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Poema 7


Mal posso com o peso da vida,
cangaço atroz que me despedaça,
carrego-o errante em vã desdita,
tentando acreditar que ela passa.

E passa, passa, ela vai,
deixo-a ir sempre há minha frente,
não sou homem que não vai,
mais além do que aquilo que sente.

Tenho vertigens ao viver,
sou peso morto que balança inerte,
na grande preguiça de ser,
o copo cheio que nunca verte.

Já pensei nisso, já contemplei,
o fim avizinha-se-me prazenteiro,
mas não posso, não sei,
dar aquele final passo derradeiro!

E por isso persisto, vivo, avanço,
aguento, de sorriso velado,
a indesejada vida da qual não me canso,
de dizer que dela estou cansado.

Eu escorrego sorrateiro pela borda d'água,
eu imploro, ajoelho-me, rogo a vontade de morrer,
quis o destino que me esvaneça nesta mágoa.
Maldito coração que não pára de bater?

Sou assim, Atlas covarde que sustem,
o fardo surrado desta vivência, deste ser
sou como sou, palhaço triste que tem,
até preguiça ou medo de morrer.

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