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Mensagens

Agradecimentos

Gostava apenas de agradecer o tempo que me deram. Foi nisto que pensei a vida toda. Nisto e em juntar dinheiro para um dia ir dar voltas ao mundo, para ver se é verdade o que dizem sobre este ser redondo e cheio de gente que nunca se ri, de mim, só abre os braços gentis e recebe quem vem da inocência de pouco saber. E nem mais nem uma coisa nem outra, porque já ando há alguns anos nauseado por tanta imobilidade com que me vergam os egoístas, os que me permitem morrer. Antes, só vos queria dizer, que me deu para arremessar computadores superpovoados à parede, calhando de ouvir dizer este ou aquele, que só falam lá do alto da vida, mas não têm chão. Gostava que esses soubessem que a vida se faz mesmo é de recortes, e que uns serão de papel, outros são mesmo verdades. Gostava só de agradecer os fins-de-semana, em que conserto os meus sonhos menos resistentes, e em que treino para não ir na conversa de qualquer um e em que esculpo as mãos para o trabalh...

O alerta ao suicídio acaba nulo

Emile Durkhein , o grande e iminente sociólogo, psicólogo e filósofo, autor d'" O Suicídio ", tão commumente alardeado como o "pai da ciência social moderna"; escreveu em tempos que: " só há suicídio se o acto de que a morte resulta tiver sido realizado pela vítima tendo em vista esse resultado. " - Tanta descarada redundância bacoca afligiu-me por demais então, insípidos anos noventa, sendo eu um jovem incredulamente liberto de uma pacatez quase aldeã, justamente acabado de sair fresquinho da sua pequena terra insossa para outra, muito mais fervilhante de atrações intelectuais, sexuais e em geral desiguais da sua origem, onde tanta nova gente tão efervesce nte em comparação com a sua própria palidez  gratuita de nascença, o despertavam.  Quanto mais não seja pelo facto de que tal insensatez tão disparatada ter sido proferida por alguém de tão grande monta cientifica ainda o fazer agora. Suponho que a desfaçatez dita ou escrita, nunca carrega em s...

Corações tão deslavados de morte eficaz

Adolfo diz-lhe: - Anda cá. Vem viver no meu coração . Ela hesitou. A sua última palavra ficou suspensa no desejo do ar do quarto, como uma nota falsa de duzentos euros. Adolfo chamou-a de novo, ela pôs-se de pé, levantou os braços e despiu a blusa, rodou o trinco do soutien, de trás para diante, soltou-o e aproximou-se dele sem guardar recordações de nada, porque tinha o coração definitivamente mutilado para o amor. (...) Excerto do conto -  O Triste caso do Homem sem Fim - in " Estórias de Amor para Desempregados " Miro Teixeira Auto-Publicação 2016  -  Estorias-de-Amor-para-Desempregados  - Link disponível só para loucos e aventureiros com boas almas que anseiem saltar fora deste tempo.

Bocados de Gente

M.c. Escher - Perspective en combe et ogive Acordei um destes dias, todo sobressaltado com a ideia do desapego. Aquilo provocou-me suores frios galopantes. Sim, é verdade. Sou menino para acordar de noite com estas "coisas", quase naturais da existência humana, provocam-me sinusites e falta-me o ar ao sono. O desapego preocupa-me. Pratica-lo tornou-se tão mundano, que passou a fazer parte das novas filosofias de vida, espalhadas como cancros pela nova sociedade virtual. É um embate constante. E de que embate se trata? Desde logo, do embate entre a visão instrumental e manipuladora da razão que não é razão nenhuma. Só faclitismo bacoco. É mais fácil a distância, mais confortável o afastamento.  Situações muito pertinentes à praga da preguiça do milénio. Distantes, parecemos mais que só alguns reunidos à mesa do café. Não é nenhuma ideia peregrina, o facto de ter assentado tão bem é que desconcerta. Quanto mais longe nos pomos uns dos outros, ingénuos ...