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Mensagens

Bocados de Gente

M.c. Escher - Perspective en combe et ogive Acordei um destes dias, todo sobressaltado com a ideia do desapego. Aquilo provocou-me suores frios galopantes. Sim, é verdade. Sou menino para acordar de noite com estas "coisas", quase naturais da existência humana, provocam-me sinusites e falta-me o ar ao sono. O desapego preocupa-me. Pratica-lo tornou-se tão mundano, que passou a fazer parte das novas filosofias de vida, espalhadas como cancros pela nova sociedade virtual. É um embate constante. E de que embate se trata? Desde logo, do embate entre a visão instrumental e manipuladora da razão que não é razão nenhuma. Só faclitismo bacoco. É mais fácil a distância, mais confortável o afastamento.  Situações muito pertinentes à praga da preguiça do milénio. Distantes, parecemos mais que só alguns reunidos à mesa do café. Não é nenhuma ideia peregrina, o facto de ter assentado tão bem é que desconcerta. Quanto mais longe nos pomos uns dos outros, ingénuos ...

Hilariante ou Assustador?

...ou ambos?

Reviver o passado em... Vilar de Mouros

A Sorte posta a Nu

Excerto de um dos contos do meu último livro: " Estórias de Amor para Desempregados "   - Se quiserem, se tiverem tempo, paciência, curiosidade, loucura sadia ou se forem simplesmente audazes por natureza, cliquem no link e descubram-no. Só se vende aqui, desculpem! Eu tento, mas não tenho estofo nenhum para o marketing, nenhum. Escrevo o que me apetece e não desisto disso. Ao menos uma parte da minha vida parece-me indestrutível. Espero que gostem. (bolas, isto soou tão desesperado!) Se não gostarem digam-me porquê. Preciso de contacto humano, sobretudo se for construtivo. Se gostarem, digam-me na mesma. Preciso também de qualquer tipo de provocação sorridente. - (....)  Começou com um grito inenarrável da Josefina. Um grito estridente de vitória que pareceu inoportuno, quase despropositado, embora totalmente justificado. E foi como se o céu rebentasse. Terá sido somente a constante falta de oportunidades que nos assolava a todos, que o fez destoar daquele silê...

A arte de saber queixar sem o fazer.

Poema escrito e dito por Herberto Helder a última bilha de gás durou dois meses e três dias, com o gás dos últimos dias podia ter-me suicidado, mas eis que se foram os três dias e estou aqui e só tenho a dizer que não sei como arranjar dinheiro para outra [bilha, se vendessem o gás a retalho comprava apenas o gás da morte, e mesmo assim tinha de comprá-lo fiado, não sei o que vai ser da minha vida, tão cara, Deus meu, que está a morte, porque já me não fiam nada onde comprava tudo, mesmo coisas rápidas, se eu fosse judeu e se com um pouco de jeito isto por aqui acabasse [nazi, já seria mais fácil, como diria o outro: a minha vida longa por muito pouco, uma bilha de gás, a minha vida quotidiana e a eternidade que já ouvi dizer que a [habita e move, não me queixo de nada no mundo senão do preço das bilhas de gás,  ou então de já mas não venderem fiado e a pagar um dia a conta toda por junto: corpo e alma e bilhas de gás...

A Lista Mágica do meu Futuro

24 livros com a incrível magia das palavras. Gabriel Garcia Márquez, tornou-se para sempre o "meu" escritor. Enquanto crescia como pessoa, mais ou menos esclarecida, mais ou menos culta, sobretudo pateta, teria eu 16 ou 17 anos de mera tensa impedância, alternada entre a displicência natural da juventude, e a ambição rigorosa de algum percurso determinado, acabei por descobri-lo, graças ao Círculo de Leitores.  O primeiro livro dele que li, foi " O Outono do Patriarca ". Arrebatou-me de imediato, pois, até então, graças ao cartão de sócio do Círculo do meu pai, o meu amor pelos livros vagueou promíscuo pelos grandes clássicos; dos Americanos aos Russos, passando pelos Franceses e até alguns Ingleses, todos consumidos com algum grau de arrojo incerto.  Ao terminar as leituras, de muitas destas obras que surpreendentemente Marquez aqui referencia, restava-me sempre a vontade irresistível de viver nalgum paraíso alheio. Contudo, n...

More than this... não sei.

Se não estiver em alguma lista de melhores álbuns de todos os tempos, passa a estar agora ( ao menos numa lista minha e só minha!) - " Avalon " dos Roxy Music, marcou-me a pobre carne auditiva e sensitiva, com um erotismo simples mas eficaz quanto baste ao tempo da minha juventude..  Lá, do longínquo ano de '82, rais' me partam, continua a fazê-lo, por isso se mantêm no meu "Top" 50 de grandes álbuns de sempre.  O 10º e último tema deste disco,;" Tara " (divinamente e exclusivamente instrumental, como num sonho iridiscente de entregas, avanços, retrocessos e considerações) continua a arrepiar-me os poros menos desavisados desta pele que me cobre o corpo mais sobranceiro da minha existência. Aquela pele que me guarda a arte toda num casulo uno. De graça. Todavia, tudo o que é aqui dito, não passa somente de uma preferência muito pessoal. Sou aquele que ressalva o " Coimbra B " no melhor álbum de sempre dos GNR, " Psicopátri...

Como se fossemos pessoas a sério.

"Os poetas são bons depois de mortos, cantam-nos, como se lhes exumassem os corpos da sepultura e lambessem as cicatrizes que cada poema lhes infringiu em vida. os ossos estalam sob o jugo da leviandade, a mesma com que a calvície os atingiu em plena idade da fortuna e agora se demora entre a fome dos bichos e das ladainhas e das velhinhas a uma rima qualquer. como se as alminhas penassem agora pela ausência de até carpideiras nas cerimónias fúnebres." Helder Magalhães " Dista um Palmo a Amplitude do Peso que Suportas " Edição de Autor 2014

Música para Falhados Sentimentais

. .. e nem me digam que chorar sal de Calimério ao ver um filme com o Hugh Grant e a Drew Barrymore, a cantarem isto, é coisa digna de algum "panilas" destroçado, ou de uma qualquer mulher violentamente descartada de alguma relação em que acreditava a pés juntos.  Não! Não é de todo. - Aliás, tomem lá cuidado com os estereótipos, porque ninguém sabe futuramente onde e por quem se poderá desfazer por completo, num instante fortuito do seu tempo "feliz" de vida.  Porque emocionalmente estamos todos atirados à mesma incerteza, ao inevitável desígnio de nos despirmos involuntariamente perante o que o resto da vida nos reserva. Somos desleixados por natureza nas razões lógicas face às emoções, que realmente nos controlam, e depois é isto; acabamos numa quarta-feira de manhã a chorar baba e ranho, perante um filme fundamentalmente medíocre, mas cheio de uma qualquer sonoridade misteriosa que nos coloca nesta posição de vulnerabilidade. Muitas vezes, como esta...

Recordações da casa cinzenta

Marlon Brando e Rod Steiger - "On the Waterfront"- Elia Kazan (1954)

Carta obsoleta a um filho vila-condense.

Transportamos connosco a infância até ao momento em que morremos. É um romance que nunca nos abandona. Tento ensinar isto ao meu filho, e não se apresenta tão fácil quanto parece. Quero acreditar que o que retive desses tempos terá feito de mim um homem melhor, de sentimentos mais presentes, e a mais valiosa lição que lhe quero deixar é esta. O meu pequeno tesouro interior. É bem verdade que tomo poucas coisas como certas, pois o progresso arrima-as constantemente, a grande maioria só medianamente me atinge, outras, destroçam-me em absoluto as lembranças de um menino que, ou não quis crescer, ou não quis que a terra girasse e fizesse mudar quase totalmente o mundo da sua infância. Felizmente que uma delas permaneceu perene e constante na passagem do meu tempo, a sempre contínua paixão por esta vila-cidade; Vila do Conde. Se me dou ao luxo de ter sentimentos contraditórios sobre o que vou vendo, faço girar os ponteiros do tempo para essa época em que andava à solta pelas ruas e trans...

Magníficos dias Atlânticos

Serão hoje anunciados os moldes e definições de uma iniciativa governamental, única no mundo, de tal modo arrojada e liberal, que, caso se efective e (deus me livre!) até resulte, poderá transformar esta "geringonça" de 11 milhões de "loucos" visionários e criativos, no mais singular país democrático do planeta. Refiro-me ao -  Orçamento Participativo Nacional (OPN)  -  uma ideia graciosa, não peregrina, não a este nível pelo menos, que o actual PM António Costa, já a havia colocado em prática, em 2008 no município de Lisboa, quando aí cumpriu um dos seus mandatos de autarca.  O conceito em si, sonegou-o à cidade brasileira de Porto Alegre, onde já havia sido posta em acção, implementando-a depois em Lisboa, com algum relativo sucesso e muitos milhões despendidos à mistura. Grosso modo, a concepção generalizada deste projecto indómito resume-se a isto: até Setembro, os portugueses (qualquer português que seja - isto é muito importante) poderão apresentar...

As belas, o "Búlgaro" e o resto dos Heróis,

Adoro quando o meu País se levanta e mostra grandeza pura. Uma emergência de determinação inusitada que quase parece imprópria a um povo fadado à sua insignificância (assim nos querem ver e manter).  Todavia, de tempos a tempos, lá nos erguemos altivos, desse destino imposto. Amiúde, sofremos a morder lábios, em dor extrema, mas fazemos pouco caso ao que de nós dizem. Aligeiramos os estereótipos que nos querem impor à força de não termos grande poder para os contrariar, empurram-nos para baixo, e nós amiudámos a circunstância de cair humilhados, porque sabemos melhor, porque somos portugueses e temos cá dentro um plano secreto que os outros nem se importam em descobrir.  Mostrámos quem somos desde o útero. Porque no interior profundo, temos é carnes duras, maceradas a frio com tanto derrotismo continuado, e talvez seja essa a "fénix" que nos habita e faz explodir.  Arrumaram o Ronaldo a 7 minutos do jogo da Final em França (e logo um francês, não queiram lá ver....