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Mensagens

A Arte é uma Ferida no Mundo

Dali pinta Picasso

Jacques Tati

Hoje há maratona Tati cá em casa. Tragam pipocas.

Música de partir corações

há qualquer coisa nela, na música, na viagem, na Elizabeth, que me leva sempre a um outro lugar, como se fosse meu desde sempre e me re encaixasse as entranhas onde antes existiram estilhaços de um coração.

Às vezes sem rumo.

Por cima de uma das janelas acesas podias ser tu. A meio do tumulto que atravessa a rua em dia de feira podias ser tu.  Às vezes é sexta, outras vezes é para sempre. Ainda parei no canto brilhante onde nos encontramos para te aguardar a aparência. Veio um carro de vidro que passou com urgência, podias ser tu. Nem vi. Até o tapume de protecção do prédio em construção tem um sorriso pintado, mas não é o teu.  Podias ser tu sentada neste espaço aqui ao meu lado, a  regressares baralhada, depois dos moinhos de vento de todas as palavras.  Podias ser tu atordoada de imagens sob os candeeiros suspensos da minha rua, os que aliviam a minha paisagem sentimental. Havia ali uma nuvem vermelha que nos iluminou todo o ardor. Podias ser tu  sem persianas contra o calor. Corri a os campos arrumados em fotografias vivas, procurei por todas as fachadas decoradas com canteiros de surpresas. Tudo te mostrei ao retardador. Quilómetros e  quilómetros de linhas e...

Elisabeth Fraser

A mulher dos meus sonhos canta como um anjo  e faz vestidos por medida aos sábados. Elizabeth Fraser (Leeds 1982) - This Mortal Coil Concert

O rapaz-tímido

Nos intervalos do balcão azul-imenso, o rapaz-tímido ainda tem tempo para viver umas coisas mais exactas. Anda por lá só a marcar um compasso, aquilo já nem lhe  perturba muito o juízo. T ira cafés, espreita a barriga da máquina, escreve e desbrava o que contem.  N ada de extremismos antigos, que lhes ganhou uma saudável imunidade, tudo com mãos ágeis e cabeça aberta. Vai assistindo atrás do balcão, aos que ganham protagonismo, mas não todos. Só alguns. O rapaz-tímido adormeceu um dia  a pensar que ali se faziam amigos como no recreio da primária, e acordou a acreditar que aquilo funcionava mais como o polivalente de um liceu.  Recomeçou agora o concerto e o rapaz, observa os super-poderes dos amigos que são amigos dos outros amigos que nem são seus amigos, a serem populares. O rapaz-tímido apaga mais um pequeno texto escrito nas pontas dos dedos, desenha uma piada-fotografada, e mantêm-se suspenso e vivo sobre o chão do balcão-azul, por ma...

Amas-me?

by Irene Mala

em dia de orgasmos...

...lê-se « Todo o livro é [...] uma portentosa e eloquente contradição da chamada sexualidade branca, assexualidade ou sublimação dela, que têm sido as tonalidades dominantes, quando se trata de abordar esta zona, das mais obscuras, do caso Pessoa.» Hugo Pinto Santos, em   Orgia Literária

Sam Shepard

"Há uma borboleta Monarch morta no passeio, em Ozona. A brisa fá-la vaguear de um lado para o outro. Durante todo o dia, borboletas têm vindo a esmagar-se contra o meu pára-brisas, deixando estilhaços rosa e ouro por todo o vidro. Vi uma desabar do céu, na vertical, e esmagar-se na superfície negra da auto estrada 10 leste. Esta deve ser a época do ano em que têm que morrer." 16/10/80 Ozona, Texas in "Crónicas Americanas" Sam Shepard Sam Shepard (1943-2017)

O Salto

Mais cedo,  nesse mesmo dia,  veio a descobrir  que o amor, se estava a acabar. Dera um salto, sem medo de dizer que se despedia. Foi um fim que estava para vir para nunca mais retornar.

Jeanne Moreau

Um dos meus filmes para sempre é este,  onde esta grande senhora Moreau,  brilhou tanto,  que há fortes indícios de que andasse disfarçada só a deixar-nos de boca aberta  e alma cheia. Jeanne morreu, ficou a brilhar pela noite eterna. La notte (1961) - Michelangelo Antonioni Jeanne Moreau - (1928 - 2017)

Bukowski

... it's a bitch!

Saudade de ver bons filmes (VI)

... poderosos "Só choro no cinema, quando vejo um filme mau. Um filme mau pode por-me a chorar como uma criança perdida. A  capacidade de remexer, não no sentido, mas nos sentimentos, que os filmes maus possuem em alto grau, faz-me isso." Mário Cesariny

Homofobia para Totós

https://trindmaria.tumblr.com/image/156264121789

Regras do trânsito sentimental

Como hei-de explicar que não se entra, assim, pelo Amor fora? Que é um processo de explosões,  misto de engodo, insensatez, beijos oblíquos e cheiros bons. por vezes anda-se a manifestos estoiros com a cabeça rebatida no mundo-plano e as estradas são todas estrangeiras quem se achega, vem a evitar a flora mirrada da desistência do próprio peito e seus olhos já viram montado de sobra  e heróis fatigados, agarrados como podem ao vento. Entre os mais-ou-menos imperfeitos procuram-se superpoderes para dar a volta a isto. (serpenteando por árvores despidas da cintura para baixo,  que deixam marcas tão fortes  que bem se pode estar uma década sem conseguir fazê-lo de novo). É então que se lançam as sebes ao alto e a protecção dos muros é como um livro interrompido ou dói ou tem pressa de ir embora de vez. De concreto fica só o muro a buganvília e o jasmim cheiroso perdem logo a altivez. Mesmo assim, sentimo-nos num caminho a sério  à razão d...

Os Bárbaros do Aqueduto

Texto publicado hoje, no Facebook, ao qual ninguém ligou um caralho. São daquelas coisas triviais que já devia ter mais cabecinha que isto para não as levar a sério, mas levo na mesma. Sou irritante ao ponto de me levar a sério. São todos uns esmorecidos, eles não falam e eu só escrevo. Que coisa! Mas tenho as minhas suspeitas daqueles algoritmos. Suspeitas do género das teorias, de conspiração. - Pode ser que aqui pegue. " Os bárbaros estão no meio de nós talvez porque os bárbaros somos nós. Começam a restar-me poucas dúvidas em relação a isso. É claro que também já tive mais certezas. O mesmo ram-ram de sempre. Por exemplo; há aqui um casal de vizinhos que passeia um par de canitos pela praça, todos os dias, várias vezes ao dia. Nada de extraordinário nisto, fora a questão trivial de um dos bichos ser mais espevitado que o outro. Aquilo parece um texugo bebé carregado da electricidade positiva  daquelas pilhas que não acabam, corre, corre, corre...enfim, é óbvio que, ...

Olha o avião!

Dois amantes olham o céu, fazem diligências sentimentais, perdem o equilíbrio, o pudor juntam-se pelos braços, dão a mão "Foste tu, fui eu.." acordos, tréguas e outras batalhas navais. No fim acabam na mesma conclusão "Valeu a pena? Valeu." enchem a terra de suor.

A Nuvem

Apareceu-me na rua, anteontem, debaixo de um castanheiro, um senhor baixinho todo anacrónico, com um bigode orgulhoso que era o seu factor humano, e vinha este acompanhado por uma menina grande de pele morena e doce, com um sotaque às curvas como o Amazonas. Eu caminhava na direcção oposta e o homem pareceu reconhecer-me em inversão de marcha, detendo-me à sombra. - É mesmo você? - Perguntou-me. - Sim, sou mesmo eu. - Respondi-lhe cheio de certezas pessoais, mas algo fragilizado pela imponência ostensiva do seu bigode. Havia também um coque perigoso - na rapariga - muito bem enrolado e muito bem preso que era mais bonito que a sua cabeça inteira, e tinha também um par de olhos grandes, e eu gosto de olhos redondos, como os vocábulos. Fiquei a ouvi-los, pois havia sombra presa por cima e boa vontade ao nível do chão. A primeira coisa que me disse - o homem - foi sobre a palavra nuvem, que era a sua favorita, dentre todas as nossas palavras, ditas ou escritas, e que me agradecia m...

Woody Strode

Racismo é para gente de coração engelhado. Vejam aqui a magnificência determinada do grande  Woody Strode , no excelente filme de John Ford " Sergeant Rutledge " de 1960. Lembrem-se dele no " Man Who Shot Liberty Valence ", 1962, também do seu mentor John Ford, ou em " Spartacus " de Stanley Kubrick, de 1960. No Maravilhoso e demasiado pequeno, mas memorável papel que desempenhou em " Once Upon a Time in the West " de Sergio Leone 1968 e atrevam-se a chamar-lhe de "preto". Atrevam-se, vá lá. Nasceu neste dia, em 1914 e ficou para sempre. Porque a existência grandiosa, e nenhuma existência por tempos passados ou vindouros, se deverá submeter à insignificância de mentes tacanhas. Woody Strode "Sergeant Rutledge"