(Para ti) Mais um dia que se ajoelhou de faca na boca. Esta mulher em máximo equilíbrio, sorrindo como uma estátua. Esta mulher feita de carne e sono, embrulhando os filhos por estrear Falhou em tudo e ri-se, de carvão a cercar o estômago As narinas muito abertas à procura do ar. As pernas tranquilas para o outro lado do corpo Uma dor de furar cidades numa cara adolescente, estreita, entre dois olhos É mesmo ela, sem dúvida, esta mulher de diversão para qualquer dia um gesto desajeitado para qualquer ombro o maior esquecimento da família, até aos domingos E volta a cara para outro lado, de preferência à procura da luz Mulher nua, no quarto, desistindo da sua lírica, Olhando o tecto Mulher encolhida na própria sina, encontro fatal Os olhos comem O corpo alcança A mulher ergue-se no túmulo de outra vida Desaprendendo de ser gente Mulher de bater à porta em dias invisíveis Calada, encostada à condição do se...