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Mensagens

Governo Sombra no Clube Sénior - Associação O Tecto

Eu e o Professor Amorim Costa na apresentação do Governo Sombra na Universidade sénior da Associação O Tecto. Foto gentilmente cedida pelo jornal O Vilacondense

E não se esqueçam...

A liberdade.

Canta-me sozinha, a voz, esta voz, ainda que amordaçada, num prenúncio de derrota, nem desafina. Fui finamente feito na sua vitória. Agora já não. Já não sou feito, nem por fazer! Nem trago pérolas de pura verdade, nem trago cravos de fogacho atroz. Canto a palavra que está mais que cansada, de tanto malharem na sua sina, de tanto desbarato que lhe trouxe a história. Canto-a minha, não sei d'outro jeito, nem sei cantar o que tenho para dizer, só sei, que já soube o que foi liberdade! Casimiro Teixeira 25 de Abril de 2012

Pobre 25 de Abril...

Olhando para o passado, trinta e oito anos depois, mas sobretudo para este triste presente, acredito hoje, mais do que nunca, que é o 25 de Abril que precisa de nós! - Mas também, que urge fazer nascer Abril de novo no nosso peito.

O Mosteiro de Santa Clara

É preciso salvar este precioso marco que representa o cunho da memória deste povo valente, que habita indolente junto aos seus pés de pedra. É estranho, mas a verdade é que, mesmo depois de extinto, depois de ter morrido a última freira, a sua história não parou. O que não se reveste de estranheza, porém, é a forma como um edifício de pedra, metal, vidro e argamassa, também se torna feito de sangue, vidas e lembranças. Isto de falar do Mosteiro de Santa Clara, levar-nos-ia longe a todos, e já basta o muito que sobre ele já foi dito e escrito ao longo dos tempos. Mas é importante não apagar nunca a recordação do vandalismo impune aqui perpetrado, sem respeito pela dignidade do seu passado, ou préstimo pelos interesses de Vila do Conde. Foram-se os cálices, as custódias, cruzes, lampadários, tocheiros. Evaporaram-se em grande mistério, os relicários, as pinturas, os azulejos e toda a estatuária. Tudo isto se sumiu de entre portas, numa avidez de roubo e destrui...

Apresentação em Recarei (as fotos)

Correu tão bem...Houve de tudo um pouco nesta apresentação, mas o mais importante para mim, são sempre as pessoas. As que aparecem e que as que, não podendo mesmo lá estar, lembram-se na mesma e é como se lá estivessem também. Foi uma noite bonita de convívio, de boa comida, música inspirada, conversa animada, e o livro, o meu querido amigo, que aos poucos me vai deixando, abrindo as asas e aprendendo a voar sozinho, ainda lá estava comigo, agarradinho às mesmas convicções e inquietudes que me impulsionaram a torna-lo vivo. Espero que o "Governo Sombra" vos traga, no folhear contínuo das suas páginas, as mesmas emoções que senti quando lhe toquei pela primeira vez. Acredito que é livro para isso, e não desmonto da minha crença. Obrigado a todos...

O futuro feito por tolos e para os tolos...

Não quero de todo que me levem a mal. Ou então, levem-me a mal totalmente! Estou por tudo. Pensei em ser bem comportado, pensei em ser feito da lisura de quem não desdenha nada e tudo abocanha, mas, depois pensei melhor. Eu não sou assim! Nunca o quis ser, pois, entendo este preceito estranho de viver, como uma montanha, Uma montanha que tem de ser escalada a custo real. Não existem apoios para alpinistas como eu, ninguém me vai dar subsídios de realidade. Foi então que pensei melhor. Foi aqui que pensei mais lúcido: eu não preciso! - Imaginei que, cada passo que dava, era movido pela frieza de um motivo ulterior, e senti um vómito cá dentro. Senti-me sujo e impuro. - Eu não preciso de ser igual aos demais, (e isto é que é difícil) eu não preciso de me vender. E, foi aqui, precisamente aqui, neste deslumbrante momento, de infinita tragédia tão bem entendida, que eu, eu tão bem me defini! Tenho tanto para oferecer, sou grande naquilo que grande me imagino, na lenta grandeza que me i...

O discurso do Corvo.

Eis-me aqui, ainda integralmente vivo e teu, voo ao acaso, sem saber por quem voar, por sobre rostos de carne, palha e infinito. Trago as mãos feitas num espesso breu, toldadas pela sede de te possuir e de te dar, o ténue silêncio, que é tudo aquilo qu'eu permito. As palavras, quando são poucas, sabem melhor, dizem tudo melhor, se forem poupadas. Abre os braços então, e recebe-as em teu seio, a secura desta terra já consome o sangue do meu terror. Já falei, e agora vou voar num céu de pequenos nadas, disperso no bando obscuro, mesmo lá no meio. De modo que, apesar da lucidez dos meus instantes, continuo sempre algures, no longo espaço que nos envolve. Nada temas destas mãos de cinza que já não tem dedos por onde arder, Eis-me para sempre, nos interstícios perdidos e distantes, desta paixão que é dada, e que não se devolve, e que é minha e tua, porque assim tinha de ser! Casimiro Teixeira 2012

Apresentação do Governo Sombra em Recarei

No próximo sábado estarei por aqui...Apareçam! Tragam apetite e vontade de conhecerem a verdade.

A Parede Branca.

Sabem que mais, esta coisa do amor, é como uma estranha parede branca, que todos os dias nos faz querer ser pintor. ...que coisa mais lamechas!

Uma janela com vista.

Vivo num apartamento que flutua no espaço, mal enraizado no sopé dos novecentos e noventa e nove arcos de pedra que rasgam o horizonte da minha terra. Vagueio aqui, encerrado, de cabeça perdida, por dias a fio, na janela flutuante que me agarra as ideias à acalmia constante daquela praça deserta. E só a passagem momentânea das gentes, lá em baixo, me faz sentir que existo de facto, neste mundo. O tempo restante é feito de sonhos, de sonhos e de palavras, que me trazem as memórias do passado. Vivi assim, quase sem tempo real, até à altura em que tu apareceste. Não foi de propósito, eu bem sei, tinhas o silêncio dos anos do teu lado e apareceste-me como uma imagem momentânea de perdição. O que achei mais grotesco em ti, foi estares ali ao meu lado, sem aviso prévio. - Bem sabes que gosto de tudo organizado até ao mais infinito grão da matéria. - Lembras-te do que nos disse aquele médico? - Ela não se lembrava. - Vim ver-te porque soube novidades sobre ti, por um amigo. Tive de vir...

Dias Perfeitos no Sul

"Cada conquista é ganha milímetro a milímetro. Antes de estar à vista de toda a gente, prática e concreta, parece sempre impossível, mas viver é acreditar. Temos direito à esperança. Viver com medo constante,  é o que se chama ter os olhos fechados sem nunca os haver tentado abrir. Esta vida pertence-nos. E podemos todos, mas mesmo todos, ser felizes." Casimiro Teixeira
Aqui vou eu a caminho do Sul... Até breve!

Apresentação do "Governo Sombra" no Porto - Os amigos.

Concluí que as minhas palavras não são escritas e ditas para as multidões, e fiz as pazes com isso. Os poucos que as lêem e ouvem, preenchem-me de tal forma o espírito, com a entrega da sua dedicação, que julgo ser impossível, alguma vez me sentir só novamente. Como diria o grande Pessoa: "Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena." - Meu Deus, que verdade tão grande! - Obrigado a todos.

Apresentação do "Governo Sombra" no Porto

Vivo num tempo tão incerto, e nunca sequer, cheguei ao ponto de presumir que o compreendo completamente, e nem quero tentar compreende-lo. Não, não falo do tempo comum, aquele que os relógios de pulso nos garantem com uma temerosa segurança, que a esse, só faço justiça de entendimento em breves momentos sem alívio, mal disfarçados por sorrisos afectados, falo de outro tempo, daquele que nem é plausível pelo ponteiro dos segundos, e é este, este tempo que não corre, e que nem desaparece, aquele que me importa a sério. O outro tempo, onde as emoções se aceleram, ensina-nos cruelmente a sua fraca maleabilidade, com lições rotineiras de dor ou prazer, mas este não, este abranda continuamente, até o sentirmos quase estático, parado na nossa frente. É este tempo que me desfigura as certezas, e me ensina outras lições, bem mais valiosas. E, se preferir não ter a certeza dos factos reais, posso ao menos ser fiel às impressões duradouras que essas emoções me deixaram. Sinto-me mais confortá...

Dia Internacional da Mulher.

Hoje é o dia Internacional da Mulher... Estes dias especiais fastidiam-me sobremaneira, pela necessidade supérflua da sua existência. Como se os restantes dias do ano tivessem de ser normais, para quem é mulher, criança, pai, mãe..e só nos dias das suas efemérides fizesse sentido trata-los melhor, comemorar-lhes as condições de serem quem são, ou o que são. E mais não digo, porque por vezes, mais vale estar calado.                                                                              Hoje é o dia Internacional da Mulher...Amanhã também!

Sou o homem invisível.

Encontrei-te por acaso hoje, e fui incapaz de ter perder, trazias o mundo nas mãos, e por descuido, nem percebi. Só tive olhos para ti, e, nem quis saber do resto. Desenhei teu corpo no ar, com estas mãos que tanto amam, e escrevi-te um poema, com os olhos que só a ti, te querem ver. E nem que deixasses cair o mundo que trazias, eu morreria ali. Terá sido tão casual esta entrega a que me presto, que nem pressenti o apocalipse, dos muros que sobre mim desabam? Não, não foi... Eu já sei. Eu não estou, não existo... E não existo senão para te saber por perto. Que não existo já sei, pois vejo boiar a inércia do meu ser, e do tudo inútil que sou, só o olhar persiste, sem fim, Neste mar calmo de marés onde insensato eu resisto, eu persisto, em manter esse mesmo olhar sempre desperto. Encontrei-te à toa, à ventura do teu próprio querer, Mas peço-te: não me encontres tu, não me vejas tu a mim! Casimiro Teixeira 2012

Este difícil engenho...

Sempre a favor da minha própria vontade, o novo romance não me sai da cabeça; sonho acordado com ele, e vergo-me, noite após noite à sua tirania. A cadeira está agora ligeiramente inclinada, o que não me permite encontrar bem uma posição certa. Inspiro profundamente e deixo que o fumo substitua a névoa espessa que me bloqueia as ideias. Recordo os bancos dos jardins, e o murete cimentado da marginal. Os fins de tarde, tão tímidos e sem coragem, o fragmento de verde sem fim mal imaginado, e um azul estranho que se me entranha nas memórias com sons e aromas tão definidos que os sinto metálicos nos sentidos. Todos aqueles momentos de mar, inspirados ao longo dos anos, onde me deixara abandonar em tantas outras tardes de inverno, e onde estivera, estou certo de que ali estive, em silêncio, ou em conversas, rindo-me ou sofrendo, já não sei bem. A falta que a escrita me faz..assemelha-se a um mal físico, que por vezes consigo reprimir, outras vezes, não. Quando se perde a palavra, o golp...