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Mensagens

O Poder mágico do Flan

Agora que o lançamento deste maravilhoso fanzine já passou (foi ontem, não estiveram lá?) já posso divulgar aqui, a minha modesta participação no primeiro número. O tema era: Mala, mas a doçura das palavras e imagens que o perfazem, não se fecham no trinco de nada ou ninguém. Leiam-no nas vossas mãos, que assim é que vale a pena. Aqui: https://www.facebook.com/pages/Flanzine/194519150717997?fref=ts por mensagem privada. Entretanto, por entre tantos textos tão bons que por lá se escondem num molho adocicado, aqui está o meu: "Por detrás do teu Rosto já não existe Ninguém." Inês estava ainda visivelmente abalada ao fim da tarde, apesar de o acidente ter ocorrido de manhã cedo. Ora o contava ao telemóvel, ora o dizia de viva voz a todos os colegas no trabalho, o que nunca fez, foi largar aquela mala das mãos durante o dia todo. Era a âncora que a prendia à vida. Iam as duas a par, ela e a falecida, e quis o destino que uma parasse e a outra não e, q...

Sobre o "Artista"

(...) Não é escritor quem escreve essa palavra no seu perfil do facebook. Como não é pintor ou cineasta quem desenha flores ou caminha pela marginal com a câmara do telemóvel ligada. Não é a ferramenta que faz o artista, é este quem dá vida ao instrumento que usa. Um macaco que atira tinta contra uma tela, pode até ser giro de ver no youtube. Mas é apenas um animal a fazer um gesto que não controla artisticamente. O mesmo para os poetas de algibeira, ainda que tenham amigos que escrevam para jornais e blogues e lhes façam o frete do elogio. O mesmo para pensadores das revistas Anitas ou similares que recebem 30.000 likes porque teclaram "Todos os nossos rabos juntos virados para a lua fazem um gigantesco momento de amor" P.C.F. (a frase era outra, mas a ideia e a qualidade do conteúdo era a mesma...). Um macaco com tinta nunca será um Picasso. Embora, puxando a nós a compaixão que Dickens nos criou por David Copperfield, por exemplo, possamos admitir...

Gustavo, o bebé cantor.

No dia em que Gustavo cantor chegou a este mundo, fazia tanto calor, que os candeeiros da rua, ainda quentes de trabalharem a noite inteira, derreteram, fazendo poças de luz em cima dos paralelos escaldados. Gustavo chegou tão pontualmente como um nascer do sol. A sua mãe ainda estava em roupão de banho e com a cabeça cheia de rolos quando ouviu uma cantoria muito miudinha subindo de mansinho da carpete, e quando olhou para baixo viu, cheia de surpresa, um par de olhos muito claros e brilhantes, azul-bebé como o primeiro céu da primavera, a sorrirem-lhe felizes, no meio de uma voz que não era deste mundo. Há a certeza do imortal quando assim um filho nos sorri. O coração pula-nos no peito e o mundo para de rodar quando nos olham, sentimo-los donos de nós e dos nossos sonhos, e é isto que faz o mundo parar e que o faz também girar. Mas como é possível que uma criatura assim tão pequena, consiga nascer a cantar a plenos pulmões? – Pergunta o pai muito espanta...

Are you an artist?

Nao há Feira, mas há escritores.

Nao deixem de aparecer. Os livros sao de todos e para todos. Nao há força alguma com poder suficiente para afastar os escritores dos seus leitores. Aprendi isto, em miúdo, na primeira vez que visitei a Feira do Livro do Porto. - http://queremos-a-feira.blogspot.pt/2013/06/feira-de-sonhos-por-casimiro-teixeira.html

Contos...

 Aqui vos deixo três excertos de 3 contos diferentes que, muito em breve, estarão reunidos num livro novo. É para ler meus caros, para ler e comentar depois sim? (...) Nunca dormia intacto, remexia-lhe a esperança de que qualquer coisa fértil tivesse ficado lá dentro dela, a germinar-lhes um futuro melhor. Observava-a de perto, enquanto ela dormia. O cheiro dizia-lhe que sim, porém, o tacto da intuição desanimava-o. Nem os ratazanas se aproximavam para lhes pressentir um fim, a modos que Plínio nunca sabia em que ponto estava do caminho para o seu juízo final. A única certeza de que dispunha era a do amor que ela lhe tinha. Na noite seguinte, Plínio, ao revirar o contentor do lixo, duvidou que aquela tivesse sido a sua última palavra. Pensava que quando uma mulher diz que não fica à espera que insistam antes de tomar a decisão final. E só Deus sabe, quantas decisões finais já lhe haviam sido enganadas. Desde que perdeu tudo, Plínio só viu um caminho: A descendê...

Opiniões?

A Verdade Inalcançável

Ando para aqui a matutar na verdade. Verdade, verdade, verdade... Há uma frase do escritor, ensaísta e filósofo portuense Sampaio Bruno que diz assim: “A verdade é um erro cada vez menor”. Que elegância de pontaria. Põs-me a cabeça em descanso por alguns momentos. Acredito que a verdade é uma soma de múltiplas opiniões. Se juntarmos essas opiniões todas sobre um qualquer assunto, sobre a política, por exemplo, mas também pode ser sobre o problema do excesso de pombas nos centros urbanos, sobre a escolha do papel higiénico, sobre a primavera que tarda a chegar ou sobre a verdade, porque não - claro que seria quase impossível termos essas tais infinitas opiniões - mas, a ser possível, certamente que poderíamos chegar a uma espécie de verdade, Verdade, não acham?

O Jogo das Palavras

Confesso, não gosto nada de pessoas contentinhas, desagrada-me aquela gente que informa todos, por tudo e por nada, que estão naquele lugar impossível de sublime felicidade. Em especial, dessas pessoas que o fazem porque viram um filme, ouviram determinada canção, leram certo livro. Se dependesse destes, a literatura já teria se esvanecido da face da terra. Ainda assim, as pessoas ditas "normais" continuam muito apreciadas, apesar de quase sempre, serem estas que se constituem como as principais cúmplices do grosseiro mal visceral que atravessa a literatura actual. As pessoas "normais" são muitas, são a maioria, e são elas que compram os livros "normais", os livros sem excepção, os que só se vendem porque elas os compram. Ontem lembrei-me de uma frase que Zelda Fiztgerald costumava dizer ao seu marido: "Ninguém mais do que nós tem o direito de viver, e eles, filhos-da-puta, estão a destruir o nosso mundo". Talvez Zelda se sentisse um pouco ...

"Governo Sombra" lido e revisto pelo blogue Efeito dos Livros

  Para lerem a opinião, cliquem no link em baixo http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2013/04/governo-sombra-de-casimiro-teixeira.html

Dia do Livro Português

A minha humilde participação no debate organizado na Antena 1, no dia do livro Português, sobre o tema: o impacto que a crise está a ter no lançamento de novas obras. Para ouvir no link aqui por baixo. http://www.rtp.pt/play/p470/e112012/portugal-em-direto

Aguardo pelo centésimo macaco

O título é tão provocatório quanto verdadeiro. Logo verão porquê.  Ao som, mais ou menos afinado do "Grândola Vila Morena", estes protestos dispersos que mais recentemente, têm feito honras de receção a todo e cada governante incauto que arrisque pôr o pescoço no lugar da boca, contêm, em si mesmos, a génese de dois fenómenos deveras interessantes: O primeiro, é o mais óbvio. A própria imprevisibilidade da acção. Que até se pode revestir de algum perigo, pois, como não exista organização que lhes deite a mão, sendo estas absolutamente espontâneas e independentes, abrem as portas a um tipo novo de poder invisível, igualmente nocivo a uma democracia saudável. - Que não haja aqui má fé ou má interpretação do que digo - Ainda bem, para já, que estes impulsos abruptos tem sido bem dirigidos, mas, e quando romperem todas as barreiras, e a excepção se tornar regra, desbaratando-se a boa mensagem implícita na força desta letra por todo o grão infeliz de indivíduos que decidam e...

Teaser do novo livro

Uma vontade maior que a outra

Foi num dia como o de hoje, fez agora trinta e quatro dias, e a contagem pareceu-me cheia de uma esperança enganadora, e decrescente, depois se veio a confirmar. Afaguei, inimigo do amor próprio, o derradeiro maço de cigarros, puro, quente, directamente da mão sedutora do senhor do quiosque. Pequenos pauzinhos de prazer imediato, não doseados, como conviria. Nunca, convenientemente doseados. O senhor do quiosque tinha sempre mais, o que inibia o doseamente ajuizado. Cheios todos eles, cada qual tomado de um sopro, e que, como sempre, desciam rápidos, como um vento passageiro. O tremor nas mãos não me traía nenhum nervosismo. Tremia porque acabara de acordar e estava sem fumar havia horas. Ainda não tinha descoberto como haveria de fazer, para fumar a dormir. Acordado, fumava um mínimo de um maço por dia, só em casa - Não é muito, diziam-me os cínicos, igualmente transtornados por este mesmo vício legalizado. - Eu fumo aos dois, e mais até. Tudo depende da disposição do d...

Capa do novo livro

Al Berto . Coimbra . Janeiro 1992 . Ou como se manda foder os faristeus!

A minha prenda de Natal do Jornal "O Público"

Amour!

Raramente falo aqui de cinema. Há muitos anos atrás, apaixonei-me por um tipo de cinema, que dificilmente consigo encontrar nos dias de hoje. Quando vejo cinema actual penso que, na maioria dos filmes, falta maravilhoso, aquela espécie de unguento que percorria os filmes antigos e que ainda hoje os faz nossos para sempre. Que não precisam resistir ao tempo, são pertença natural desse outro onde somos passantes ensombrados pelo relógio interior que inventámos. De tempos a tempos, a TV satisfaz-me essa nostalgia por bom cinema, embora, nunca mais seja aquilo que foi, nos tempos áureos da RTP2. Os seus ciclos nocturnos, de descarada fuga ao communmente comercial. Saudades, sim. Resta-me o desafogo ocasional da escolha arbitrária do DVD. Não é a mesma coisa. A RTP2 oferecia-me o prazer de o cineclube caseiro, e eu adorava-a por isso. Revi Casablanca, à poucos dias, em seus tons de apetecer - reconheço que por ter passado na TV e livre a minha areia na ampulheta - revi também um del...