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Mensagens

Kafka à Beira-Mar

O Público de Turbante

Como haveremos de ser felizes entre uma tranquilidade que nunca nos parece normal? - Sentimos uma espécie de inquietação alienante, de pressentimento permanente, de suspeita sobre a realidade material do que nos vai acontecendo e desagradando. E nunca dormimos em sossego e não deixamos jamais a jornada do negrume. O silêncio é a nossa única arma. Não vale a pena a revolta armada, o grito público. Não existimos. Reclinámo-nos na cama e somos prisioneiros das nossas frustrações. Deitámo-nos e só caímos, só nos afundámos mais. Pedimos em voz clara, muito natural, que nos sejam atendidos os pedidos mais desafogados de todos. Um enxovalzinho estendido em nossos braços que entregamos constantemente. Rejeitado, rejeitado, para sempre recusado não obstante o potencial (aparente) interesse. E temos dias de procrastinação absoluta por medo de sermos inconvenientes e outros maiores, longuíssimos, onde as lágrimas nos sulcam os rostos que são tão humanos como os de qualquer um. Temos até ...

Poema 15

(...) Tardámos sempre em frente das palavras como um muro de rosas afiadas crescendo diante da nossa janela. E os olhos já nem se sentassem ali aguardando os anjos do futuro navegando à deriva por este presente baço, um espelho antigo, de cabeceira que nunca nos devolverá exactos, ou melhores do que fomos quando reunimos a nossa poesia toda em um beijo único. (...)

Na Mouche

A armar-me em Pessoa

Último café no Martinho da Arcádia antes do concerto dos Camel...

Poesia Fantasma

Novo Livro, para ser esquecido de igual forma... " (...)  E ste poema sobre o que s ó a mim me interessa daqui para diante, quando os estranhos j á  o tiverem lido, receber á  uma chamada de telefone do exterior. Caro senhor: parece que as ondas j á se  foram todas, sem entender o que o senhor diz fique mais em terra, sossegado que o mar, picado contra o seu favor n ão quer saber de nada do que o senhor quis. Assim, na soma geral das coisas onde se junta a sua pequena litania em contram ão é tudo inútil e sem juízo, como rid ícula é  toda a sua express ão. Acredito, por ém, que os s eus sonhos como os meus, serão a passagem para dois que comprei para o para íso, ou quiçá... n ão! (...) " "Todos os Fogos são Fevereiro" Poesia - 2017 - AutoPublicada. https://www.bubok.pt/livros/11520/Todos-os-Fogos-sao-Fevereiro

Saudades de ver bons Filmes (XV)

... maravilhosamente misteriosos!

O Interesse da Solidão

A solidão, de todas as marcas de fogo que carrega o ser humano, é, indubitavelmente, a mais perturbadora. Lembrem-se todos: sois filhos dos vossos pais. Sangue de ferro, coração de gelo... carcaça de geleia, polme infinito.... Intermitência da vida antes e depois. Somos todos tão inconsequentes pelo que fazemos para chegarmos onde estamos. - Escreverá algum dia alguém um livro sobre nós? Ainda estou para fazer 50 e já tudo me soa a tragédia. Isto é solidão! Fico doente só de pensar, como se a própria ideia me aleijasse fisicamente. Envelhecer não é uma coisa boa para pessoas como eu. Lembra-me o Céline a dizer: "Se envelhecer cedo demais..." - Só isso. Beber, beber, beber...ostras fumadas aos feriados, corações de alcachofras por acaso e chocolate belga a enojar-me a fobia aos Domingos, Meu Deus! Perdido em um mar cintilante de solidão humana, encontra-se um pequeno lugar da cor do chumbo. Não é a minha nem a tua, é. Porque a solidão nunca quer ser, mas acaba por ser ...

Correntes D'Escritas 2018

“As palavras envergonhar-se-iam do corpo que as escreve. Seria, provavelmente a maior ironia do mundo dos homens. Um ser nunca é digno de ser maior do que as suas palavras. O que escrevemos é sempre maior do que nós. O que tendemos a ser é o que a realidade nos pede. Ser é apenas uma prerrogativa dos deuses e alguns homens são geralmente incompreendidos. Somos tão pequenos ante o que escrevemos e só por isso o que se escreve nos atormenta porque, por vezes, se escreve mesmo”. Hélder Simbad - Escritor Angolano - Mesa 5 nas Correntes do dia 23-02-18

Charles in Charge

Charles Bukowski “We’re all going to die, all of us, what a circus! That alone should make us love each other but it doesn’t. We are terrorized and flattened by trivialities, we are eaten up by nothing.”  - Charles Bukowski -

Valha-me o John, ao menos!

John Coltrane

Bosques Esquivos

Nunca se dilui entre a escuridão se perfaz na esperança de luz, ou se curva assustado por entre os caminhos. É um rochedo constante que as tempestades nunca alteram. A estrela mais fixa a todos os caminhantes errantes o brilho claro, mas sem matéria, que jamais se torna joguete do tempo. Mesmo que a carne o sofra, no peso da sua fúria. Fica monólito, algures uma presença etérea, também. E uma falsa partida, ele é aos sobretudo ignorantes,  mais um caminho errado, uma artéria suja de tanta errada miséria, onde se desavindam os maus amantes. Não é produto nem inspiração de algum tempo de bem só deita sangue desgovernado da sua insensatez venérea. Ele é escrito mas lido jamais. Pobre azul que nunca conheceu os pais. Triste mar sem praia mais além. Contudo ou nem por isso, fez grato o caminho contrário à desidéria. Comeu a crueza dos dislates de seus mandantes. E morreu impróprio pelos dentes dos canibais. Se tudo isto for falso e o ...

Chão

Não sei se te lembras de que dia foi hoje Dos sonhos alcoólicos de grandes e-feitos Das cirroses de nuvens de gomas Se morreste também algures de ressaca Tu que sorrias sempre com o fígado Não sei Se quando caminhas te lembras De andarmos descalços sobre os mesmos vidros As mãos umbilicais e os copos envaidecidos Se quando caminhas Nas ruas que hoje foram nossas E hoje são de ninguém Ainda saltas ou se te sangram os pés Se pavimentaste o chão Como fizeste com o mundo Se já não vês o quadro E não te lembras do Zeppelin de chumbo Que atirámos ajoelhados ao espaço Algo em mim não quis saber Que quando florimos no deserto já éramos História Que da dinamite que dizimou a paixão Nasceria um peixe-lápis (Quanto não pode um sinónimo contra um canhão) E com ele desenharia esta salva de tiros em verso Para que o teu chão e o teu mundo nunca esqueçam O que teimas em esconder debaixo da pele Mas a pele teimará para sempre em te lembrar Rita Pinho Matos in FLANZINE ...

Amor eterno?

As Crónicas do Senhor Barbosa IX

Depois de morrer, o interior do Senhor Barbosa nem apodreceu por dias e dias, como sempre acontece com todas as outras criaturas deste Reino natural de homens, bichos e flora tão despudorada, inseridos em algum ímpio crescimento desordenado. Depois de morrer, ainda pareceu viver mais alguns anos e todos quanto o observaram assim o consideraram, pois, por conseguinte, era vivo que o sabiam, nunca morto, e aos vivos ninguém parece muito particularmente interessado em passar certidões de óbito precipitadas. Depois de morrer, o Senhor Barbosa, ainda escreveu a sua própria elegia. - Esta! - Pôs-se à janela e começou a ditar palavras muito baixinho, e estas iam-se escrevendo por si até ficarem completas. Nela, descrevia o seu fim prematuro, e quanto tempo precisaria para convencer os outros de que realmente falecera em virtude de tanto desprezo, tanto desrespeito pela sua simples condição eremita de Homem só! - Quando acabou apercebeu-se da inutilidade do que tinha escrito, mas, nã...

New Man on the Moon

Desenho de Jim Carrey http://observador.pt/2018/02/07/jim-carrey-apagou-a-conta-do-facebook-e-quer-que-os-fas-facam-o-mesmo-mas-porque/ Para ler até ao fim. https://twitter.com/JimCarrey

Saudades de ver bons Filmes (XIV)

...absolutamente ternos e belos. Maravilhosos. Extraordinariamente perfeita a utilização do " Adagietto" (da Sinfonia N°5) do Mahler neste filme. É como se a música, sem recurso a mais artifícios, nos colocasse na frustração, na pele inquieta, na paixão incompleta do compositor  Gustav von Aschenbach , personagem exemplarmente interpretado pelo Dirk Bogarde, e nos fizesse também sofrer ao assistirmos o desenrolar da sua obsessão. Brilhante.

Davam grandes passeios Existenciais aos Domingos

Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre

E Deus, Pina?

C atolicos recasados sao aconselhados a abster-se de ter relacoes sexuais Fui baptizado, e depois sacramentado com a primeira comunhão e ainda mais consagrado com a solene. Passei por tudo isto e só escapei por pouco de ser crismado, porque tinha um teste importante nessa semana. Mais tarde, casei-me pela igreja também e, em todas estas ocasiões usei sapatos que me foderam todo desde as plantas dos pés até à cabeça. Desde aí, desenvolvi pouca tolerância para esta forma de ser igreja.  Tanta hipocrisia não é caminho algum para um paraíso decente. Em vez de se estropiarem uns aos outros rebatendo todos estes séculos de instituição arreigada em discussões inúteis, vejam antes como o Fellini as deita por terra em uma cena brilhante do seu filme de 1972 "Roma". É hilariante, tanto, que muitas cenas desta sua película foram realmente censuradas pelo Vaticano, o que só indica a 'mouche' do alvo para onde apontou. Contra dogmas enraizados, só o humor nos sa...