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Mensagens

Sobre aquele sábado

Os meus pais ensinaram-me que se estudarmos muito, e lutarmos com dignidade, chegaremos a algum lado, a qualquer lado, não importa onde, desde que continuemos a acreditar podemos sempre consegui-lo... Penso que nenhum Governo do mundo tem o direito de nos tirar os sonhos da infância, nenhum mesmo! Foto: sapo notícias  

O primeiro dia importa.

Suspeito que me acerquei de uma coisa importante; uma conspiração indizível que me transportou indolente até ao passado: são os filhos que nos educam. - Banal? Eu não sei bem. -  Eles não se limitam a abrirem os limites da imaginação, como se conta, saqueiam-na sem cerimónias.  Que ideia extraordinariamente maquiavélica essa de aguardar pelo momento em que nos entregamos languidamente aos momentos dos filhos, em vez dos nossos. Caídos de cabeça aberta, naquele fosso inocente de sonhos tão vivos, como se deliberadamente no deixássemos cair numa emboscada de onde saímos felizes,  mas vazios de tudo o que era intimamente nosso. Seria certamente o último e derradeiro instinto altruísta? Talvez. Eu limito-me a chamar-lhe de amor incondicional. - Que coisa tão bela, e tão rara ao mesmo tempo. - E o mais sinistro é que fechamos a própria alma, onde nos lemos sozinhos diariamente, e avançamos somente, glorificando estes pequenos ladrões, pela sua magnífica capacidade de saber...
Se tu fores o meu céu, eu serei a tua estrela.

Um beijo no escuro

Quando alguém como eu se apaixona, as equipas do tempo fazem escalas de propósito, pelo esquecimento, e a tristeza enche-se de pequenos milagres. Até o medo ganha coragem, e nem a morte sai da sua cova. A paixão espontânea é um prenúncio grátis, uma janela aberta para a árvore da vida. Um feito imenso, um sentimento, um frenesi de mãos e lábios e perdição, uma proeza! Quando alguém como eu se apaixona. é uma bonança quase insuportável, um exercício contra a má-sorte. Vêm-se os corpos como eles são ao contrário da vista que sempre os viu. Abertos ambos na clausura do mesmo espaço, existe uma distância de silêncios, entre as tuas mãos e as minhas. Uma fronteira de palavras por dizer, entre os teus lábios e os meus. E algo que brilha vez em quando, entre os nossos olhos. Quando alguém como eu se apaixona, quer ser todos os homens que eu não fui, e já não sou nem posso ser, e isto por vezes nem é mudança, mais não passa de mera inveja...

Alguns momentos mais ao Sul

Poema 9

Não vendo a alma ao diabo pela glória, como se a letra impressa me fosse mudar. Nem ofereço um só minuto desta história, à força obrigada de a contar Algo diferente e novo nunca me desagrada. Meu coração está pronto para a liberdade. Para quê ser uma mentira alada, se posso ser simplesmente a verdade?

E tu, o que vais almoçar hoje?

Proposta para o almoço: percebes... Percebes?

Cabanas de Tavira

Aterroriza-me o espaço intermédio entre a luz e o nada.
Depois de uma manhã tão bem passada a tentar apanhar caranguejos, pequenos peixes e conquilhas duvidosas, em poças de água tão tépida como a minha disposição, concluo:  A água turva não mostra os peixes ou conchas em baixo; o mesmo nos faz a mente nublada. 

Procura-me no Sol

Uma manhã perfeita, eu estava só, ouvindo a chama do Verão, à deriva, só à deriva... Caía sem peso, flutuando nesta neblina dourada, respirando os sons azuis do céu, repletos de memórias de outros dias. E no meu sonho era um jovem, e sendo jovem queria ser melhor. Com flores na boca e nos meus olhos, flutuando apenas nas cores do céu, procurando as estrelas e os anjos. Transformado pela subida, olhei para baixo e vi o mar. Aí tracei em acalmia absoluta, os contornos do teu rosto. Nuvem do céu, que pareces, um burburinho de água. Leve sonho que me carrega, por seres tão minha, como a nuvem é do vento. Não faz mal... Cantei depois, no recolhimento, das memórias de outros dias. Empurrei para cima o céu, e no meu sonho era criança. E sendo criança queria ser melhor até desaparecer no teu Sol. Casimiro Teixeira 1998

A casa da Baía do Tigres

(...)  Era um lugar frágil e sentimental, de tangos e boleros que tocavam por dentro das paredes e se ouviam à noite só em sonhos. Quem lá morava enlouquecia lentamente até fazer parte dele. Era um lugar feito de muitas loucuras, que tossia e suspirava e arrepiava-se às vezes. Pareceu-nos o lugar certo para nós. Ao acercar-nos, o céu tingira-se de púrpura com franjas alaranjadas, e o mar exsudava um odor a gardénias que nos inebriou os sentidos. Linda envergava um vestido leve, quase transparente, de cor lilás, e a sua beleza simples, parecia fundir-se com a do próprio entardecer. Mesmo antes de alçarmos a escadaria de madeira da entrada, já estava convencido. Seria ali que nós ficaríamos, para sempre. Em frente, o Atlântico embalava sonhos com o seu restolhar lânguido e perfumado, a própria mansão alardeava um tom suave de beleza que serenava o espírito. Apesar do seu aspecto delapidado de catedral em ruínas, clamava por vida em cada nicho, cada divisão. A rodeá-la cresci...

Calma preguiçosa

Deixem-me o sonho! Deixem-me o sonho! Sei que veio já a manhã desperta, e porém,  sinto só acalmia pelo meio. Vagueio solto por um lugar onde nem ponho, nem disponho de vontade certa. Aqui soberana, a preguiça tem, o poder final do seu enleio.

Hollywood: Um filme sem história.

Deixei de ver filmes de Hollywood. Decisão consciente, e tomada em definitivo, sem hipótese de retrocesso. Existem excepções, eu sei, mas até essas as desconsidero. O rácio de toda aquela artificialidade de vidas filmadas, cada vez mais me incomodava, e proporcionalmente me diminuía o interesse pelas histórias contadas. Via cinema e esquecia-me de seguir o enredo. Isto perturbava-me por demais, pois quando saía da sala de cinema, quando desligava o dvd ou a televisão, tomava consciência que havia só reparado na perfeição absurda dos dentes, na frieza insistente dos olhares, ficando desarmado pelo explosivo, inquieto até.  Os gestos canónicos de sempre cativavam-me e no fim entre os que morriam e os que se apaixonavam não havia ali mais nada. Era uma perfeição improvável.  Não podia ser! Revoltou-se-me a vontade. " O cinema é verdade vinte e quatro vezes por segundo." Foi Jean-Luc Godard quem o disse, não eu, porém, estou certo de que mudaria radicalmente esta fr...

Banho de Verão

Hoje deu-me para os banhos zen...estou a entrar no espírito livre do Verão. Que bom! - Férias....
Recordas a primeira vez que te disse que te amava?                                                    Chovia tanto e tu nem me ouviste. Espirraste e tive de o repetir. Eu disse: Amo-te! Eu disse...e tu não disseste nada. Ergueste as mãos ao meu olhar brilhante, e vi a chuva a correr pelos teus dedos. Depois beijaste-me e disseste:  Se tu morreres, se tu morreres... também eu morro. Só no dia em que tu disseres. Só nesse dia. Diz-me: Sou tua para sempre, para sempre. Diz-me!                                   Se tu morreres, repetiste, se tu morreres também eu... depois juraste-me que serias sempre minha  e que eu seria sempre teu. Recordas a última vez que te disse que te amava? Estávamos quentes e seguros no nosso mundo perfeito. Boc...

Esta dúvida sempre presente nos teus olhos...

" Estas coisas funcionam assim, em vagas: por vezes, não há nada, deserto total, noutras vezes chega tudo ao mesmo tempo. É assim com a consideração, como é assim com os amores, com a sorte e com os acasos em geral. Pelo menos, é nisso que acreditam os supersticiosos como eu." excerto do livro (por publicar) "Duas Vidas sem Importância"

Apetece-me tanto que tenhas razão Alberto

" Editar este autor (Casimiro Teixeira), "condenado" a ser esquecido, o que o levou a fugir dos seus semelhantes, o privou de pertencer a qualquer estatuto, literário ou outro qualquer, desta sociedade hostil à independência, parece ter sido  tarefa de muitos, não sei bem explicar porquê, mas sei que foi assim. Percebi-o quando li o seu livro e depois lhe tentei acompanhar o percurso. Não poderia nunca ser um grande sucesso, não neste país, nunca neste mundo. O que é pena, pois é um livro inteligente, o que pode significar que o seu autor também o seja, e só espero que a redenção do tempo me venha dar razão. " Opinião do leitor Alberto Moreira, sobre o livro "Governo Sombra" Obrigado.

Os dias mais interiores

Andamos por aí blindados, brincando nas ruas, e nas mesas dos cafés aos carros de assalto, cada um a pensar na melhor estratégia para defender os seus interesses. Fala-se e ninguém realmente escuta, impacientemente à espera da sua vez de falar.  E todos têm tantas opiniões para dar e tanta razão na certeza do que dizem! Quando as coisas azedam depois, o que invariavelmente acontece, do assunto em discussão passa-se para o ataque pessoal e lá vão mais uns pontos na frágil tabela das relações humanas, mais uns riscos e arranhões, alguns indeléveis.  Fala-se de coisas que nada têm que ver mas há que saber que, em modo de sobrevivência, os egos disparam sem raciocinar sobre tudo o que mexe. E os minutos e as horas passam, sem haver nada decidido ou importante a ser dito...tolices a maioria! Somos assim, não é de propósito, simplesmente nada se conclui neste extremo estado emocional. Somos conduzidos pela exaltação do nosso próprio umbigo. Vai-se lavando roupa suja. E à mão...

Caí do mundo por um abraço

Lembras-te do tempo em que choveste a noite inteira, uma tempestade furiosa longe dos meus braços. Recordas a altura exacta em que a ilha afundou, e ninguém a quis agarrar? Lembras-te do momento em que as árvores caíram? A madeira arrombou as paredes, naquele som que acordaria os mortos. Mas ninguém se importou sequer em acordar. Alguém se perdeu por isto Alguém se perdeu por um abraço. Imaginas ainda o tempo em que o céu escureceu? Esperei por ti, deitado na areia. E só parecia haver o som do mar furioso, e ninguém a estender-me os braços. Alguém se perdeu por isto Alguém se perdeu por um abraço, um abraço, só por um abraço. Casimiro Teixeira - 2012

Queríamos ser o céu.

Pelos fins de Junho, dei a saber ao Professor Múrcia a minha irrevogável decisão de mandar para o diabo a ciência das leis da vida, fosse ela qual fosse, e de me consagrar inteiramente à paixão dos romances: mas ele deferiu, com grande desgosto meu, ao pedido de ser meu professor de escrita criativa. A música cristalina da sua voz, ressoava no regresso de cada lição, aos meus ouvidos como uma opereta; nos olhos, porém, assomavam lágrimas. Não, não disse palavra ao Professor Múrcia sobre a minha descida aos infernos, nunca aludi sequer, a questão da trágica morte da Laura, foi somente pela minha total falta de entusiasmo, que ele começou a ter sérias dúvidas sobre a minha vocação para as letras.  Todavia, insistia em pensar que a minha falta de êxito, detinha-se sobretudo na incapacidade de convivência, e na dificuldade de afazer o espírito às sensações e aos pensamentos daquelas supinas personagens que criava. E ele acertava no que dizia, sem assomo d...