Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

O caminho da prata

Poema 8

És uma flor que cresce da parede gretada, perdida entre o feto a hera e a gesta, colho-te mansamente dessa curta fresta onde infeliz estás tu atada. Trago-te, tonto e sem jeito, enrolada no calor imenso deste peito, a ti, delicada e bela que és, minha flor silvestre, meu sonho de tudo o que virá. Perdido, perdido, ando eu, no rastejar, de um chão que nem sei se existe. Perdida, perdida, anda a vontade, a força de espírito, que por vezes parece que desiste. Em mim, em mim (Tiná) e anseio, anseio por esse teu olhar cheiroso de flor, que tudo me traz de volta, esse olhar, ah esse olhar de amor. É por isso, só por isso que eu sei, embora olhe para ti menos vezes do que já olhei, nesta vergonha, sim, nesta repugnante vergonha, que me corta a artéria da vida, inundando-a de peçonha, e nada mais me resta, que estas palavras pra ti ó minha flor, palavras nem sei bem de quê. De dor? De Amor? Pois eu estou cego, sou aquele que não vê. Mas por ti, por ti eu tento, e se ao menos, em ...

Rostos da Boavista (Cabo Verde)

Todas as fotos da autoria de Casimiro Teixeira

Poema 7

Mal posso com o peso da vida, cangaço atroz que me despedaça, carrego-o errante em vã desdita, tentando acreditar que ela passa. E passa, passa, ela vai, deixo-a ir sempre há minha frente, não sou homem que não vai, mais além do que aquilo que sente. Tenho vertigens ao viver, sou peso morto que balança inerte, na grande preguiça de ser, o copo cheio que nunca verte. Já pensei nisso, já contemplei, o fim avizinha-se-me prazenteiro, mas não posso, não sei, dar aquele final passo derradeiro! E por isso persisto, vivo, avanço, aguento, de sorriso velado, a indesejada vida da qual não me canso, de dizer que dela estou cansado. Eu escorrego sorrateiro pela borda d'água, eu imploro, ajoelho-me, rogo a vontade de morrer, quis o destino que me esvaneça nesta mágoa. Maldito coração que não pára de bater? Sou assim, Atlas covarde que sustem, o fardo surrado desta vivência, deste ser sou como sou, palhaço triste que tem, até preguiça ou medo de morrer.

Sagres

As aventuras de Rodrigo - O Guerreiro Sonhador - Cap.I

J á tarde ía a Primavera no seu correr de Estação ao longo do ano, e por todo lado se sentia o calor do Verão a querer surgir, assim foi que numa tarde muito quente de Junho, encontramos Rodrigo com o seu cinto de Tazos a tiracolo a vaguear alegremente pela floresta encantada de Oom, dizia-se que aí vivia Grunch, o treinador de cavalos alados, e Rodrigo procurava-o.

As aventuras de Rodrigo - O Guerreiro Sonhador

Prólogo H á muitos, muitos anos atrás, numa época de Dragões, criaturas estranhas, Cavalos Alados e Fadas, místicos feiticeiros, bosques encantados, Pássaros Gigantes, Reis e Princesas Encantadas, num tempo de céus azuis repletos de côr , inundados de luz e beleza, de corajosos cavaleiros reluzentes, heróis de bravura sem fim, e de malvados vilões de olhares sinistros e bigodes empinados, num tempo onde a imaginação dos homens não se detinha em sonhos pela noite, mas renascia no nascer de cada dia, prosperando em contos e relatos fantásticos de batalhas inacreditáveis e feitos de coragem além da própria vida. Nesse mundo de fantasia, nessa época maravilhosa, vivia um pequeno menino, que vagueava pelas planícies e pelas montanhas, atravessava oceanos e desertos, conhecia Imperadores e Vagabundos, poetas e guerreiros, e era um menino muito especial, pois tinha o Dom da fantasia e a todos agradava com os seus feitos de heroísmo. O seu nome era Rodrigo,e esta é a sua ...