(...) Não tarda nada e descubro-te só dias melhores ordenados nas roupas que deixaste para trás. Desenho-te o corpo quase todo em luz salgada, branca, branca... feito ondas de joy divison. Acendes-me a mais antigas das febres, e por ti partirei todos os vidros no céu. Quão perfeita é a liberdade dúctil destas ondas nocturnas,
afagando-te em espuma, os tornozelos corajosos,
caules perenes desses olhos cristalinos
. Amanhece novamente e, ninguém nunca gostou do nosso bairro. Ninguém nunca gostou do nosso Mar. Não houve poeta algum, nesta terra dos nossos que se lembrasse de escrever sobre um lugar onde destas ondas não se alevantaram arranha-céus. E houve tanta gente, longe de nós... longe de mim. Tanta gente cheia de poesia que nem produz sentido algum para a crucificação do verbo amar. Forrados de desprezo. É a sua condição natural. Fizemos dos nossos dias a espera por este poema febril.
Mas habitamos onde a poesia não tem código-po...