Avançar para o conteúdo principal

O Orgasmo de se ler é bom.



Ler livros de golpe é uma exaltação sem igual. Uma fúria imensa a roer-nos o corpo. Uma vontade de liberdade a vaguear pelos abraços que queremos dar, mas que, por estarmos tão distantes, não conseguimos dar juntos. Abraçamos o vácuo em vez das pessoas normais. Enlaces solitários das coisas que adoramos, e que só assim podem ser, por vezes.
O Ambiente criado é fantástico. Sentimos aquelas ruas e aqueles medos que assomam às janelas das praças desertas, dos comboios parados, das casas inconcebíveis. As esquinas escurecem-se. Os olhares acomodam-nos mais do que imaginaríamos. Ler estes livros parece uma vida que nunca é nossa mas, é tão parecida que sentido-la assim, é. Igual!
Veio-me à memória um filme enorme que vi no festival preto-e-branco do Jaime, e onde tive a possibilidade inaudita de estar a tomar uma cerveja com o realizador. 
Os momentos, são tão nossos, quanto os fizermos. O resto é vida. O resto é só vida. Só Vida!

Mensagens populares deste blogue

Dia sim, dia não, uma beleza antiga.

Peido, logo existo!

Hoje, o Homem exalta-se a si mesmo constantemente.

Confesso que nunca me pensei como um moralista de bastidor, daqueles provedores de sofá que despejam dislates em frente ao televisor, e depois, insatisfeitos, rumam às redes sociais a mostrar ao mundo como a cabeça lhes chegou aos dedos. Ontem apercebi-me que sou. É uma idiossincrasia quetalvez me tenha chegado com a idade. Certas noções de certo e errado começam finalmente a assentar cá dentro.  Todos sabemos sobre o terrível incêndio, sobre as vítimas, a indefinição de culpabilidade, os deslizes da, por vezes, muito pobre comunicação social que os acompanhou. Todos já sabemos tudo sobre isto, demasiado quiçá. Por altura destes tempos imediatos, nem o mero escapar de um gás de algum mosquito se livra do escrutínio continuado e multi-interpretado. É assim que são as coisas agora. Muito úteis a espaços, em momentos e situações que de outro modo passariam despercebidas da maioria, como revoluções, catástrofes, violações dos direitos hu…

A Sorte posta a Nu

Excerto de um dos contos do meu último livro: "Estórias de Amor para Desempregados
 - Se quiserem, se tiverem tempo, paciência, curiosidade, loucura sadia ou se forem simplesmente audazes por natureza, cliquem no link e descubram-no. Só se vende aqui, desculpem! Eu tento, mas não tenho estofo nenhum para o marketing, nenhum. Escrevo o que me apetece e não desisto disso. Ao menos uma parte da minha vida parece-me indestrutível. Espero que gostem. (bolas, isto soou tão desesperado!) Se não gostarem digam-me porquê. Preciso de contacto humano, sobretudo se for construtivo. Se gostarem, digam-me na mesma. Preciso também de qualquer tipo de provocação sorridente. -
(....) Começou com um grito inenarrável da Josefina. Um grito estridente de vitória que pareceu inoportuno, quase despropositado, embora totalmente justificado. E foi como se o céu rebentasse. Terá sido somente a constante falta de oportunidades que nos assolava a todos, que o fez destoar daquele silêncio pegajoso d…