ao mundo como a cabeça lhes chegou aos dedos. Ontem apercebi-me que sou. É uma idiossincrasia quetalvez me tenha chegado com a idade. Certas noções de certo e errado começam finalmente a assentar cá dentro.  Todos sabemos sobre o terrível incêndio, sobre as vítimas, a indefinição de culpabilidade, os deslizes da, por vezes, muito pobre comunicação social que os acompanhou. Todos já sabemos tudo sobre isto, demasiado quiçá. Por altura destes tempos imediatos, nem o mero escapar de um gás de algum mosquito se livra do escrutínio continuado e multi-interpretado. É assim que são as coisas agora. Muito úteis a espaços, em momentos e situações que de outro modo passariam despercebidas da maioria, como revoluções, catástrofes, violações dos direitos hu…