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Mensagens

Textos Devolvidos I

O homem que sabe interessar-se pelas coisas que os outros desprezam e não entendem vive sempre em um misto de violência e de calma. Tem sempre direito às suas ideias embora não pareça ter à vida que quis para si. Crê que a sua maior parte é um exército de personagens que acabam todos por se encontrar no mesmo lugar onde está. Um vasto descampado repleto de máscaras fotogênicas em decomposição. Tudo o que não se chega a realizar, e que, ilusoriamente acredita ter de aguentar, resistir, sobreviver. Assim, o seu corpo heterogéneo são as suas palavras, que acabam breves, lacónicas, quase demasiado inquisidoras.  Rasga-as mais vezes do que costumava. Alguns trechos perfeitos, muitos inexpressivos, fatalmente desnecessários, como estes que lhe foram devolvidos sem uma nota. Destrói-as, e muitas vezes, ao destruirem-se palavras, mesmo as menos expressivas, alguma coisa em um exército inteiro de almas se acaba e se perde irremediavelmente. É-lhe evidente, contudo, que o desejo d...

Ainda a 'governar' pela sombra dos usados.

Feira do Livro do Porto '18 Foto tirada por uma amiga/leitora Obrigado Olga, muito, muito obrigado.

..."Espaços cheios de gente de costas"...

...O que eu gostava era de me afeiçoar a um motor, ligar a cabeça aflita à ignição, arrancar o corpo erguido, fugir do fim. O que eu queria era escrever, escrever flores impossíveis, peculiares como as palavras de Elsinore. E, em meu redor, alevantada já de toda esta minha perdição, a natureza armar-se-ía de mim, à porta das cabeças de todos os irredutíveis. O maravilhoso Cesariny a dizer o que jamais consigo...

Tiros certeiros na Censura

Robert Mapplethrope "Man in a Polyester Suit" (1980)

Saudades de ver bons Filmes (XVI)

. ..Surpreendentemente devastadores. Tony Musante e Martin Sheen em "The Incident" (1967) Agrada-me sempre descobrir filmes que ainda consigam a proeza de me perturbar sem fazerem recurso aos mais comuns estratagemas. Isto não é realmente exacto, ou totalmente verdadeiro.  Os 'truques' de facto estão lá, as habituais artimanhas facciosas que são e sempre foram marca registada do 'cinema  exploitation ' de série B; a gratuitidade da violência insensata, o argumento devassado, fracos valores de produção, a utilização de actores desconhecidos (apesar de se munir de uma mão cheia de excelentes actores de segunda linha, muito familiares ao espectador mais aficionado, os dois protagonistas: Musante e Sheen, estreiam-se aqui. E mesmo que nunca tenham ouvido falar em Tony Musante - que faz aqui o papel da sua vida - certamente que já ouviram falar de Martin Sheen). Apesar e acima de qualquer género ou estereótipo, o grande espanto deste filme extra...

Kafka à Beira-Mar

O Público de Turbante

Como haveremos de ser felizes entre uma tranquilidade que nunca nos parece normal? - Sentimos uma espécie de inquietação alienante, de pressentimento permanente, de suspeita sobre a realidade material do que nos vai acontecendo e desagradando. E nunca dormimos em sossego e não deixamos jamais a jornada do negrume. O silêncio é a nossa única arma. Não vale a pena a revolta armada, o grito público. Não existimos. Reclinámo-nos na cama e somos prisioneiros das nossas frustrações. Deitámo-nos e só caímos, só nos afundámos mais. Pedimos em voz clara, muito natural, que nos sejam atendidos os pedidos mais desafogados de todos. Um enxovalzinho estendido em nossos braços que entregamos constantemente. Rejeitado, rejeitado, para sempre recusado não obstante o potencial (aparente) interesse. E temos dias de procrastinação absoluta por medo de sermos inconvenientes e outros maiores, longuíssimos, onde as lágrimas nos sulcam os rostos que são tão humanos como os de qualquer um. Temos até ...

Poema 15

(...) Tardámos sempre em frente das palavras como um muro de rosas afiadas crescendo diante da nossa janela. E os olhos já nem se sentassem ali aguardando os anjos do futuro navegando à deriva por este presente baço, um espelho antigo, de cabeceira que nunca nos devolverá exactos, ou melhores do que fomos quando reunimos a nossa poesia toda em um beijo único. (...)

Na Mouche

A armar-me em Pessoa

Último café no Martinho da Arcádia antes do concerto dos Camel...

Poesia Fantasma

Novo Livro, para ser esquecido de igual forma... " (...)  E ste poema sobre o que s ó a mim me interessa daqui para diante, quando os estranhos j á  o tiverem lido, receber á  uma chamada de telefone do exterior. Caro senhor: parece que as ondas j á se  foram todas, sem entender o que o senhor diz fique mais em terra, sossegado que o mar, picado contra o seu favor n ão quer saber de nada do que o senhor quis. Assim, na soma geral das coisas onde se junta a sua pequena litania em contram ão é tudo inútil e sem juízo, como rid ícula é  toda a sua express ão. Acredito, por ém, que os s eus sonhos como os meus, serão a passagem para dois que comprei para o para íso, ou quiçá... n ão! (...) " "Todos os Fogos são Fevereiro" Poesia - 2017 - AutoPublicada. https://www.bubok.pt/livros/11520/Todos-os-Fogos-sao-Fevereiro

Saudades de ver bons Filmes (XV)

... maravilhosamente misteriosos!

O Interesse da Solidão

A solidão, de todas as marcas de fogo que carrega o ser humano, é, indubitavelmente, a mais perturbadora. Lembrem-se todos: sois filhos dos vossos pais. Sangue de ferro, coração de gelo... carcaça de geleia, polme infinito.... Intermitência da vida antes e depois. Somos todos tão inconsequentes pelo que fazemos para chegarmos onde estamos. - Escreverá algum dia alguém um livro sobre nós? Ainda estou para fazer 50 e já tudo me soa a tragédia. Isto é solidão! Fico doente só de pensar, como se a própria ideia me aleijasse fisicamente. Envelhecer não é uma coisa boa para pessoas como eu. Lembra-me o Céline a dizer: "Se envelhecer cedo demais..." - Só isso. Beber, beber, beber...ostras fumadas aos feriados, corações de alcachofras por acaso e chocolate belga a enojar-me a fobia aos Domingos, Meu Deus! Perdido em um mar cintilante de solidão humana, encontra-se um pequeno lugar da cor do chumbo. Não é a minha nem a tua, é. Porque a solidão nunca quer ser, mas acaba por ser ...

Correntes D'Escritas 2018

“As palavras envergonhar-se-iam do corpo que as escreve. Seria, provavelmente a maior ironia do mundo dos homens. Um ser nunca é digno de ser maior do que as suas palavras. O que escrevemos é sempre maior do que nós. O que tendemos a ser é o que a realidade nos pede. Ser é apenas uma prerrogativa dos deuses e alguns homens são geralmente incompreendidos. Somos tão pequenos ante o que escrevemos e só por isso o que se escreve nos atormenta porque, por vezes, se escreve mesmo”. Hélder Simbad - Escritor Angolano - Mesa 5 nas Correntes do dia 23-02-18

Charles in Charge

Charles Bukowski “We’re all going to die, all of us, what a circus! That alone should make us love each other but it doesn’t. We are terrorized and flattened by trivialities, we are eaten up by nothing.”  - Charles Bukowski -

Valha-me o John, ao menos!

John Coltrane

Bosques Esquivos

Nunca se dilui entre a escuridão se perfaz na esperança de luz, ou se curva assustado por entre os caminhos. É um rochedo constante que as tempestades nunca alteram. A estrela mais fixa a todos os caminhantes errantes o brilho claro, mas sem matéria, que jamais se torna joguete do tempo. Mesmo que a carne o sofra, no peso da sua fúria. Fica monólito, algures uma presença etérea, também. E uma falsa partida, ele é aos sobretudo ignorantes,  mais um caminho errado, uma artéria suja de tanta errada miséria, onde se desavindam os maus amantes. Não é produto nem inspiração de algum tempo de bem só deita sangue desgovernado da sua insensatez venérea. Ele é escrito mas lido jamais. Pobre azul que nunca conheceu os pais. Triste mar sem praia mais além. Contudo ou nem por isso, fez grato o caminho contrário à desidéria. Comeu a crueza dos dislates de seus mandantes. E morreu impróprio pelos dentes dos canibais. Se tudo isto for falso e o ...

Chão

Não sei se te lembras de que dia foi hoje Dos sonhos alcoólicos de grandes e-feitos Das cirroses de nuvens de gomas Se morreste também algures de ressaca Tu que sorrias sempre com o fígado Não sei Se quando caminhas te lembras De andarmos descalços sobre os mesmos vidros As mãos umbilicais e os copos envaidecidos Se quando caminhas Nas ruas que hoje foram nossas E hoje são de ninguém Ainda saltas ou se te sangram os pés Se pavimentaste o chão Como fizeste com o mundo Se já não vês o quadro E não te lembras do Zeppelin de chumbo Que atirámos ajoelhados ao espaço Algo em mim não quis saber Que quando florimos no deserto já éramos História Que da dinamite que dizimou a paixão Nasceria um peixe-lápis (Quanto não pode um sinónimo contra um canhão) E com ele desenharia esta salva de tiros em verso Para que o teu chão e o teu mundo nunca esqueçam O que teimas em esconder debaixo da pele Mas a pele teimará para sempre em te lembrar Rita Pinho Matos in FLANZINE ...

Amor eterno?