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Mensagens

O (meu) mar.

 

A Amélia é grande....ou, A Amélia foi grande!

  A morte acompanha-nos sempre no seu avanço inexorável. Cai-nos dos telhados, ergue-se de solos nunca consagrados, mata-nos pelos flancos, os lados desprotegidos, aqueles lados onde achávamos que tudo correria pelo melhor, sem que nos apercebamos que findamos aos poucos. Dá-nos as mãos, invisíveis à percepção. Tira-nos o nosso bem mais precioso, a razão. A morte sabe muito mais do que nós sabemos e mesmo quando parecemos saber alguma coisa, ela engana-nos e reergue-se. A morte é deus! - O único deus possível. A minha tia Amélia foi uma força da natureza. Foi-o. Divorciou-se de um homem que a maltratava, em um tempo em que as mulheres ainda viviam convencidas de que estes sofrimentos faziam parte da existência feminina comum. A luta restringia-se a algumas (poucas) heroínas, sobretudo se se tratasse do Portugal de então. Daquele Portugal ainda lazarento, mas já tão próximo da revolução. Porém, como poderia a minha tia Amélia saber disso? - Eu próprio, seu sobrinho e afilhado, deten...

A vida é feita de escolhas...

 

Todos os Anos... são Fevereiro!

  Aproxima-se. Aproxima-se e convenci-me de que nem o veria, (este ano). Tolo, fui tolo, sou sempre tolo por pensar no melhor. O melhor jamais chega. A vida é assim, um novelo de desilusões, e eu, o gato antropomorfo que nunca se achincalha sem companhia, nunca esquece as tribulações que aqui me conduziram. Quer, mas, nunca brinca com o novelo...as 'patinhas' no alto a dominarem-no, a julgarem-no, analisando-o, controlando-o enquanto escorrega por algum longo corredor. Não! Não sou esse 'gato' brincante. Sou o 'gato' que só se atrapalha, corpo, alma e conquistas, o 'gato' que bebe pelo meio do seu próprio fim. O fim não chegou. Miau...! Mais uma passagem se fez e ele não chegou de novo. Vou matar os meus gatos para que não sofram com a minha perda.  Tomara que houvesse gente nesse mesmo sentido. Acabar seria um pacto. Não existem realmente. Suspeito sobre o alívio que este meu fim lhes trará. Acabo com os gatos, pronto. Fico descansado. Para a semana faç...

Dia sim, dia não uma beleza antiga

  Ava Gardner

O Barbosa, o Barbosa...morto de paz.

A vontade de estar tudo bem com todos, carrega uma lâmina no bolso de trás, entende os tolos sorridentes e só mata aqueles que ignora. E a solidão que está tão mal comigo, tão mal comigo... preciso da chuva para acabar com esta má sorte, que me acaba mais por si só, que a promessa de boa vida, o faz, com melhores modos. Estas palavras vão aquele que essa morte me traz, sei o que faz, o que diz, come, sei até onde mora. Traz fungos no fígado, e do sol é inimigo, precisa da chuva para se fingir de forte, da tristeza sem fim, para se enfiar nesta luta aguerrida. Enverga uma lâmina de fazer inveja aos Ostrogodos, e três medidas extremas no coração, todas exactas e más. Uma fugiu-lhe do sangue, saiu e foi-se embora, foi vista a percorrer as ruas de Vigo. Outra, manteve-se colada à mão, a servir-lhe de passaporte, amiúde viajava-lhe a vontade, assim mesmo, consentida, ...em paz! In: "Uma velha de amarelo a empurrar um carrinho de compras" ...

Diários Eróticos II

  De dois em dois dias vais ser isto. Aguentem... Quem? Não sei. Ah! Vai-te foder! este blog retornou surrealista. Surrealista? Doido, será mais exacto. Isto anda uma porcalheira. "Porcalheira"! És um 'coninhas', és o que és, sempre foste. Por isso toma lá o que és... 'Cremalheira rapada' da Rosario Dawson do filme "Trance" 2013

Portuguese Bombs

  Depois de exaustivas audições (entorpecidas, assumo), mas, mesmo assim carregadas daquele rigor desmedido a que sempre me acometo, concluo que os Clash não percebiam pevides do castelhano. Mesmo assim, neste contínuo torpor alcoólico, insisto em ter esperança de que uma música desta amada banda, em tons lusos, soaria bem melhor. A Espanha, mesmo que não nos tenha anexado, como sempre o quis, há séculos que nos fode a existência de formas que muitos nem imaginam. Esta música dos Clash, é uma delas!

Hare Krishna

  E, depois de tudo isto, após todos estes anos de textos publicados em blogs, no facebook, em editoras vampiras, no raio que os parta...depois desta aventura castradora pelo mundo da literatura...literatura, hã? No decurso e também no resultado posterior sinto-me encastrado naquela música do George Harrison - " My Sweet Lord ". Há algo para se procurar, todavia nunca bem sabemos aquilo que buscamos e acabamos às voltas na rotunda da ansiedade. O sentido esfuma-se e resta-nos somente a procura. Buscar é bom, não encontrar frusta. - Há que continuar, dizem! Também a vida toda assim o é, o George percebeu-o, eu, nem por isso, fui ingénuo por demasiado tempo, começo a entendê-lo agora.. Quero que a busca se fornique em fanicos de carne e ossos. Necessito já de respostas. Sou mais Jm Morrison que George Harrison. Encontrar o meu caminho bate à porta da ansiedade com punhos furiosos. Essa noção de paz oriental bovina não me satisfaz. Karma? Isso é para meninos. Eu preciso de saber...

Medo? Não! Descanso.

  não chamem logo as funerárias, cortem-me as veias dos pulsos pra que me saibam bem morto, medo? só que o sangue vibre ainda na garganta e qualquer mão e meia me encha de terra a boca, sei de quem se tenha erguido, de pura respiração, do fundo da madeira, saibro, roupa, gôtas de orvalho ou cêra, ornatos, espadanas, lágrimas, últimas musicas, não é como no escuro o trigo que ressuscita, sei sim de quem despedaçou as tábuas e ficou entre caos e nada com o sangue alvoraçado nos braços e nas têmporas, que se não pare nunca entre as matérias intransponíveis, cortem-me cerce o sangue fresco, que a terra me não côma vivo, [excerto] Herberto Helder, in “Ofício cantante – poesia completa” assírio & alvim, 2009

Head like Krakatoa

 

A montante dos dias.

  (...) Ando nisto em um tempo algoz... Isto é, quando me entrego à labuta da escuridão, sempre naquele campo infecundo que só (me) acontece e por demais me enterra. Talvez esteja só plantado no meu próprio chão, em noites assim, onde a chuva me salva a voz, me salva o futuro insistente, me salv'a'terra, onde me semeia e por fim me floresce! in: "Forte Agitação Marítima."

Diários Eróticos

Patricia Velasquez  

O Último Poema

Soa-me tão estranho ter tantos poemas espalhados por tantos livros não publicados. A dada altura, já nem bem sei de que livro é este, ou para que livro escrevi aquele...Escreve-se e depois encaixa-se onde nos apetecer. Há, talvez, uma clara liberdade na obscuridade! Um dia, todos estes poemas estarão ocultos em um disco duro, com proteção de 'password', e dificilmente alguém conseguirá re-purga-los para o mundo. Nesse dia estarei já morto e tudo isto não passará de um fútil exercício de egocentrismo. A questão fundamental é: para quê? Faz tempo que deixei de acreditar no 'pai natal' e na noção de que se escreve por que tem de ser, é um imperativo fisiológico que escapa à razão. Ontem mesmo, tossi tanto que me pareceu sentir um dos pulmões a fugir-me pela boca. Para quê tudo isto então? - A eternidade? O legado? - Tretas! Todos estes poemas, contos, novelas, romances acabarão em um imenso descampado de lixo. Serão lixo, nada. Até estes pensamentos o serão. Ninguém, jamai...

O grosso do mundo

Retornei a voltar a reiniciar um fresco percurso. Ando a tentar caminhar novamente. Para já, só no labirinto da minha cabeça, mas aguardo a aberta para sair e meter os pés na terra-fel e seguir.  Ontem, mais uma vez, debative-me com a 'difícil' tarefa de apertar os cordões dos sapatos, a simplicidade desta acção versus a tarefa hercúlea de a executar, sempre me põe alerta. Bufei tanto que quase me saía a vontade por detrás. - Apertei-os e depois olhei lá para fora. - Vou caminhar! - Disse, determinado. Não fui. Sentei-me e comecei a beber, habitual...Dentro, era como uma mola inútil. Inútil por não saltar como fazem as molas. De que serve algo que não faz aquilo para que serve? Será o meu corpo desenhado para caminhar...ou, para beber? Bebi mais enquanto a luta filosófica me colocava no meu tamanho humano. As fronteiras, as barreiras postadas em um batente sobre a minha vontade, são o muro de sempre. Ser saudável, saudável o suficiente para conseguir apertar os cordões dos sapa...

David Crosby - O último hippie verdadeiro.

Criou os " Byrds ", juntou a si, Stephen Stills e Graham Nash, mais tarde, também Neil Young, e nestes ajuntamentos extraordinariamente geniais de músicos, nasceram músicas e alguns álbuns que jamais esqueceremos. - Um deles é o brilhante " Déja Vu " de 1970. David Crosby, desenhou, estruturou e cantou algumas das mais belas melodias folk/country de sempre, foi um agregador, além de todos os seus restantes talentos. Morreu de propósito, ainda anteontem estava vivo, e nunca cortou o cabelo! - É uma das pessoas anteriores que me apanharam, e que, sempre acompanhei. Vou sentir-lhe a falta, mesmo que a maioria já nem se lembrasse dele.  Morreu aos 81. Em mim, viverá para sempre. David Crosby (1941-2023)

Angelo Badalamenti

  O universo da música em geral e das bandas-sonoras, em particular, levou uma abada, nestes ultimos dias. Perdemos o Ryuchi Sakamato, um génio, e agora, também o Angelo Badalamenti, responsável por tantas partituras de filmes memoráveis. Ressalvo a sua parceria com David Lynch em trabalhos como: "Lost Highway","Twin Peaks- Fire Walk With Me." e "Mulholland Dr." mas tantos, tantos mais. É uma perda tremenda para o Cinema. Angelo Badalamenti

Fodei-vos! Facebook em especial.

Aí está! Mais uma vez me dediquei em exclusivo ao facebook, abandonando completamente este pedaço do meu 'mundo', e, consecutivamente acabei desiludido, como sempre. Por seis dias me baniram, só porque tentei a piada. Nem se se tratou de alguma coisa brejeira; era um apontamento sem relevância, acompanhado de um púbis feminino. Caiu mal! Ao facebook cai sempre mal. Que espécie de rede social é esta que não deixa um bêbado ser bêbado em condições? E, se não conseguir sobreviver no facebook, onde é que raio de rede social é que alguém como eu poderá sobreviver a dizer disparates nestes tempos? Terei de retornar a estes descampados longos espaços de nulidade virtual? - É que, pelo menos, no facebook, ainda me retornavam uma réstia de aprovação tão suculenta. - Aqui, apresento a carne e recebo menos que ossos de retorno. Persegue-me a injustiça da sociedade, ou sou merecedor deste vácuo? Quero o mesmo. Quero ser lido. Quero ser, o que sempre imaginei que poderia ser, se ao menos me...

Adeus...

 

O fim da Garrafa

  Nada disto é poesia. Sinto-me apenas só e desesperado. Só e incerto por dentro. Sinto-me já morto, antes do descanso da morte. O que é isto? Morri, e ninguém se apercebeu? Estou tão vazio. Oxalá alguém me dê um soco na cara e me faça sangrar pelo nariz, pelo canto impreciso do olho esquerdo. Preciso sentir algum correr sanguíneo, alguma presença palpável de vida a escapar-se-me do corpo. A hipótese é a de que assim, viverei ainda. Que estou vivo, vivo! - Caralho! Estarei vivo, ainda? - Só sinto sangue na boca. Ontem foi quarta-feira e bebi quase um litro de whisky. Quando é que rebento por dentro e me sairá tudo da carne provando-me a sua existência? Hoje, continuo. Já vou a meio do vidro cristalino de onde o âmbar mortífero se escapa para o copo, para a boca, para o fígado, para a morte...Demora tanto. Havia mais era de ser Homem e atirar-me na frente de um comboio, abaixo de um prédio, afogar os pulmões no mar tão belo. Havia era de ganhar tomates para vender a minha biblioteca...