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A história da Albertina


Se te explicar que me acendes os céus
tão cedo me desocuparias os dez minutos que te mentem
sobretudo sobre a força da vontade.
Um estilhaço azul brilhante que passa,
mostra-me, não ser tão forte quanto o merecerias
e caio frouxo e sem alento
para fugir do fogo nobre do teu adeus.
Só penso em ti em cores que nem existem
e em barcos que fogem da barra da saudade.
Pergunta o motorista do carro de praça:
Conhece o senhor todos os preços e categorias?
Aceno que sim, mas é inútil, pois já nem tento.

Mais longe ficam-se as janelas perdidas na inocência,
a noite está triste como a vizinha solteirona,
e pela cidade espalharam mensagens, os poetas
que fica apagado o fogo da menina.
Malditos poetas que só sangram pelos braços,
e de suas línguas em parafuso, inclemente
destila-se a vergonha da minha abstinência.
Que fica a menina sozinha, ali sentada na poltrona.
Explico ao taxista que me leve de volta às pretas
mas ele, muito torcido, diz que aquilo não se faz à Albertina
que acende os céus com a força dos seus abraços
e trabalha de costas, a pequena, e muito arduamente.

Põem-se-me logo as pernas a boiar
que mau tempo é este que me atirou para a guerra?
Albertina, Albertina, vê tu a saudade que deixas
só penso em ti por uma nesga do que sou
o resto caiu abatido na dureza do motorista.
Albertina, lê-se nas ruas, deita fora o coitadinho
anda cá escrever nas costas das minhas correntes d'ar.
Cumpriu-se por fim a solidão que me aterra,
meu amor ficou esquecido, na rua por trás das ameixas.
Leve-me embora que a nossa história acabou
e como fica a menina onde o senhor nem pôs a vista?
Desocupada, respondo-lhe, à espera d'algum cavalinho.

Desenhos da prisão: Malangatana






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