Avançar para o conteúdo principal

Os humanos, esses filhos da puta catitas!


Ai estas pessoas que vêem tudo com maus olhos! - Que ensinam diariamente a paixão a chorar e a vida a definhar num poço sem fundo. 
Há nestas frases algo de estranho, algo de lágrimas e perdição. - Estas pessoas! Estas estranhas pessoas que sem terem quem lhes puxe nem se mexem. Que coisa! - É como se comprassem um bilhete só de ida, para os territórios neutros. - Hummm...estas pessoas! Corpos mortos, com o sangue ainda a fluir-lhes nas veias. - Nem imaginam que, o truque chama-se baixar todas as fasquias, acreditar na sorte e nas aventuras. o truque é pensar-se sempre por baixo, ser pequeno e humilde. Ser mais humano ao espelho. 
Não fomos colocados aqui para termos tudo direitinho, como queremos. Não! - Temos defeitos, somos ingénuos e estúpidos até. - Por exemplo: Só hoje é que descobri que se pode escrever aqui o que se quiser, que ninguém liga na mesma. É assim mesmo, costumava valer alguma coisa ser diferente, agora já não. Na adversidade, toda a bravura é escassa para se deter todas as mãos que nos empurram para baixo. O auto-ataque, é o mais covarde de todos. Atinge-nos sempre pelas costas.
Somos assim, humanos! O truque final, é acreditar sem dizer muito, sem dizer nada até, e tudo acontecerá, como deve de acontecer. Rais' partam estas pessoas! Porque têm de estar sempre a chorar por tudo e por nada?
É como falar para o boneco e dizer-lhe assim: Ao ler para trás aquilo que me escreveste, descubro que me vês às avessas, como quem vê as entranhas de um bicho mau, esperando bondade lá dentro. Aos teus olhos nascem-me garras nos ossos, cornos de pedra, presas rudes, olhos de besta. É justo. Tudo muito catita, até descobrir que esse boneco sou eu mesmo. - Deixo-me estar quieto, porque nunca acreditei na malvadez de nenhum bicho que não fosse humano. Tenho a minha própria gruta de bicho onde escondo todas as palavras de besta que esquecerei sempre de dizer e fico lá, muito quietinho, a ser eu mesmo e a imaginar o mundo brilhante e lindo, cheio de tantas outras palavras pela frente. Suponho que existirão coisas piores para se fazer nesta vida. Criar um mundo de silêncios, de lápis na mão e com vista infinita à nossa mercê, mas desapegado de tudo, nunca poderá ser assim tão terrível.
Ai estas pessoas assim, que atrasos de vida! - Vivem de um egocentrismo idiota que os leva, com excessiva frequência a imaginar cabalas onde nada existe e a imaginarem-se o centro de universos alheios. É esta mania de confundir amizade com qualidade, e uma preguiça enorme de pensar pela própria cabeça e de agirem em conformidade. 
Preferem, com frequência, gastar energia a cobiçar e a invejar do que a criar. Pena, pena... A dor dissipa-se, a paixão consome-se como a ilusão que é, mas engrandece também, a vida é esta viagem de constantes mistérios, de sortes fortuitas. é preciso ter olhos para o que é, sempre para o que é. O que virá, será sempre uma incógnita. E a sorte, anda à solta pelo quatro cantos da indefinição. Não sei...que dizer mais sobre pessoas assim?

Mensagens populares deste blogue

As Crónicas do Senhor Barbosa III

O Senhor Barbosa acredita que já nada o pode magoar. Nem o desprezo passado, presente ou futuro, nem o cão esgalgado da vizinha, de dentes longos, nem a hesitação insípida do amor mais ou menos alvoroçado, nem a morte, nem nada. Nada mais lhe poderá acontecer de tragédia inventada. Já outros a inventaram por si. Olha para os reflexos e sabe que isto é de uma tal arrogância que até lhe faz doer os dentes postiços. Ri-se e prossegue a acreditar na sua recém-criada fortaleza inexpugnável. Mas, o Senhor Barbosa não fecha os olhos debalde, e sabe que, em tempos difíceis, às vezes é preciso morder a laranja para a poder descascar. Nada significa o que quer que seja até ao dia seguinte, altura em que voltamos a fazer contas à vida. É quando o riso cessa. Sabe isto e mesmo assim ri. Porque não? Está tão bêbado que outra coisa não lhe ocorreria fazer. O que é difícil é ultrapassar a espera pelo dia seguinte. Ali estava outra vez o ruído. Aquele ruído frio, cortante, vertical, que tão bem conheci…

Constante de Planck

Dia sim, dia não, uma beleza antiga.